Emagrecer é preciso #02

To super desanimada. Sim: isso significa que meu programa de exercícios já foi por água abaixo. Na verdade, o mundo não acabou, nada está perdido para sempre, mas desde a quarta-feira da semana passada não levantei mais nem um pesinho, não fui mais caminhar, não treinei mais flexões, nem os polichinelos!

Cheguei a conclusão de que estou com um sério problema de baixa estima. Nunca na minha vida me incomodei tanto com meu “excesso de peso”, e eu realmente entrei no pique e trabalhei firme e forte. Mas eu não consegui descobrir se é uma desculpa ou se é realmente um agravante a questão dos meus horários de trabalho. Com o Zé eu tenho uma agenda fixa, trabalho todo dia assim e dia assado toda a semana. Já com o Zezinho (o menino autista) eu sou substituta, aí acontece por exemplo coisas meio loucas como esse fim de semana (ou desde quinta-feira) quando uma moça adoeceu e eu cai dentro da agenda. Resultado: trabalhei quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, hoje e vou trabalhar todos os dias dessa semana até o domingo.

A verdade é que os patrões me ligam e perguntam se eu quero trabalhar e que eu tenho liberdade para dizer não – por ser apenas substituta – eu tenho outra coisa para fazer. O problema é que quando ninguém está doente eu trabalho só dois dias por semana… então é melhor dizer “sim, eu estou disponível!” do que esperar até que o próximo assistente fique doente! Daí eu estrago minha rotina…

Me sinto exausta porque se eu passo 8 horas no trabalho isso significam 10 horas fora de casa. Nessas dez horas eu posso estar em super atividade ou quase que dormindo. Explico: se eu tô com o Zé e ele tá na cidade podemos estar para lá e para cá olhando coisas em lojas; se eu to com o Zezinho e ele está disposto estou brincando o tempo inteiro. Mas às vezes o Zé quer só assistir um filme, e eu vou sentar ao lado dele (mesmo que eu tenha assistido ao mesmo filme 20 vezes), ou às vezes o Zezinho vai querer só que eu leia um livro (lembro de uma noite que passei uma hora e meia lendo para ele duas histórias diferentes e ao fim ele sempre pedia para que eu repetisse… só parei porque meu turno acabou!). Sem contar toda a questão do esforço físico: vestir, despir, corrigir a postura, mudar de posição uma pessoa adulta é pesado pacas… quero qualquer coisa que esteja incluída dentro da opção descansar quando meu turno acaba. E isso não incluem exercícios físicos.

Eu tenho tentado me alimentar melhor e por isso tenho sempre frutas na bolsa. Infelizmente eu não sei explicar mas tenho uma carência louca por coisas salgadas (alguém aí já viu fruta salgada? me conte o nome), e daí posso comer o que quiser doce que ainda chegarei em casa louca por um prato de macarrão com molho de tomate. Sorte que na minha lista de prioridades estão também um banho quente e a minha cama. Por preguiça não faço o tal macarrão, como qualquer coisa (salgada) e vou para internet/banho/cama.

E como mal. Pensando no tal prato de macarrão que eu teria de cozinhar em casa nesses dias eu sempre como porcaria. E por porcaria leia-se Mac Donalds. Obviamente esse foi um costume que adquiri aqui na Suécia pois na minha cidade no Brasil não tinha nenhum Mac Donalds. E mesmo que a gente comesse x salada ao menos uma vez por semana acho que não era tão gorduroso e tão junk como ir a esses restaurantes fast food. Mas depois de comer duas ou três variedades de frutas e ainda sentir o estômago vazio lá estou eu parada a espera do próximo trem que chega em 10 minutos pensando: quanto tempo demora para entrar na fila do Mac Donalds e pedir um Mac Feast? Voltei a tomar coca-cola… até quando compro um kebab peço uma coca-cola para acompanhar.

Alguém vai dizer que eu posso acordar mais cedo para me exercitar. Desculpe alguém, mas eu sou boa de cama e eu preciso desfrutar de ao menos 8 horas bem dormidas de sono. Ou isso ou sou uma lesada no dia seguinte – além de ficar de mau humor. Não é legal trabalhar com pessoas mal humorada.

Ainda bem que tenho aquelas semanas em que trabalho apenas dois dias. Então faço exercícios e cuido melhor de mim mesma. Pior que assim fica difícil ver algum resultado.

E eu definitivamente não to feliz com meu corpo.

Emagrecer é preciso!

Levanta o dedo quem engordou depois de mudar do Brasil para cá (ou para outro canto do mundo)… ahá, sabia que eu não tava sozinha nessa!!! Hahahaha…

Às vezes eu penso que isso faz parte do processo e adaptação e é impossível fugir a regra – tomara que seja isso mesmo, senão vou ter que admitir que sou preguiçosa demais e nunca me exercito… Bom, assinei com uma das melhores academias de Gotemburgo por um ano – paguei mensalmente o valor X – não cheguei a aproveitar o investimento. Tenho que confessar que depois de abril as minhas visitas a academia passaram de duas por semana para uma, e depois uma de vez em quando até que em junho eu já não dei mais as caras por lá mesmo…

Mas, com relação a questão do aumento de peso estar relacionado a mudança não é apenas desculpa. Quando mudamos de país geralmente nos deparamos com duas situações: ou amamos a comida local e nos deleitamos, ou odiamos e comemos só porcaria… E mulher, bem, nós mulheres temos o fator hormonal que contribui para que gorduras e doces sejam adoravelmente apetitosos quando nos sentimos um cadinho deprimidas. O período de adaptação é cheio de altos e baixos, marcado por muita saudade, tristeza bate mesmo, sentimento de solidão e tals… nada mais fácil do que preencher o vazio com a imensa variedade de godis suecos, ou chocolate, ou sorvete (o clássico!), ou… bom, opção é o que não falta não é?

Esses dias quando escrevi sobre as vitaminas a Joana do blog Boneca de Neve me deu a luz: ela compartilhou nos coments que se exercita em casa. Eu nunca tinha pensando nisso, sério! Então, primeiro, obrigada Joana; e segundo, acabaram minhas desculpas para fazer a mala da academia, que não vai dar tempo de chegar para a aula (na verdade, a presença precisa ser confirmada 30 minutos antes da aula começar, no local), que o spårvagn tá de férias (mais uma semana) e que tomar o ônibus demora o dobro do tempo; que eu não aguento o papo do vestiário a mulherada falando da bunda incrível do professor (que nem é incrível, que fique bem claro)… Comprei uma revista de fitness (em sueco – malhar aqui também está dentro da onda do faça você mesmo), andei lendo as páginas da Women’s Health e da Boa Forma na internet e tals, peguei um treino de 15 minutos (que eu demoro 40 pra completar – com aquecimento e alongamento – no mínimo) e to fazendo em casa.

Quero deixar bem claro que não concordo que instrutor de exercício físico seja dispensável – nem poderia, minha irmã mais velha é formada em Educação Física, ia me pegar pelas orelhas se escrevo uma coisa dessas aqui no blog. Ah, e a Lu também! – ainda que na Suécia você não precise de formação acadêmica para ser personal trainer e instrutor de dança e etc e tals em uma academia. Respeito muito o profissional de educação física e deixo bem claro que eu não montei a minha sequência de exercícios – não tenho conhecimento para isso, escolhi coisinhas simples daquelas séries de revista (fique linda em 60 dias – eu sei que não funciona assim) só para me mexer e estou trabalhando com um pouco de peso, sempre em frente ao espelho para corrigir postura, bem devagar, respeitando meu tempo; afinal, é bom ter consciência de que estou há um bom tempo “parada”.

Já vejo os primeiros resultados: to mais animada, com mais disposição até para malhar de verdade (quem sabe volto para academia), quem sabe correr – hãããã… não, acho que correr não rola. Ainda tô na fase de ter muita dor pós exercício – eu sou fraquinha povo, não tenho condicionamento para 1 minuto de polichinelos! – mas o melhor de tudo é que agora vão se completar duas semanas que eu to nessa e to seguindo bonitinho o programa. To bem feliz=D.

Como eu já comentei por aqui que sou muito indisciplinada para seguir as coisas por conta própria decidi compartilhar a experiência aqui no blog;  primeiro porque manter um diário ou o quê ajuda e segundo porque em final de outubro quero postar quais foram os resultados do meu programa fique linda em 60 dias (vão ter se passado um pouco mais de 60 dias, mas…).

Meu objetivo principal com o programa é melhorar o condicionamento físico. Tá, sério agora: quero perder a gordura abdominal, a pochete. Devo confessar que assistir ao abdômen sarado das jogadoras de vôlei de praia Larissa e Juliana durante os jogos em Londres me inspirou muito, mas isso não é trabalho para 60 dias, isso é coisa para vida toda. Eu posso ter um abdômen assim (às vezes eu quero realmente) mas isso é trabalho pesado e contínuo, que não vai aparecer em dois tempos – a menos que alguém saiba onde é que foi parar a lâmpada mágica do Aladin. Talvez ela esteja com a Larissa e a Juliana?

Tirei minhas medidas, anotei em um caderninho. Estou pesando 56kg, tenho 1,59m; não me considero gorda, mas a pochete realmente incomoda. Voltar aos 54kg não seria mal… mas não entrei em nenhuma daquelas dietas loucas de revista, não aguentaria viver a base de iogurte e de amêndoas. Eu me alimento bem, mas faço isso errado: comia duas vezes por dia até quase estourar. Já mudei os hábitos alimentares, como mais frutas, não repito 3 vezes a porção – e eu sei o quanto é difícil quando tenho uma bela macarronada diante de mim; tomo um café da manhã decente, bebo muito mais água…

Enfim, vou atualizando o status do meu desafio de tempos em tempos. Quero comprar umas aulas de zumba para ter mais exercícios aeróbicos, e por enquanto vou fazendo a sequência que escolhi (é essa aqui – não por acaso) dia sim, dia não.

E agora, é hora do “pega”.