Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #12

Esse vai ser rápido e rasteiro apenas para comentar a respeito da validação do meu diploma: há uma semana eu fui para o Vuxutbildning (o mesmo espaço público no qual você faz a inscrição para o SFI) pedir informações sobre o processo de validação, se eles ofereciam algum apoio, qual apoio e como fazer. A atendente foi muito clara e objetiva, explicou que você pode solicitar a validação via Vuxutbildning, mas que para isso a mesma deve estar traduzida do idioma original para inglês ou sueco por um tradutor oficial – e que esta tradução não é feita pela Vux.

Os documentos a serem traduzidos são o diploma e histórico escolar do curso, onde constam as notas e todos os cursos complementares e etc que você fez durante a formação. No meu caso são um total de 6 páginas, e eu fiz um orçamento no Brasil e custariam R$ 482,00. Conseguimos um tradutor juramentado aqui mais barato (1500kr, cerca de R$375). A Maíra do blog Sonhos Escandinavos disse para mim que ela iria traduzir (ou tentar a tradução) via Arbetsförmedlingen. Eu fui ate o A pedir informações e eles me disseram que isso não existe aqui em Göteborg. Nao sei se realmente não existe, se sou eu ou eles que tem um pé comigo, porque só consigo nada vezes nada do A.

Depois disso, resta apenas preencher um formulario, anexar os documentos traduzidos, deixar no Vuxutbildning e esperar cerca de 6 meses. E torcer. Eu não vou ter acabado o sueco ainda dentro de 6 meses, mas acho que vai elevar em alguns graus a minha auto-estima essa validação. Mas não significa que poderei procurar emprego como assistente social tao logo receba os resultados, provavelmente terei de estudar disciplinas complementares – talvez um ano ou até dois de universidade.

Mesmo assim, to ansiosa…

PS.: Para os orçamento basta enviar para o tradutor os documentos escaneados, dai que você pode fazer isso do Brasil mesmo – se estiver com pressa – com a ajuda do partner. Mais informações sobre a validação de diplomas na Suécia aqui.

SAS… ou S.O.S?

Parece que meu blog é mais um canto de desabafos que eu uso quando não posso gastar meu pobre português nas orelhas da Lu e da Angela. Parece e é. Mas antes de começar a disparar, rapidinhas da semana (como diria a Maíra – o blog dela é um barato!):

– to mesmo conseguindo ir a academia 3 vezes na semana. Na segunda cheguei no aparelho que eu nunca lembro o nome – um simulador de subir escadas – e coloquei o fonezinho e tals (a academia é um luxo e cada aparelho tem sua própria tela, a gente pode assistir tv enquanto sua…); e tentei encontrar o canal SVT 1 que tem coisas interessantes e programas com subtítulos em sueco. Mas qual não foi a minha surpresa quando descubro que o botão de mudar canal estava estragado, e que o único canal funcionando era um canal de culinária! Tudo bem, gastei boas caloria enquanto comia com os olhos um prato de frango ao molho de curry com arroz…

– Nesse mesmo programa aprendi que o recorde mundial de fatiar um salmão em 40 pedacinhos iguais é de 1min e 24s.

– Fiz a primeira entrevista de emprego decente depois que mudei – talvez a primeira da minha vida.

– Ontem (na academia) perguntei a personal trainer o valor a hora aula… 595kr (quase R$150). Não acho demais, acho muito bom, fiquei pensando na minha querida amiga Lu que ganha uma miséria – comparado a isso – e é uma profissional excelente. Tem coisas que funcionam na Suécia…

Agora, as aulas de sueco… mas primeiro, um conselho para quem está chegando: não espere nada dessa bosta de aulas que são SFI e SAS. Estude muito por si mesmo.

Quando estava no SFI levei alguns bolos da professora. Sério: por duas vezes quando cheguei na escola simplesmente não tinha aula, e outra vez eu perdi de fazer uma viagem de graça porque faltei a aula. O Joel sempre ficava indignado quando isso acontecia, repetindo que era um desrespeito porque o professor não pode simplesmente não aparecer e que… Enfim, cheguei a aula ontem e a minha professora não estava, mas sim a professora B e mais uma guria que acredito seja uma coisa como estagiária.

Minha turma do SAS tem cerca de 40 alunos, por isso na metade da aula sempre somos divididos em dois grupos sendo que o segundo vai para outra sala com a professora B – o que é muito inteligente – e então fazemos exercícios referentes a lição enquanto a professora passa conversando e corrigindo e trocando idéias. Os dois grupos sempre fazem o mesmo trabalho, apenas em locais diferentes e com professoras diferentes. Eu nunca fui para o grupo B, mas gostei bastante da professora deles porque ela tem uma dinâmica de aula muito semelhante a da Birgitta, minha última professora no SFI.

A professora B nos abandonou na metade do caminho com a aprendiz/estagiária/candidata a professora. Então uma série de cenas ridículas começaram a se desenrolar: ela ficava repetindo tyst! (quieto) para qualquer suspiro não permitido entre os alunos, respondia as questões objetivas de forma irônica e quando começamos a analisar um poema ela simplesmente disse que o poema era sobre uma relação amorosa que terminou. E é isso. Teve uma aluna que fez uma tentativa de contestação com um tímido mas, que ela ouviu com um sorriso nos lábios do tipo coitados, eles não entendem!; para em seguida usar um não definitivo, o poema é sobre um amor que acabou.

Instalou-se a ditadura ou eu sou melodramática. Acredito nos dois. Mas fico tão frustrada! Tudo bem que talvez 80% dos estrangeiros não estejam dando a mínima para SFI e SAS, mas precisa avacalhar tanto? Quero a minha professora de volta!! Ela ao menos sempre pergunta: o que você entendeu a respeito desse texto? Qual a sua opinião sobre a história?

O maior pecado do SFI/SAS é tratar os alunos como colegiais. Sim, existe o módulo de inserção para pessoas que nunca aprenderam a ler e escrever, mas minha turma tem um monte de gente com universidade, tem gente com mais de 40 anos que estudou muito na vida! Estrangeiro não é burro só porque não sabe falar a língua, nós aprendemos interpretação de texto na língua mãe também, quem é que não passou poucas e boa tendo que ler Euclides da Cunha?

No final das contas, a reclamação não é só minha não. Antes de chegar a Paula me alertou para não esperar muito do SFI. Mas eu sou meio boba assim, sempre tenho uma esperança. Agora minha maior esperança é ter a professora de volta, aquela com a qual comecei o curso do SAS.

Senão, fazer o que?