Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #14

Esse foi o primeiro fim de semana desse ano em que não trabalhei nem na sexta e nem no sábado. To me sentindo… gripada. Claro que tinha que coroar o feito de alguma forma, mas tá valendo porque não é aquela gripe. Não sei se fico feliz ou triste com isso, afinal, estava prometendo a pelo menos três semanas me pegar – a gripe – e chegou meio assim com preguiça. Tomara que não demore três semanas para ir embora.

Na sexta a noite eu e Joel fomos para o curso de salsa e bachata. Acho que já falei disso por aqui (nem lembro), não é um curso de tal e quantas semanas, é um espaço que tem curso de salsa e bachata ou cha cha cha (como se escreve?) toda sexta feira. O espaço oferece duas turmas – iniciante e médio/avançado. Ontem foi a terceira vez que fomos ao curso e estamos no iniciante.

É, eu sou brasileira com muito orgulho e muito amor, mas não sou boa com dança. Eu sei ser conduzida, se o cara dança muito eu vou bem; mas se o cara não dança eu piso no pé, me atrapalho toda e faço o cidadão querer correr para o outro lado do salão. Quando comecei a ficar com o Joel inventei de ensinar ele a dançar, e deu certo com balada sertaneja, mas agora eu preciso deixar ele me levar e às vezes é complicado lembrar disso.

Todo latino que se preze ri muito as custas dos suecos porque eles tem uma deficiência de gingado que é… quase que um traço típico. Eu não faço muita troça disso, uma vez que nunca fui “a dançarina” baladeira e to bem longe do que “a baiana tem”. Infelizmente, nem por isso foi mais fácil convencer o Joel de que não é assim tão difícil, e que não, não é feio quando ele dança: ele não quer definitivamente sair do iniciante, apesar de nós dois sabermos dos passos de cor. Sem problemas afinal, as aulas de salsa e bachata são muito legais; sem falar que a maioria dos suecos que conheço amarelam e nem passam perto de um salão, o que significa que o Joel fazer o curso já é uma conquista e tanto.

Eu nunca havia ouvido falar de bachata antes do dia em que encontramos esse curso estilo drop-in na internet. Bachata é uma dança latina oriunda da República Dominicana, tão sensual quanto simples. Mas é gostosa, parece que gruda na pele. Agora ando até mesmo selecionando bachatas no spotify só por causa do ritmo – as letras são tão cheia de dramas como só um amor latino poderia ser… – estou mesmo muito mais entusiasmada pela bachata do que pela salsa.

PS.: Eu não ia deixar nenhum vídeo de bachata aqui porque a maioria deles é com um casal super-hiper-maxi pró, o melhor casal na categoria (no mundo) atualmente. Mas a senhorite Danieli que é leitora assídua do blog me mandou o link, então como expliquei para ela resolvi deixar para todo mundo aqui uma breve descrição: o que eles fazem até o fim do primeiro minuto de dança é utilizar os passos básicos com um requebrado a mais da morena aqui e um giro mais incrementado ali… o resto da coreografia já é super avançado e eu nem imagino quantos anos de treino são necessários para chegar nesse nível. Hahahaha – sorry, eu não resisti! Por fim, essa é a bachata dominicana, no curso no qual estamos aprendemos a versão moderna que, além de outras coisas, é um pouco menos apimentada. Mais uma coisa: saiu até reportagem no  jornal dizendo que a bachata “pegou Göteborg”! Com certeza me pegou também!

Semana que vem tem mais…

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1! 2! Feijão com arroz!

Comecei uma coisa nova essa semana: academia. Eu nem tava afim, eu sou meio pão dura e não queria de forma alguma começar – partindo do princípio que eu não to ajudando com as finanças da casa, não acho muito certo gastar com supérfluo. Mas o Joel insistiu tanto! E no fim, foi só eu tentar uma aula para mudar de opinião e perceber que não é tão supérfluo como eu imaginava.

Eu sempre fui preguiçosa, mas nem sempre fui sedentária e tive alguns períodos de febre por academia. Já a questão de esportes coletivos… bem isso nunca foi meu forte. Tentei karatê por dois meses no Brasil, mas eu não tava tão afim assim e por isso comprar kimono (ou quimono?), fazer inscrição em associação, participar de lutas e torneios não foram coisas que me seduziram; ao contrário, me desestimularam.

Quando eu mudei para cá, comecei a fazer kickboxing. Fiz três aulas, aí tive beltross, parei. Kickboxing é muito legal e eu quero continuar quando eles retornarem das férias. Não é tanto pela luta, e sim pelo treino: ao final você está quase morto. Pensa que pular corda é fácil? Além disso, o treinador é latino, Pablo, uma pessoa muito forte mas muito querida para comigo, assim como a sua mulher – a Ingvild que também pratica. São velhos conhecidos do Joel que me acolheram de braços abertos; aí estou entre amigos.

Queria experimentar coisas diferentes, afinal “to pagaaaannnooo!” e o primeiro dia fui tentar Dance Fusion. Fiquei um pouco frustrada quando cheguei na sala e só havia mais três pessoas – sendo uma a professora. Mas a segunda música, para meu espanto foi a “Dança da Mãozinha”, seguida da “Dança da Manivela”! E a treinadora era boa, sabia rebolar – coisa que é um tanto difícil de ver por aqui. Depois teve mais samba, salsa e manbo, e até o Kuduro e a Magalena Rojão estavam na lista. Voltei para casa felizona! Devia ter começado antes!

Ontem tentei Zumba Dance, e é… a mesma coisa! Com a diferença de uma sala lotada com uma mulherada meio doida obviamente de origem latina se acotevelando e que o treinador era um homem (será por isso da sala lotada?). Teve salsa, samba, merengue e mambo e até um tanto de… sei lá, mas eu arriscaria dizer que é uma coisa meio árabe, parecido com o que vi quando os kurdos se apresentaram no Carnaval.

Duas coisas: primeiro, eu fico um tanto quanto decepcionada quando os suecos tocam música para dançar. Se você tiver sorte rola um hip hop, senão a coisa fica em torno de clássicos dos anos 80 e 90 que eles  adoram – sabe aquele estilo Quen que os músicos de uma banda de repente tiram da manga no meio do baile só para tirar onda? Pois é… isso sempre marcava o momento que todo mundo saía para tomar um ar – pegar – com alguém. Aqui é o hit da festa. Segundo: suecos dançando parecem que não estão se divertindo muito, é uma coisa no meio entre constrangido e “é que eu não sei dançar”. Que saudade dos bailão por aí, com a Lu gritando “tchê tchê tchê”  ou com a Rô falando alto e fazendo algazarra, todo mundo meio bêbado pedindo para o “Nerso” dançar a Dança da bicicletinha… e ele dançava!

A “Dança da Mãozinha” e a “Dança da Manivela” já passaram no Brasil há tempos… até a Dança da Bicicletinha é do ano passado… mas tem uma coisa que não passa não, que é aquela energia gostosa que tem na música brasileira, aquela coisa contagiante que mesmo quando a letra é uma merda, fazer o quê? gruda na cabeça e a gente sai dançando que é para deixar essa vida bem mais leve!

É uma pena ver as suecas dançando de cara fechada, sem sorrir, e dá uma vontade de interagir com o treinador! Tá lá ele motivando, dançando e fazendo huruu!! e todo mundo… quieto! Eu fico imaginando que cara eles iriam fazer se eu começasse a cantar e gritar hurru no meio da aula! Eu lembro da Lu (que é educadora física) dizendo que tinha uma turma difícil em Palotina que não interagia, não sorria, nem gritava, nem gemia… que graça!

Essa muvuca toda mexeu um monte comigo e eu percebi que tenho uma saudade imensa do Brasil, do povo brasileiro, de calor entre as pessoas e de alegria! Coisas que a gente tem todo dia, igual feijão com arroz… É o cúmulo mudar para o outro lado do mundo e ainda achar graça em participar de coisas que eu sempre pude fazer no Brasil?

Feijão com arroz, gente, pode ser simples e barato. Mas é a coisa melhor que tem no mundo!