Verbos pra que te quero! Parte II

No primeiro post falei um pouquinho sobre o infinitivo e presente, e agora vamos falar sobre os verbos no futuro e aquilo que são os “hjälpverb”, que eu não consegui adequar a alguma classe da gramática portuguesa. Se alguém diplomada em letras (Anelise!) está lendo o post, pode deixar um coments para explicar a classe gramatical – =P.

Os verbos suecos no modo presente podem ser utilizados para indicar um futuro (framtid) bem próximo como o que vai acontecer a noite ou no fim de semana, por exemplo: Kommer du hit i kväll? Nej, jag reser till Malmö med tåget imorgon. Jag ringer dig nästa vecka. Apesar de todos os verbos estarem no tempo presente – kommer, reser, ringer [chego, viajo, ligo]; é possível entender que essas são coisas que vão acontecer por causa das palavras à noite (i kväll), amanhã (imorgon) e semana que vem (nästa vecka). Sendo assim, você pode construir frases para o tempo futuro (não mais distante do que a próxima semana) utilizando verbos do presente mais palavras indicativas de um futuro próximo, como as do exemplo acima.

Para indicar um futuro longíquo e/ou aquilo que está sendo planejado/decidido, a forma da frase será o ska+verbo no infinitivo, sem o uso do att. Exemplo: Vad ska vi göra i juli (o que vamos fazer em julho)? Vi ska till stranden (vamos para a praia)! A Helena me disse várias vezes que o SKA só deve ser utilizado quando você tem certeza que aquela coisa é o que você quer e que você decidiu fazer, porque pronunciar um jag ska… (eu vou…) para um sueco é semelhante a uma promessa. Para indicar o futuro das coisas que não se tem certeza usa-se o kommer att+verbo no infinitivo, exemplo: Maria kommer att få jobb om hon pratar bra svenska (A Maria vai conseguir um trabalho se ela fala bom sueco). Nem é bom meu sueco e eu trabalho!

Existem coisas que podem acontecer no futuro que não dependem da nossa decisão e que não podemos mesmo exercer controle, como por exemplo chover. Sabe aquela velha será que chove? E é sempcre bom aprender sobre o tempo porque os suecos adoram falar sobre isso. Para essas coisas você usa blir, que é uma espécie de verbo para o ser ou estar. Então: Det blir regn i kväll (vai chover à noite). Det blir kallt nästa vecka (vai estar frio semana que vem). Ou para uma pergunta do tipo será que vai ter festa fim de semana? Blir det någon fest på helgen?

Por fim, o hjälpverb  ou aqueles verbos que aparecem em uma frase para complementar o sentido da afirmação, negação ou interrogação, como kan, måste, ska, vill, bör, brukar (posso, devo, vou, quero, deveria, costumo); e outros que não costumam ser hjälpverb mas que aparecem vez ou outra em uma frase com esse papel como tänker, får, behöver, börjar, slutar, försoker (penso, posso – me é permitido, preciso, começo, termino, tento). Acredite, você vai utilizar muito! E a fórmula é hjälpverb+infinitivo. Exemplos:

Jag behöver lära mig svenska.
Jag kan tala portugisiska.
Jag måste läsa till provet imorgon.
Vi börjar jobba klockan nio varje dag.
Vi brukar  på bio på helgen.
Hon tänker resa till Italien.
De ska vara hemma i kväll.
 

Procure lembrar sempre de colocar o verbo prinicipal no infinitivo quando usa um hjälpverb na frase, porque do contrário a pronúncia e construção da frase fica totalmente errada, é só comparar em português como seria: Jag kan forstår svenska – eu posso entendo sueco, está errado e soa mal.

Mais importante do que falar muito, é falar bonito. Coisas de Suécia!

Verbos pra que te quero! Parte I

Voltei para o SFI hoje, e a primeira impressão é de: fuja garota! Corraaa!!!!!! Minha professora Maria foi para a Gambia (ou algum país da África) participar de um projeto de pesquisa e o novo professor fala mais inglês do que sueco. Fiquei frustrada, mas ainda não perdi a esperança já que tudo começa para valer apenas na segunda, se Deus quiser!

Mesmo que a Gunnel acabou por me dar férias forçadas – não sem antes me emprestar um ótimo livro – aprendi algumas coisas sobre verbos. Os verbos são uma coisa maravilhosa na língua sueca, é a parte que eu mais gosto, e a mais descomplicada. Nem por isso é pouca coisa para aprender, por isso vou escrever apenas sobre o infinitivo e o presente.

O infinitivo – verbo sem nenhuma conjugação – ou verbo base é bem tranquilo e parecido com a gramática do português. Exemplo: quando eu digo eu sou, estou conjugando o verbo ser no tempo presente. É a mesma coisa no sueco, sendo que o verbo no infinitivo normalmente terminam em ‘a’ (a grande maioria deles) e pode estar acompanhado de att.  Exemplos:

→ att vara – att prata – att ha – att vilja – att åka (ser/estar, falar, ter, querer, ir – de ônibus ou trem ou carro ou moto).
→ att hoppas, att bli, att finnas, att dö, att gå (esperar – de esperança, ser/estar, existir, morrer, ir – a pé). 

Já o verbo no tempo presente é terminado em r ou s, dai que sabendo o verbo no infinitivo não é muito complicado acertar o verbo no presente. O verbo do presente terminados em r são a maioria, e essa terminação pode significar um ar, er ou simplesmente r. Exemplo:

→ final ar: att titta, att jobba, att prata – tittar, jobbar, pratar (assistir, trabalhar, falar – assisto, trabalho, falo).
→ final er: att komma, att ringa, att läsa – kommer, ringer, läser (chegar, ligar, ler – chego, ligo, leio).
→ final r: att gå, att ha, att förstå – går, har, forstår (ir, ter, entender – vou, tenho, entendo).
 
 

É claro que os verbos no presente ficam mais claros quando conjugados, e penso que conjugar os verbos suecos é muito simples pois eles não mudam de pessoa para pessoa. As “pessoas” da gramática sueca são eu, nós, ela, ele, eles/elas, você, vocês: jag, vi, hon, han, de/dem, du, ni. Uma pequena observação: você escreve de ou dem para eles/elas, mas a pronúncia é dom. Hummm e não tem nenhuma relação de gênero do tipo de é para eles e dem é para elas, ok? De significa eles ou elas, e o mesmo dem. Então lá vão exemplos com att förstå (entender) no tempo presente:

Jag förstår (eu entendo). 
Vi förstår (nós entendemos).
Hon förstår (ela entende).
Han förstår (ele entende).
De förstår (eles/elas entendem).
Du förstår (você entende).
Ni förstår (vocês entendem).
 

O sueco não tem ando, endo, indo;  de trabalhando, comendo, dormindo; por exemplo. Se alguém te pergunta: vad gör du (o que você tá fazendo)? A resposta é  somente eu “isso”: jag jobbar, jag äter, jag sover (eu trabalho, eu como, eu durmo), por exemplo. Em português a gente está acostumado a dizer o “eu estou trabalhando” e você pode fazer a tradução das frases dessa forma,  mas em sueco o verbo ser/estar (att vara) não serve para indicar um presente contínuo e sim para expressar estado de espírito como por exemplo eu sou feliz (jag är glad), ou sensações como frio, calor (jag är kalt, jag är varm); se está doente ( jag är sjuk)… então não use nunca, jamais  use para o “eu estou [ação]”.

E apenas como introdução – porque eu já estou escrevendo um post sobre como se constroem frases em sueco – o sueco é escrito ao contrário do português nas negativas. Então quando você quer indicar que você não faz determinada coisa, o verbo vem antes do não exato como em inglês: jag pratar inte svenska (eu não falo sueco), por exemplo.

A título de curiosidade, gostar em sueco é att gilla, mas não é utilizado para fazer perguntas do tipo você gosta de música? Ao invés disso você usa att tycka: tycker du om musik? Ja, det tycker om jag. E o pulo do gato é que att tycka é na verdade pensar, e por isso você precisa usar o om (que pode ser traduzido como se ou sobre), senão o verbo indica o que você pensa: jag tycker att [eu penso que]ou jag tror att [eu acho que]… Enfim, att tycka é para certezas e opiniões, e att tro é para achismos. Só relembrando, não esqueça do om para saber dos gostos suecos!

Tycker du om lära sig svenska?

* Um abraço especial a Helena Ingelsson que me ajudou a escrever o post! Tack så mycket Helena!

Família! Familj!

O Joel tem uma tia fantástica que me ajuda estudar sueco uma vez por semana ou menos, mas quando eu me encontro com ela aprendo uma série de coisas importantes, principalmente no que se refere a gramática do sueco, comportamento sueco, pronúncia (utal) e macetinhos!

Hoje eu estava lembrando a nossa primeira aula quando a Gunnel – nome tipicamente sueco – me falou sobre família sueca. Para mim família é formada por diversos núcleos: os meus pais e prole, os pais dos meus pais e prole, a prole da prole dos pais dos meus pais, assim como a prole dos meus irmãos e em alguns casos também os tios avós e segundos/terceiros primos; e quem tem sorte, pode contar os bisavós e além. Minha família tem 44 pessoas.

Na Suécia, família é só um núcleo: pai, mãe e filhos; ou pai e filhos; mãe e filhos; só o casal; bla bla bla… percebe? Os avós podem ou não estar inclusos na família, mas os tios, tias, primos e primas não são considerados na “minha família”: são os parentes e/ou “outra família”, e muitas pessoas nem chamam os tios ou tias de, apenas pelo nome. É claro que os laços de sangue contam, mas a questão não tem a importância a que eu estou acostumada. Obviamente, existem exceções – a família do meu namorado por exemplo, todo mundo conta – são 10 ao todo: os pais do Joel, suas irmãs, sua tia, seus tios, os avós.

Mesmo que não esteja muito na moda usar essas denominações, é interessante saber, mesmo porque é bem engraçado como os suecos separam quem é parente por meio da mãe de quem é parente por meio do pai. Além disso, outro dia eu conversei com uma moça que disse: ah, é tão confuso essa coisa de tio e tia em sueco,  você não acha? No começo, precisa pensar um pouco para organizar tudo, mas sabendo algumas palavras é simples.

Do princípio: pai em sueco é far e mãe é mor. Tendo isso em conta, você pensa nos avós como o pai da mãe e a mãe da mãe: morfar och mormor; o pai do pai e a mãe do pai: farfar och farmor. Nessa lógica, os tios e tias são os irmãos da mãe e as irmãs da mãe: morbror och moster; os irmãos do pai e as irmãs do pai: farbror och faster. Ou seja: você não trata os parentes não consanguíneos por tio ou tia.

Irmãos se diz syskon, irmão bror e irmã syster. Por exemplo: Jag har tre syskon, två systrar och en bror (eu tenho três irmãos, duas irmãs e um irmão). Eu já falei sobre isso em outro post, mas eu vou lembrar aqui que quando você se refere ao irmão mais velho em sueco usa o adjetivo grande, e ao irmão mais novo o adjetivo pequeno. Seria assim: eu tenho um grande irmão/ uma grande irmã – jag har en store bror/stora syster; eu tenho um pequeno irmão/ pequena irmã – jag har en lille bror/lilla syster.

Os primos são só e simplesmente kusiner (um primo/a=kusin), e todos os sobrinhos são syskonbarn. Mas se é um filho da minha irmã eu posso dizer systerson, ou se for uma filha systerdotter; se for um filho do meu irmão brorson,  ou se for uma filha brordotter. Como neto é o filho do filho é barnbarn.

Cunhado e cunhada só contam se forem casados. Sambo (quando mora junto) é o namorado ou namorada do irmão/irmã. Mesma coisa para nora e genro. Sendo assim eu deixo passar, porque é bem mais simples tratar dessa forma (namorado/a tals) do que guardar um nome que eu não ouvi ninguém mencionar – fora da Gunnel.

Além disso, como meu cunhado sempre diz: “Se cunhado fosse coisa boa, não começava com…” De vez em quando pode ser, mas Bah e Marcelo, saudades d’ocês!!!

Eu fiz uma árvore da família - ficou assim assim mas tem tudo...

Metal contra as nuvens

Quase três meses de Suécia e continuo na minha batalha com o sueco. Felizmente posso conversar um bocadinho, mas ainda falo muito lento, tenho que pensar muito e usar o inglês para me salvar volta e meia-sempre.

Sem SFI, arrumei um professor particular incrível, o sonho de qualquer estudante: Joel. Ele fala português e eu sueco. HahahAhHAha! É isso mesmo que vocês imaginam: nossas conversas tem muito “conteúdo”. Brincadeiras a parte, quando o Joel começou a aprender português ajudei com algumas coisas, agora trocamos os papéis: ele me explica o sueco; ele fala, eu escuto. Ele comentou que devia ter começado com essa tática há mais tempo… aludindo a piada mais velha do mundo de que as mulheres falam sem parar. Infâmia!

Andei treinando algumas expressões e nas minhas pequenas incursões falando sueco senti bastante insegurança em relação aos adjetivos (palavra que caracteriza um substantivo atribuindo-lhe qualidade ou característica, estado ou modo de ser). É importante lembrar que os adjetivos também sofrem influência com relação a en e ett e mudam quando o substantivo é esse ou aquele. Por isso você vai se deparar com röd e rött por exemplo, e os dois significam vermelho.

Por regra, os adjetivos sempre estão à frente do substantivo, e no plural são terminados em a, por exemplo: casa vermelha/flor vermelha = rött hus/röd blomma; casas vermelhas/flores vermelhas = roda hus/blommor. É, o plural de casas é igual ao seu singular. Alguns adjetivos são parecidos com o substantivo, como no português em que florido vem de flores e listrado vem de listras: blomig[t] (blomma) e randig[t] (rand), respectivamente. Sabendo o substantivo você mata a charada.

Em relação aos comparativos o sueco tem aquele sistema como do inglês para definir quando uma coisa é mais e “o mais”, aquele lance do jovem=young, mais jovem=younger; e o mais jovem (de todos)=youngst. Esse foi um exemplo em inglês, mas lá vai uma listinha com os principais para compartilhar:

→ Grande: stor, större, störst.
→ Pequeno: liten, mindre, minst.
→ Alto: hög, högre, högst (para prédios, montanhas e etc).
→ Baixo: låg, lägre, lägst (idem).
→ Alto: lång, längre, längst (para pessoas).
→ Baixo: kort, kortare, kortast (idem).
→ Longe: långt bort, längre bort, längst bort (distância).
→ Perto: nära, närmare, närmast.
→ Caro: dyr, dyrare, dyrast.
→ Barato: billig, billigare, billigast.
→ Magro: smal, smalare, smalast.
→ Gordo: tjock, tjockare, tjockast.
→ Pesado: tung, tyngre, tyngst.
→ Leve ou fácil: lätt, lättare, lättast.
→ Difícil: svår, svårare, svårast.
→ Velho: gammal, äldre, äldst.
→ Jovem: ung, yngre, yngst.
→ Frio: kall, kallare, kallast.
→ Quente: Varm, varmare, varmast.
 

Dá para entender como a listinha funciona? Descontando a definição em português, a primeira palavra (em sueco) é o adjetivo normal, a segunda é mais do que o normal e a terceira é o mais+mais-mega-master-ultra-plus. Usando o adjetivo svår[t] vou deixar umas frases para ficar bem claro como é. Às vezes as pessoas me perguntam: como é com o sueco? Respostas: é difícil = det är svårt; é mais difícil do que inglês = det är svårare än engelska; é o idioma mais difícil do mundo! = det är det svåraste språket i världen!

Porque o e em svåraste? Porque todos os adjetivos da listinha estão na forma indefenida. A questão do que é definido e indefinido é muito importante no idioma sueco e no caso dos adjetivos os indefinidos mudam a forma conforme en ord/ett ord no singular; já o definido no singular é igual ao adjetivo no plural, com a no fim. Mas isso é somente com relação as palavras da primeira coluna na listinha – stor, liten, hög, nära, ung, kall… A boa notícia: a coluna dois na listinha é assim tanto quando o adjetivo é indefinido como definido. Mas a terceira, quando é definido pode terminar em a ou e.

Enfim, adjetivos no comparativo são ainda irregulares ou regulares. Regulares seguem a regra: adj – adj+re – adj+st, como o caso de svår[t]:

→ svara (adj definido);
→ svarare (adj definido+re);
→ svarast (adj definido+st).
 

Os irregulares também são seguidos de re -st, mas a palavra muda, exemplo:

 unga (adj defnido);
 yngre (irregular+re);
 yngst (irregular+st).
 
 
Um detalhe interessante é que no inglês dizemos para irmão mais velho older brother/sister; e para irmão mais novo younger brother/sister. No sueco se diz para o irmão mais velho grande irmão e para o irmão mais novo pequeno irmão: store bror/stora systerlille bror/lilla syster, respectivamente. De novo, porque o e? Porque a regra geral do sueco é que tudo é feito de exceções…
 
Quem acha confuso grita: aaaahhhhhhhhhh!!!
 

É ruim? É. Mas eu penso que é mais assustador no início mesmo… aposto que quem mora aqui faz tempo e domina a língua se ler isso morre de rir. Eu, que nem estou aqui a tanto tempo assim já aprendi a relaxar com en e ett, adjetivo é mole!

O duro é eu ainda ter um mês de férias…

Supercalifragilisticexpialidocious

Quem lembra de Mary Poppins? Eu não tenho ideia de quantas vezes assisti o filme… e é claro que sempre havia discussão para saber quem realmente sabia falar Supercalifragilisticexpialidocious. A palavra não tem uma definição (você encontra alguma coisa no Wikipédia, mas pra que?) e é usada no filme quando alguém tem sentimentos que não podem ser expressados por meio de palavras comuns.

Alguma palavras em sueco são tão compridas que – eu juro! – me lembram Supercalifragilisticexpialidocious. A primeira vez que eu vi Kungsportsplatasen, por exemplo, pensei justamente nisso. E parecia impossível falar! São realmente palavrões, com a diferença de que é difícil pacas de pronunciar!

Normalmente esses palavrões suecos são o resultado da junção de um monte de palavras. Kungsportsplatsen não é nada mais do que kung+sport+plats (rei+esportes+lugar). Tudo bem que esse é o nome de um lugar e normalmente nomes são só nomes, mas há uma leva de palavras assim que muitas vezes não tem definição no dicionário.

Se isso acontece, tente separar a palavra em palavras menores. Por exemplo, [ett] fritidsintresse: fri+tid+intresse= interesse do tempo livre, ou simplesmente hobbie; [en] ögonläkare: ögon+läkare= médico dos olhos, oftalmologista.

Essas palavras recebem a definição de en ord ou ett ord de acordo com a úlitma palavra que forma o palavrão. O caso de fritidsintresse: fri  é um adjetivo e tem a defeinição dada pelo substantivo que acompanha; mas tid é en ord e intresse é ett ord.  Sendo a última palavra ett ord, toda a composição é ett ord.

Apesar de as palavras serem escritas juntas, grudadas, a pronúncia deve ser como se as palavras fossem independentes. É obvio que não se pronuncia cada qual lentamente, mas se você emenda as palavras na pronúncia, nenhum sueco vai entender o que você quer dizer. Nada de comer letrinhas (a não ser aquelas que já é comum comer mesmo).

Um dos primeiros palavrões que aprendi foi födelsedagen,  que junto com Grattis (com dois t’s, senão é gratuito) significa feliz aniversário. Födas é o verbo sueco para nascer, e födelse siginica nascimento. Eu morria de rir toda vez que precisava dizer “Grattis på Födelsedagen”, uma vez que você diz o l tão rápido que parece foda-se mesmo um palavrão.

Nem todo mundo que lê o blog tem interesse em aprender sueco. Então isso é pras vocês: EU SEI dizer Supercalifragilisticexpialidocious!

Isto é confuso…

 Passei uma semana sem escrever no blog, porque eu tenho problemas com o Word Press. Constantemente ele muda sozinho as configurações e eu perco o maior tempo arrumando tudo: cada vez que vou escrever um post preciso autorizar os comentários, a conexão com Facebook, e até refazer o visual do blog!

Bem, para não parecer que eu sou tão boba assim com coisas de internet, volto para o sueco – no qual eu ainda estou bem boba. Minha palavra preferida é VAD (= o que) que eu uso com um grande ponto de interrogação na esperança de que a segunda tentativa de entender seja mais bem sucedida que a primeira. Normalmente a pessoa ri e repete um pouco mais devagar… mas eu não aconselho a tentar isto com pessoas mais velhas. Porque – de novo – o sueco (idioma) falado da forma correta é uma coisa imensamente importante. Então você deve usar o “Forlåt! Skulle du kunna upprepa det långsammare?” (Desculpe! Será que você pode repetir isto devagar?). É, a vida é dura…

No vácuo de en e  ett, o sueco tem o den e det; eles funcionam quase como este/esta; esse/essa. Você vai utilizar para uma referência ao substantivo, então en ord utiliza den, e ett ord utiliza det. Den e det também aparecem como denna e detta, como no caso de essa semana – denna vecka, por exemplo; mas comunente servem mais para aquilo/aquele/aquela.

Isso parece imensamente confuso porque é imensamente confuso. Os próprios suecos só sabem isso porque repetiram a vida inteira, e se você pergunta, por exemplo, mas por que?; vai receber um sorriso e porque é. Mas, eu tenho uns exemplos de um site sobre sueco (para ver, e não para entender):

Jag vill kopa bilen röda den(Eu quero comprar um carro vermelho.)

Vi bor i det huset röda. (Nós vivemos na casa vermelha).

Den e det não são utilizados quando o substantivo está no plural. Nesse caso, é utilizado de (que se lê dom): De röda bilen (os carros vermelhos). De significa também eles, elas (ele=han, ela=hon, eles/elas=de).

Em muitas frases você vai ver o DET como it, sem nenhuma razão relacionada a um substantivo. Por exemplo, se alguém lhe pergunta (diálogo sueco): Chega você para nós na quinta (kommer du till oss på torsdag)?; você responde: Sim, isto faço eu (ja, det gör jag). Dai não importa en ord ou ett ord, você utiliza o det simplesmente porque ele indica o sujeito da frase. Em sueco ninguém diz está frio, diz isto é/está frio!: det är kalt!

Dai que uma frase boa de saber é vad är det på svenska? (o que é isto em sueco?). Quando o objeto está longe, utilize o detta (e o dedo… afinal, é preciso apontar o que se quer saber =P).

E por fim, meu e seu também estão no vácuo de en e ett: min/mitt e din/ditt. Min bil. Mitt  hem. Din bil. Ditt hem. No plural usa-se apenas mina e dina.

E o plural… bem eu adoro português porque o plural é com s!!

Jag förstår inte!

Eu comecei outro dia a coisa com dicas para aprender sueco. Sinceramente, é difícil definir o que partilhar quando não se sabe muito, então vou abordar principalmente as coisas que foram/são importantes para mim.

E a primeira abordagem é acerca de EN e ETT. Esses são os artigos suecos (e também o numeral 1) e a principal dor de cabeça de todo o mundo que não nasceu sueco. En não é um artigo feminino e ett masculino, ou vice versa. Aceite que EN é EN e ETT é ETT e simplesmente saiba que isso define toda a formação de uma frase. Cada substantivo é definido ou não por um desses artigos, e a má notícia é: não há regra para sua aplicação. A boa notícia: se você tem um dicionário está escrito qual é.

A “regra” é que EN e ETT são aplicados de acordo com o gênero do substantivo: se ele é neutrum (neutro) é ETT-ORD, e se ele for utrum (comum) ele é EN-ORD. Para saber se a palavra (ord) é comum ou neutra, você deve descobrir se ela vai acompanhada por en ou por ett (isso o Joel explicou!). Hahahahaha – a verdade é que eu não sei. Mas tem uma explicação (histórica): quando o mundo passou a ser civilizado e a bárbarie não era mais uma coisa aceitável, os vikings começaram a pensar em uma forma de continuar sacaneando todo o mundo que não fosse viking. Enfim, eles inventaram essa forma de tortura bem sutil: o utrum e neutrum – a coisa com EN e ETT na gramática sueca. Acredito que eles ficaram extremamente satisfeitos porque é uma prova de resistência. Se você é capaz de superar à vontade louca de desistir disso quando começa a perder cabelos, se torna digno que ser incluído ao mundo viking.

Skoja. A historinha é pra descontrair. É assim porque é. Tudo indica que você vai aprender dessa forma: bil [carro]=comum; hus [casa]=neutro. Ou melhor, para carro se usa EN, e para casa, ETT . Enfim, é como o Joel falou. O bom disso é que existem mais substantivos comuns do que neutros, por isso na dúvida chute em EN.

O porque de isso ser tão foda difícil é mais ou menos isso:

– Um carro= en bil; se você utiliza para qualquer carro – artigo indefinido. O carro=bilen; se você está se referindo a um carro em específico. Mesma coisa para casa: uma casa= ett hus; a casa= huset.

Muda o substantivo, e o adjetivo também quando você usa um ou outro. Normalmente o adjetivo é acrescido de um “t” no fim quando o substantivo relacionado é ett-ord. Por exemplo: Det är vackert huset (Isto é uma casa bonita) – Det är vacker bilen (Isto é um carro bonito).

Hummm, sinceramente espero que ajude. O nível das frases que eu usei como exemplo é porque o meu sueco tem agora esse nível – de criança das séries iniciais do primário. É… nesses horas eu penso que ficções como Matrix poderiam ser verdade. Então eu compraria um arquivo com todo o arcabouço teórico, gramático e fonético do sueco que seria descarregado/arquivado no meu cérebro. Seria fluente assim que o download fosse concluído.

Na prática, demora mais!