Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #20

Férias! Oh, eu esperei tanto por elas… e apesar de dizer que o blog não está de férias ele acabou ficando em último plano nas últimas duas semanas. Mas aconteceu tanta coisa e eu trabalhei todos os dias até a última sexta… não vou prometer que vou deixar aqui fotos e que vou contar as histórias dos dias que já passaram porque… não vou.

Hoje só quero dividir com vocês uma coisa que achei muito inteligente que li na introdução do livro de Anika Österbeg, uma autobiografia sobre a vida da sueca que após ser presa nos EUA passou 28 anos em uma penitenciária sem conseguir ser transferida para a Suécia. Não sei todos os detalhes da história, sei apenas que ela foi presa porque, sendo usuária de drogas, estava junto com o namorado quando ele cometeu um assassinato. Enfim, ela diz que cada uma de nossas ações são como água a derramar-se no oceano de nossas vidas, nunca saberemos a intensidade de suas ondas mas é certo que teremos de lidar com elas para muito tempo…

Essa frase me tocou bastante porque eu acredito na força de uma escolha: se eu não houvesse levantado a minha bunda dos degraus do ginásio para falar com o Joel há tipo dois anos e meio atrás eu não teria este blog, por exemplo. Da mesma forma são apenas alguns segundos para decidir deixar a raiva explodir antes de vomitar nossas verdades em cima de outra pessoa, porque afinal, ela precisa ouvir ou precisa aprender. Puts, às vezes eu mordo a minha língua e isso me faz tão feliz que é quase inacreditável. Só porque eu quero ser humilde e não impor a minha vontade para os outros não significa que isso seja fácil, às vezes fico imensamente frustrada porque as coisas não vão do meio jeito. Mas daí também cabe uma simples escolha: ficar estupidamente irritada porque não tenho o controle da situação todo o tempo ou apenas relaxar um pouquinho e viver!

Hoje eu tenho a consciência de que muito tempo antes da minha vida tomar essa virada tão grande eu decidi ser feliz. Decidi caminhar mesmo que com passos lentos para construir algo grande na minha vida. E eu consegui. E agora eu não tô falando de morar na Suécia, isso eu já disse muitas vezes que é a mesma coisa que morar em qualquer lugar. Eu to falando do amor e dos laços, da rede de amigos que conquistei: eu me sinto muito mais perto da minha família, sinto que consegui pessoas especiais para uma vida inteira (Luuuuu, Angela, Maira) e um amor para toda vida.

Não porque eu decidi ser grande e importante, mas só porque decidi ser feliz.

E sou!

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Pro dia nascer feliz

Thomas Edson não conseguiu fazer a lâmpada incandescente na primeira tentativa.

Hoje eu levei um susto quando abri meu e-mail: tinha uma série de e-mails do povo da minha cidadela me avisando que eu fui chamada para apresentar títulos em um concurso do Estado do Paraná que eu nem lembro quando foi que eu prestei… mas eu  passei!! Ahá, bom né?

Eu entendo que meus amigos fiquem me mandando e-mails do tipo: volta guria!!, porque é o que eu gostaria que acontecesse – ter todos os meus amigos perto e que eles me queiram perto também. Mas eu não quero voltar para o Brasil (agora), e isso não tem nada haver com aquela coisa de a Suécia é melhor que o Brasil, vice versa blá blá blá; isso está relacionado ao fato de que eu escolhi morar na Suécia, apostar no meu relacionamento com o Joel e eu mal e mal cheguei aqui.

Quando eu sai do Brasil, mesmo tendo um emprego no setor público e sabendo que eu podia ter licença, eu pedi demissão. É, eu poderia ter requerido uma licença de dois anos, afinal era meu direito (no caso de casar, abrir uma empresa em outra cidade ou … não lembro mas eram três itens) e ainda optei pela demissão. Um monte de gente veio me dizer para repensar porque seria uma garantia se as coisas não dessem certo na Suécia, que eu poderia fazer igual não sei quem que fica dois anos lá e dois aqui e… eu sempre respondi que eu não acredito que funciona ter os pés em dois barcos diferentes ou ficar em cima do muro.

Clichês a parte, e com sua licença para ser repetitiva, ser feliz é escolher e eu não considero dois passarinhos na mão uma escolha. É como aquela história da Bíblia que a mulher vira uma estátua de sal por ficar olhando para trás… qual é o grau de motivação que você coloca numa coisa se você sabe que pode contar com outra? Reserva é para o esporte, onde ganhar ou ganhar é a alternativa, mas na vida, perder muitas vezes significa ganhar: experiência, maturidade, confiança, sabedoria… e não é que eu seja a sabichona que decidiu o mais correto, mas eu escolhi uma coisa: mudar para a Suécia, começar uma vida nova aqui, nova fase, novo tudo; para quê um emprego no Brasil? Para voltar correndo na primeira dificuldade?

Infelizmente, penso que é isso que acontece (comigo) com muita gente: o medo de escolher nos faz ficar paralisados e perder, perder oportunidades, perder tempo, perder pouco a pouco a confiança em nós mesmos. E se não der certo com o Joel? Eu vou sofrer, mas vou seguir porque minha vida não vai acabar. Não é que eu seja sou orgulhosa mas é que não acho que está correta a forma como se maximiza a importância da escolha na nossa sociedade.

Sim: aos 17 anos você deve ter CERTEZA de qual profissão quer exercer, e em 4 ou 5 anos você estará entrando no mercado de trabalho ou, aquela pessoa especial que mexe com você TEM DE SER  o amor da sua vida – não importa se é o primeiro amor. Por quê? Porque não é interessante perder tempo. Desde quando cursar uma universidade é perder tempo? Desde quando ficar perto de outro alguém é perder tempo? Desde que você precisa ser um guru, sempre ganhar e nunca,  nunca, nunca, jamais perder.

Então escolher fica difícil, uma coisa escura e ruim: pense bem, você quer ou não? Tem certeza? Olha que depois não pode mudar, hein? Parece que vamos perder um milhão de reais (oi!)! Nada disso! Sempre podemos recomeçar, tentar outra vez! Sabendo porque erramos, na segunda tentativa fica mais fácil! Ninguém de nós lembra, mas não decidimos um belo dia caminhar e então levantamos e demos um, dois, dez passos e de repente corremos. Com certeza, primeiro ficamos em pé, caímos, ficamos em pé e demos um passo e ficamos em pé e caímos e… só continuamos até que hoje podemos andar sem pensar em direito-esquerdo-direito. Mas não é sempre assim! Às vezes acertamos de primeira, mas o mais importante não é acertarmos e sim decidir arremessar, chutar, tentar.

Eu to super feliz que fui chamada para um emprego, mostra que eu sou/fui boa naquilo que fiz, mas eu não preciso de garantias no Brasil. Tenho minha vida na Suécia e preciso lutar por ela…  Não é orgulho, é só porque eu abracei a minha escolha! Cada um precisa abraçar aquilo que escolhe, trabalhar nisso, e se não for bom, paciência, sempre dá para recomeçar.

Amigos: tenho imensas saudades! Mas tem como estar mais perto do que do lado de dentro?