Viva o dia dos trabalhadores!

Um viva a todos os trabalhadores! Vivaaaaaa!!!!

Eu bem que queria escrever que eu consegui emprego como assistente social e que por isso estou muito feliz. Mas eu não consegui e continuo feliz igual pois ultimamente eu tenho ganho tanto que não tem como reclamar, nem ficar triste. O negócio é continuar tentando… um hora eu bato na porta certa.

O último post uma guria deixou um comentário no blog pedindo emprego. Não é comum o povo deixar comentários pedindo emprego, às vezes o pessoal deixa coments perguntando o que é preciso fazer para conseguir um trabalho na Suécia, outros perguntam como está o mercado de trabalho sueco. Eu sei muito pouco sobre isso e, na verdade, tudo o que eu sei está baseado na minha experiência como imigrante na Suécia e nas histórias que outras imigrantes me contaram. Mas a coisa está meio difícil por aqui, eu acho. Tenho amigos suecos que perderam seus empregos. Gente que tinha vikariat – trabalho de substituto, como eu – e que agora não tem nada. Gente que perdeu o emprego porque a empresa em que trabalhava fechou – e isso em diversas áreas. Gente que mudou de emprego porque sabia que a empresa em que trabalhava estava prestes a demitir (muita) gente. Gente que teve de mudar de cidade porque a empresa diminuiu o pessoal aqui e ali, fizeram remanejamento para manter o pessoal mais antigo e quem teve a graça de continuar no emprego tem a desgraça de procurar casa/apartamento novo nesse caos que é a fila do aluguel na Suécia.

Em Göteborg é a Volvo que serve como termômetro – quando a Volvo está contratando, a situação está boa; mas se a Volvo está demitindo, o trem está feio. A Volvo demitiu um monte de gente no fim do ano passado e até agora a coisa não mudou; não demitiram mais gente, mas também não estão contratando pessoal. Eu sei que eles até estavam trabalhando em escalas diferenciadas – por exemplo, apenas 4 dias por semana e com os períodos noturnos em recesso, mas atualmente não sei qual é a situação – em abril só pensei na minha casa.

O fim de tudo isso é: gente, eu gostaria muito de ajudar e de poder colocar aqui no blog um link que levaria cada um que está atrás de emprego ao seu emprego dos sonhos. Mas esse link não existe. Desde janeiro eu procuro emprego como assistente social, já mandei currículos mil, recebi alguns feedbacks – muito poucos, mas nem sombra do emprego. Agora estou correndo atrás de um estágio… quem sabe se eu entro como estagiária em algum lugar consigo romper a barreira da “estrangeira com diploma do Brasil” que não sabe nada do Serviço Social europeu. E é verdade, eu não sei nada do Serviço Social europeu, mas venho de um país que está lutando duro contra a fome e a miséria – ainda – e a situação européia atual não está tão distante assim da realidade brasileira. (Eu sempre discuto com o Joel quando ele diz que o Brasil está quase como a Europa porque eu acho que ele não sabe muito do Brasil e não entende que no Brasil existe miséria de verdade. No fim das contas, quem não entende nada SOU EU que não vi ainda – ou melhor vi, mas não caiu a ficha – que é a situação européia que caiu tanto que faz com que o Brasil não esteja realmente longe…). Será que os modelos brasileiros realmente não servem para nada dentro da sociedade européia em crise?*

Em todo o caso é isso que posso aconselhar: tanto quem é português e está querendo mudar para a Suécia como quem é brasileiro e está em busca de um emprego aqui (me refiro aos brasileirxs que já moram aqui e já tem personnummer) é que entrem no site do Arbestförmedlingen (digite o que você procura nesse quadro aí onde se vê “Sök jobb i platsbanken“) porque eles tem um banco enorme de empregos. Brasileiros residentes na Suécia façam cadastro no Arbetsfömedlingen e encham muito o saco de sua pessoa de contato lá dentro, mandem e-mails e liguem dizendo que querem muito um emprego. Eu descobri recentemente que quando somos extremamente chatos e ligamos e ligamos, mandamos e-mails e imploramos eles se mexem. Um pouquinho, mas se mexem. E abram a mente o mais que puderem… comecem com coisas simples porque assim vocês podem conseguir pessoas de referência aqui na Suécia, e na Suécia, Quem Indica é um fator extremamente importante. Não entre nessa de “se eu começar como faxineira eles sempre vão querer me dar emprego na faxina” porque – apesar de ser verdade – quem escolhe o emprego que quer é você e não o Arbetsförmdlingen. Se você quer um emprego como assistente social e começa faxinando pode conseguir um dinheirinho extra só para ser feliz e de quebra consegue uma referência.

A verdade é que só existe uma maneira de conseguir emprego aqui: correndo muito atrás. Está estudando sueco? Fale com um studievägledare no Vuxenutbildning (Komvux) e explique para ele as suas ambições na Suécia, peça dicas de como chegar lá. As melhores dicas sobre emprego eu consegui com a studievägledare da Göteborgs Universitetet, e não via Arbertsförmdelingen. E eu repito: faça alguma coisa para ficar conhecido; uma pratik (estágio) ou trabalho voluntário, arrume outra coisa numa empresa (de preferência de suecos). Assim quando você for bater lá na porta de quem você quer que seja o seu futuro chefe você pode dizer que trabalhou para o Svensson e quando o Eriksson ligar para o Svensson e ele disser que você trabalha bem eles podem pensar mais do que seriamente em te dar uma chance (quem me deu essa dica nem foi o Arbets, tampouco, foi uma brazueca muito sabida!).

Eu sei que ando sumida e que não respondi os últimos coments (shame on me!); não que eu precise dar satisfação é só que eu ando realmente me divertindo com a casa. Espero poder organizar essa bagunça essa semana – me refiro ao blog, e não mais a casa!

Segurem as pontas que eu volto já!

*Não acredito que modelos existam para serem copiados e em sociedade é exatamente como na moda: o modelo 38 comprado numa butique não cabe perfeitamente em todos os “corpos”. É muito melhor quando se tem uma costureira a mão para ajustar o modelo ao corpo. E é nisso que eu acredito, eu sou a “costureira social” que tem experiência com alguns tipos de modelos. Nem sempre alguém que pode costurar bonitas camisas sabe costurar bonitos vestidos, mas nada impede de aprender não é mesmo? Até aprender a fazer os bonitos vestidos eu preciso praticar, mas isso não significa que minha experiência com camisas não me sirva. Afinal, o trench coach é o vestido camisa mais chique do mundo… quem disse que não dá para combinar uma coisa e outra?

Todo dia ela faz tudo sempre igual…

…me sacode as seis horas da manhã,
me sorri um sorriso sensual e me beija com boca de maçã!
 

Eu gostaria muito que essa fosse a melodia da minha vida, ao menos de segunda a sexta – com exceção da parte das seis horas da manhã porque, convenhamos: com frio e chuva tem coisa melhor do que ficar na cama e dormir até cansar de ficar deitado?

Entrei numa rotina meio louca (de novo) porque vamos viajar e três semanas de Brasil significam três semanas sem ganhar dinheiro. Não fiquei mais capitalista depois que mudei e nem to pensando apenas em grana, mas como eu trabalho por hora recebo as férias antecipadas (ou não, eu decidi guardá-las para quando eu quiser sacar a grana, ou seja, para pagar as despesas do casório). Trabalhar por hora significa uma maior flexibilidade – eu posso sair agora sem perder o trampo e sem maiores problemas do que organizar minha agenda de forma que as pessoas com quem eu trabalho não fiquem na mão enquanto eu saio… mas eu não tenho “férias pagas”, aquela coisa que me foi tão natural nos meus 5 anos de prefeitura.

Eu não tenho saudade do meu trabalho na prefeitura, fico feliz pelo tempo que passei lá e por tudo que aprendi, mas trabalhar no governo brasileiro exige um estômago de avestruz, daqueles que digerem qualquer coisa como pedra, sapos, lagartos e merdas metida goela abaixo. E me acreditem, há muito o que ser engolido quando se é assistente social em início de carreira (em qualquer profissão em início de carreira há, eu acredito, mas não posso afirmar com segurança a não ser com relação a minha própria experiência). Mas enfim, sinto falta da rotina: acordar as tals horas e sair para o trabalho, terminar as x horas e voltar para casa tendo o fim de semana livre, isso é definitivamente uma coisinha que me faz pensar…

Por exemplo, na quinta trabalhei 5 horas em um trampo e 4 horas no outro (com intervalo de 3 horas entre cada), trabalhei 8 horas na sexta (isso é bom) mas 10 horas no sábado (começando as sete da manhã, o que significou acordar as 5 porque horário de ônibus e trem no fim de semana é diferenciado), e mais 8 horas no domingo (de novo começando as sete…). Hoje trabalho 4 horas (entre 16 e 20h30), amanhã 9 horas, na quarta seis horas e quinta… aff, cansei de explicar.

Todo esse papo deve fazer (ao menos) com que algumas pessoas tenham dó de mim e pensem puxa que confusão! Tadinha dela não? O blog dela é tão legal e ela é tão esforçada… Outras vão pensar que aff, isso não é nada: eu morava em São Paulo e pegava 6 ônibus diferentes para chegar ao trabalho, trabalhava como um cão o dia todo e tinha que pegar os mesmos 6 ônibus para voltar para casa, ganhando uma ninharia por mês…

Não quero que ninguém tenha dó de mim. Só penso que seja importante (sempre quero frisar isso no blog) que morar fora do Brasil significa ralar também. Ganhamos um bom salário? Sim. O transporte funciona melhor e é mais limpo e tranquilo? Sim. Vivemos com mais segurança? Ao menos em Göteborg, sim. Não sou uma mártir, definitivamente, e quem escolheu trabalhar fui eu, quem me candidatou a esse tipo de trabalho fui eu e é isso que eu faço todos os dias (inclusive sábado e domingo) quando eu não estou na escola ou sorrindo lá de uma linda fotinha tirada de Algero… caracas, isso foi em julho!

Recebo e-mails de gente que me pergunta como conseguir um emprego/trabalho na Suécia e eu não sei o que dizer, mas ter inglês fluente (ao menos) é um bom ponto de partida (afinal…). Preparar um bom CV, assim como você faria no Brasil. O que você faria para ter um bom trabalho no Brasil? Estudaria? Acho natural que as pessoas tenham o sonho de conhecer o mundo, mudar para os países que a gente assiste nas reportagens de tv e que tem uma sociedade tão distinta e interessante. Ganhar mais dinheiro (não há nenhum problema com isso) e viajar mais… mas, pelo menos no Brasil em que eu cresci isso não é assim tão impossível, a questão é aplicar energia no que você quer. Não é impossível conquistar um bom emprego no Brasil e desfrutar do dindim. A principal diferença é que no Brasil aprendemos a emprestar dinheiro primeiro (para a casa, o carro ou uma viagem), trabalhar e pagar depois. Aqui o povo aprende a trabalhar e guardar dinheiro (para a casa, o carro ou a viagem) e aproveitar o bem escolhido depois.

Eu tive que entrar nessa bonitinha também. Eu quero ir para o Brasil, muito bem, então eu tenho que saber quanto custa a passagem e quanto custa morar lá durante o tempo em que ficarei. Tenho que trabalhar, guardar o dindim para passagem, para a estadia no Brasil (mesmo ficando na casa dos pais…) e para o período pós Brasil, quando eu não vou ganhar salário porque eu não trabalhei 3 semanas. Se o meu trabalho é meio louco com horários esquisitos, tenho duas opções: melhorar meu CV para conseguir coisa melhor ou melhorar meu CV para conseguir coisa melhor. Estudar (melhorar o inglês e o sueco), adquirir experiência e boas referências.

Se você que tá lendo o post quer trabalhar na Suécia, na Europa ou simplesmente fora do Brasil, comece fazendo com que seu CV seja atraente. Seja um expert naquilo que você faz… Papo de palestra motivacional? Talvez! Mas sendo ou não a realidade é que esse é o primeiro passo para conseguir um trabalho em qualquer lugar, dentro ou fora do Brasil. E tenha um pé de meia.

Afinal, trabalho aqui é trabalho assim como em qualquer lugar do mundo. E acabou o meu recreio…