Fechado para o verão

Sabe aquele papo de que o ano só comeca no Brasil depois do carnaval?
A Suécia fecha para o verão.
Todo mundo que tem um emprego fixo tem direito a cinco semanas de férias por ano. Até os 40 anos, porque a partir daí serão seis. Quem ainda não tem direito as seis semanas dá um jeito de ter, juntando horas extras ou tirando a licenca parental. E aí tudo fecha porquê, né… ninguém quer estar trabalhando enquanto o colega está aproveitando um dia de verão.
E não se trata apenas daquela loucura para viajar. Se trata de ficar com a família, os amigos e tirar um tempo fora da rotina. Sueco adora uma rotina, mas também é louco por cortar a grama. Eu tenho uma teoria de que essa alegria toda de cortar a grama está relacionada ao fato do “veja, tudo está verde, está quente, eu vou sentar do lado de fora de casa e por isso estou arrumando meu quintal”. Ou só um “preciso um lugar para colocar a grelha”, ou melhor, “preciso um lugar do lado de fora para colocar a grelha”. E, é claro, está relacionado ao fato de que o sueco corta a grama durante dois, três meses por ano – e não o contrário, como é comum no Brasil. Quando eu trabalhava em Falköping tinha um colega iraquiano que se sentia extremamente incomodado com essa coisa da grama. Ele morava num condomínio de casas – aquelas que são grudadinhas umas nas outras, mas tem um quintal em frente e outro nos fundos – e dizia que o vizinho cortava a grama uma ou duas vezes por semana durante o verão. Esse não era o problema. O problema era que o vizinho já havia dado a ele inúmeras indiretas sobre a grama estar muito crescida, e sobre a altura ideal do corte, aquelas coisas tipo de revista de jardinagem. Ele se sentia pressionado a cortar a grama mesmo quando achava que a grama estava curta, só por causa do vizinho da fita métrica. O Joel vive angustiado com o que os vizinhos vão pensar sobre a grama. Enquanto ele se sente em meio a uma plantacão de capim, com grama até os olhos, eu olho para fora e penso: ué… que grama?
Verão na Suécia significa ir para a casa de campo, jogar cartas com as criancas, ler um livro que está em alta e ouvir o programa especial da P1, o Sommarpratarna (Papo de verão, talvez, se eu posso ser um pouco criativa). Ao menos os mais velhos. Ou talvez não. Eu achava que todo mundo que ouvia esse programa era a galera dos 40+ mas sabe o quê? Puro preconceito. Tem muito jovem que adora o programa. Basicamente não é nada além do que gente famosa e nem tão famosa assim falando de coisas da vida. Pode ser uma ativista pelo direito do povo sami, os índios suecos (ela inclusive é rapper gente!); ou o Zlatan, contando histórias da infância; o ex primeiro ministro sueco falando do livro ruim que ele publicou e até freira fala nesse programa – sobre caridade e Deus.
Outra coisa interessante do verão é que, já que a galera toda sai de férias, entra uma multidão de substitutos. Jovens substitutos, em sua maioria, que vão trabalhar apenas o verão ou gente que vai garantir (ou tentar ao menos) uma vaga. É tipo aquele lance de trabalho de fim de ano no Brasil, nas festas: gente que está dando uma mão porque algo extraordinário acontece (sol e calor). Esse lance dos trabalhos de verão são muito sérios aqui porque os jovens recebem um subsídio do governo para estudar (tipo bolsa escola, mas todo mundo em idade escolar recebe dependendo apenas da frequência). O detalhe é que durante as férias escolares não tem bolsa. E isso vale para os universitários também – na Suécia é possível emprestar dinheiro do governo para poder se dedicar 100% aos estudos sem trabalhar. É tipo como se todo o universitário tivesse acesso a bolsa de estudos, só que no caso, você devolve depois de formado. Mas como você só recebe enquanto tem frequência, e a frequência é zero durante as férias, entre junho e agosto/setembro ninguém ganha auxílio… aí o jeito é descolar uma grana extra. E já que todo mundo sai de férias mesmo e as empresas ficam as moscas… junta-se a fome com a vontade de comer.
O lado negativo dessa história é que isso pode até mesmo acontecer em hospitais. Tipo as enfermeira obstetras saem de férias e do quadro de pessoal permanente tem apenas duas pessoas trabalhando… juntamente com uma porrada de jovens recém formados ou em formacão que conseguiram um bico de verão. E isso sem exagero gente.
Eu também saí de férias. Mas como eu não tenho as manhas e não sei das tretas, não vou ficar “deboas” cinco semanas…

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Brasil, meu Brasil brasileiro

Tô em casa.

E sim, eu sei que a minha casa fica na Suécia. E que a minha vida é na Suécia agora. Tanto, que já em Paris quando eu estava prestes a embarcar no voo para Sampa senti que tudo estava diferente. E na verdade, senti um pouco horrorizada que a coisa que mais estava diferente era eu mesma.

Suequizei demais os últimos meses. Para meu próprio horror estava me sentindo incomodada com tanta gente falando alto, e falando merda. Esse povo nunca fala com coisa… pensei. E aquela impaciência típica de brasileiro que nunca faz o que está no protocolo: não espera o avião taxiar para começar aquela busca desenfreada pelas malas; não obedece nenhum sinal de apertar os cintos; fica gritando com o conhecido que não sei porquê foi parar cinco filas de banco mais atrás (ô fulano,  você viu a oferta de não sei o quê lá na Duty Free?).

Que merda. Que vergonha. Não dos outros, de mim mesma. Vivo chateada porquê todo mundo fica diminuindo brasileiro o tempo inteiro, por causa da fama de bagunceiro, por causa da fama de preguiçoso, por causa da fama de gente que não quer nada com nada. E lá bem no fundo me senti com a mesma impressão. É tipo um choque cultural ao contrário. Que feio.

Foi só quando desembarquei de verdade é que relaxei. Demorei quase doze horas dentro de um avião e precisei de doses de brasileirice o voo todo para conseguir jogar fora o meu eu sueco. Estava esperando um aeroporto caótico (por causa do carnaval) mas a coisa estava tranquila (e posso dizer isso porque já passei por Guarulhos em um dia 03 de janeiro). E tanta gente feliz! Apesar de estarem trabalhando durante o carnaval. É um contraste absurdo: sair de um inverno cinza na Suécia em que todo mundo anda de cara amarrada e desembarcar num país em que até a polícia federal fica fazendo troça… aff, como é bom!

Fiquei fazendo uma série de comparações. Já trabalhei com suecos em feriados importantes como o Midsommar. Definitivamente, trabalhar em feriado na Suécia é igual a trabalhar com substitutos (quem tem trampo integral cai fora pra aproveitar) ou gente meio de carra amarrada. Quem trabalha feliz nesse dia trabalha feliz só porquê recebe quase o dobro do salário por hora. E mesmo assim, o que acontece é que os suecos que trabalham em feriado falam mais ou menos “que eu não queria trabalhar, mas alguém precisa trabalhar e eu vou receber o bônus”. Sorriso amarelo. Eu fiquei me perguntando se os faxineiros que trabalham no aeroporto em Guarulhos, por exemplo, recebem o dobro do salário por hora por trabalhar em dia de carnaval. Estavam bem felizes, em todo o caso. Vai ver que eles recebem né?

E eu tomo um susto quando a guria do check in da Tam me olha e me diz meio zangada: “senhora? senhora? a senhora está grávida? por favor dirija-se a fila preferencial”. Aí é que eu percebi que o tom de voz dela não era para mim, mas era para lembrar aos outros que eu devia passar primeiro. Passei cinco meses e meio grávida na Suécia e as poucas pessoas “estranhas” que ousaram enxergar a minha barriga foram estrangeiros. Já aqui todo mundo enxerga que eu tô grávida. Gente que eu nunca vi na vida me olha e me sorri, e me deseja felicidade. “Parabéns pelo bebê” é uma constante. No guichê da companhia aérea. Na recepção do hotel. Na fila do mercado. Fui tomar um sorvete e uma mulher ao meu lado me disse que eu estava uma grávida linda. Assim do nada, ela não me perguntou: você está grávida? Ela só disse: você está muito linda grávida… sabe o que é? E eu: um menino (eu não tinha contado ainda Aparecida!). E ela: ahhh parabéns! Eu quero muito ter um menino!

E na minha cidade em que todo mundo sabe da vida de todo mundo parece que o pessoal não tá muito interessado na minha vida não. Hahahaha! Ao menos muita gente não sabia ainda. “Oi Maria! Passeando na casa dos pais! E esperando um suiçinho!!! Parabéns!”. Sim, eles ainda acham que eu moro na Suíça. Mas eu já nem explico mais. Porque se eu explico que eu moro mesmo é na Suécia a pergunta seguinte ainda é se eu já sei falar alemão. Sorriso amarelo. “Quase… tô aprendendo!”.

Nesses dois dias passados em casa já me sinto mais eu mesma. Já fiz papo furado com mais gente do que fiz o inverno inteiro na Suécia. Já falei da Copa do Mundo, do governo e da falta/excesso de chuva. De mudar para fora do país. De como a vida aqui é boa (puxa como é bom encontrar gente satisfeita com a vida que tem!!!). De livros. De poeira. Terra vermelha. Da calma da cidade. Da falta do que fazer. Do excesso do que fazer. De vida nova. De gravidez (com muita gente). De morte. De comida. De energia solar. Piadas (fiquei pensando: nunca ouço piadas na Suécia!).

E lembrei de um texto não sei de onde, que não sei quando li, que falava de como a gente ainda vê o Brasil com um país de selvagens que precisam ser civilizados. Acho que não há forma melhor de definir esse “choque” que eu senti no contato com a minha própria cultura do que esse pensamento. Eu vivo num mundo “civilizado” ao extremo. Politicamente correto – o que é bom. Eu sou a favor do politicamente correto – principalmente o quesito respeito as minorias. Mas não é disso que eu tô falando. O civilizado é o jeito meio robótico que todo mundo vive no lado de lá. As pessoas respeitam a fila. Ninguém fala alto. Os cachorros não ladram. Quase não há lixo pelas ruas (há sempre muito lixo pelas ruas assim que o inverno acaba, mas no geral, as ruas são muito mais limpas do que são as ruas brasileiras). Não há cidades transbordando de gente. E aí o transporte coletivo funciona. E não há engarrafamentos enormes. Ninguém “foge” as suas responsabilidades. Ninguém caga fora do pinico. Tudo funciona com a precisão de um relógio suíço. Mas eu moro na Suécia ok? Só para deixar claro…

Será que quando conseguirmos civilizar os selvagens brasileiros, não vamos sentir falta de toda essa “zona”?

Fim de férias

As férias já acabaram e a minha família volta para o Brasil essa semana. Eu tenho aquela sensação de que tudo foi tão rápido que eu nem consegui entender o que estava acontecendo.

E não consigo mesmo: como meus pais são um pedaço do Brasil, é difícil entender que eles estão aqui na Suécia. É uma surpresa boa ter eles por perto, como se a cada momento eles estivessem chegando outra vez. Mas eu sinto aquela falta, um vazio esquisito porque todos os meus irmãos não estão aqui também; dá uma pontinha de tristeza o fato de que nem minha irmã mais velha e nem meu irmão mais novo estiveram aqui com a gente nesse período. Sorte que ao menos a Ana está enchendo as minhas orelhas!

Famiage em visita ao aquaduto de Håverud

Famiage em visita ao aquaduto de Håverud

Em direção a Dinamarca.

Em direção a Dinamarca.

Mostrei um pouco da cidade para eles e levei a família Buscapé para aqueles programas de índio típicos de turistas… bom, nem tão típicos assim, afinal, eu nem tinha feito muitas dessas coisas. Ou melhor, algumas delas sim. Sorte que eu tenho uma amiga que sabe tudo sobre os melhores passeios de Göteborg, né Vânia? Quando o calo apertou, eu liguei na cara dura… Andamos de barco, trem, carro, a pé (cansei o povo!); e já que o negócio era para cansar, levei a galera para nadar e até minha mãe se astreveu a entrar na água fria do lago – o verão foi maravilhoso de quente então, foi quase tudo bem. Todo mundo entrou na dança da toalha – aquela em que a gente faz umas manobras engraçadas para trocar de roupa em público sem mostrar as vergonhas…

Agora, se perguntarem para minha irmã o que ela achou mais legal, ela responde com uma só palavra: Liseberg. Eu tenho medo de altura mas não pude me safar… ao menos não de alguns brinquedos. Passei uma semana rouca de tanta que gritei no Kanonen.

Olha minha felicidade na roda gigante. São "só" 60 metros de altura...

Olha minha felicidade na roda gigante. São “só” 60 metros de altura…

Nessa maravilhosa bagunça me perdi, afinal muita coisa aconteceu nesse mês e o blog ficou realmente de lado… tenho dois episódios do Alfons na pasta de rascunhos. Haha! É mole? A menina escreve os posts e ainda nem publica! Eu tenho problemas… principalmente porque eu gosto de responder aos comentários, e como eu não tinha tempo de acessar o blog, o trem foi acumulando… desisti de postar porque eu não podia responder os coments.

Acumularam-se também e-mails com perguntas diversas a respeito da vida na Suécia. Assim que eu me achar eu respondo e também vou partilhando as respostas e incluindo no Leia antes de perguntar. Aliás, tem muita gente que lê a seção e depois me direciona perguntas específicas, fazendo piadinhas a respeito das minhas respostas. Hahaha! Eu acho um barato… tenho leitores muito bem humorados! Obrigada! Mas eu também recebi um par de e-mails de gente que começa com: “eu já li o leia antes de perguntar mas, como é que eu faço para tirar visto de turista para a Suécia?”. Meu amigo… você ficará no vácuo eterno, só para avisar. Ainda assim, obrigado a todos os preguiçosos e engraçadinhos, todo mundo que veio parar aqui sem querer e os leitores de carteirinha (uhuu). Até no meu casamento brincaram com o fato de eu ter um blogue e eu descobri que um grupo de pelos menos 30 pessoas usam o Google translate para tentar acompanhar minhas baboseiras… muito bacana!

Eu tenho que tirar o chapéu para a suecada. Não porque eles seguem meu blog mas porque desde que mudei não paro de me surpreender com a generosidade deles. A primeira coisa que eu disse para o Joel quando ele propôs a mudança foi que ficaríamos isolados. Uma, que a casa precisa de reformas e temos trabalho de sobra… outra, que fica mais longe da cidade e aí ninguém apareceria para dizer um oi. Ledo engano! Por causa do lago que fica aqui perto sempre temos visitas, gente que para só para dizer “oi, estamos indo para o lago, vocês vem também?” ou “fomos nadar no lago, e passamos para dar um olá!”; outros amigos do Joel que ligam porque querem ajudar com as reformas… Sueco é mesmo chegado nessa coisa do faça por si mesmo, e se não tem nada para ele fazer por si mesmo então ele quer ajudar um amigo que tem o que fazer para poder aprender no caso de, sei lá né?, no futuro mudar para uma casa que precise de reformas e então já saber o que fazer e quais amigos chamar para a empreitada.

Além disso, a generosidade deles no casamento me deixou embasbacada: emprestaram o carro para gente transportar para lá e para cá bebidas, o som, os tereco-tecos para a decoração; apareceram no dia antes para ajudar a preparar o local; juntaram todas as coisas no pós festa para os noivos – nós – poderem curtir… Eu sempre imaginei que receberia alguma homenagem das gurias mais chegadas, mas para minha surpresa muitos amigos do Joel me prestaram homenagens durante o jantar e me fizeram ficar com lágrimas nos olhos (eu só não pareço supimpa gente, eu sou supimpa, pergunte para o povo daqui!) e me sentindo a última bolacha do pacote. Eles também nos deram presentes maravilhosos – fora alguém que quis brincar e nos mandou uma galinha “decorativa” em tamanho real. Sei lá se o cartão se perdeu ou se a pessoa nem pensou em por o cartão ou estava com muita vergonha para assumir, mas ainda não descobri quem foi o engraçadinho (se é alguém que lê o blog, me conte por favor para quê serve aquela galinha!?).

Para a Páscoa?

Para a Páscoa?

Falando em presentes, obrigada Angela e Dani pelos presentes de além mar. E tia Tere, vamos usar o seu presente para viajar!

Eu ainda tô boba demais com essa história do casório, ou melhor, mais boba do que o normal. Vou demorar pra pisar no chão. Só consigo pensar nisso. Melhor parar com a babação… quando eu me acalmar eu faço um post contando como é que foi que fiz a decoração no melhor estilo faça você mesmo (com a ajuda das amigas, é claro), além de outras curiosidades.

A  gente se vê em breve!

O blog de molho e Alfons

Olá gente linda linda, bonita bonita!

(Não me lembro exatamente onde eu vi isso, mas achei simpático)

Já estamos praticamente dizendo adeus ao mês de junho e, para minha felicidade, semana que vem meus pais e a minha irmã desembarcam aqui na Suécia. E como eles estarão por aqui por um tempo e eu quero muito passear com eles e levá-los para vários cantos, aviso aos navegantes que o blog ficará de molho.

Apesar disso, estou deixando alguns rascunhos (só uns poucos) sobre o idioma sueco. Talvez quem não tem interesse pela língua ou por aprendê-la ache que isso será um pouco  chato, mas eu escolhi um ajudante para entreter vocês: o Alfons Åberg que a Vânia conta um pouco neste post aqui.

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O Alfons é um personagem da literatura infantil sueca – um dos mais famosos ao lado da Pipi Långstrump e dos demais personagens de Astrid Lindgren; que apresenta histórias engraçadinhas sobre o mundo infantil e com um sueco de nível bem fácil. Eu não conhecia o Alfons Åberg até começar a trabalhar como personligt assistent com o Zezinho. Fiquei imensamente surpresa com a quantidade de palavras e expressões que aprendi por meio da leitura dos diversos livros e também porque assisti Alfons umas dezenas de vezes.

Então vou deixar alguns posts com um episódio do Alfons em vídeo, o texto narrado abaixo e a tradução em português. Se possível deixarei alguns comentários também, mas provavelmente não. Esses posts serão mesmo para que você, que estuda sueco, possa acessar um vídeo em sueco tendo uma “legenda” em mãos e assim treinar o ouvido e porque não a pronúncia correta das palavras e de quebra, aprender algumas expressões.

Abriremos a temporada do “aprenda sueco com Alfons” no dia primeiro de julho, com o primeiro livro publicado pela autora Gunilla Bergström intitulado God natt Alfons Åberg – Boa noite Alfons.

Feliz férias para mim! E um ótimo mês de julho para vocês!

Pequenas Grandes Coisas das Minhas Férias

Chove… e somente porque choveu tirei um tempo para escrever algumas historinhas pra vocês porque antes estava tão quente que era meio impossível ficar em frente ao computador…

A viagem foi bem tranquila mas super exaustiva pois tivemos de esperar 5 horas pela nossa conexão doméstica no Brasil. Agora o pessoal das companhias aéreas não despacha mais a bagagem até o destino final porque a declaração de bens importados deve ser feita assim que o passageiro desembarca no Brasil – e quem não tem nada a declarar se lasca junto com pequena parte da população que viaja e volta para casa com 10 pila acima da cota. Eu nunca precisei ficar esperando minha mala em Guarulhos e me arrependi milhões por não ter trazido apenas bagagem de mão.

Também não consegui fazer o check in online (sei lá porque cargas d’água), podíamos acessar a reserva mas não podíamos realizar o chek in. Como resultado eu e o Joel acabamos por ficar com poltronas separadas (para o voo transatlântico – aquele que pode ser de 12 horas) e quando embarcamos no avião começamos a busca por uma boa alma que topasse trocar de poltronas com a gente. A opção mais simples – de trocar apenas um lugar com o pessoal mais próximo – não rolou já que ambos estávamos na fileira central entre um casal e dois gordos; os outros casais, assim como nós, queriam viajar lado a lado e os gordos haviam escolhido o banco do corredor por causa de espaço. Mas como brasileiro é gente boa encontramos um cidadão que trabalha para a Scania que entendeu que esse povo aqui era from Sweden e trocou com a gente – o que fez com que o cara ao lado dele também resolvesse trocar. E todos viveram felizes para sempre.

O calor aqui está deliciosamente demais. Tanto que tá rolando temporal a beça – como é comum nessa época do ano quando a primavera já tá fervendo – o que não é muito legal. O pessoal daqui já passou por uma chuva de pedras que estilhaçou todos os vidros de algumas residências, botou abaixo telhados de eternite e simplesmente deixou sem teto uma casa na roça. As “pedrinhas” daquele temporal foram do tamanho de um ovo de pato. Há duas semanas a tempestade veio com vento, atingindo a região do município que havia escapado da chuva de granizo. As árvores caíram e os telhados voaram, fazendo um monte de agricultores perderem seus frangos (essa região tem muito aviário – produção de frangos de corte). Ontem choveu forte, ventou mais ou menos, caiu granizo de novo (do tamanho de ovos de codorna) e eram tantos raios que a impressão é que estavam caindo ao lado da casa. Por sorte temos algumas torres altas com para-raio, mas acho que foi só impressão mesmo pois ainda não ovi ninguém comentar que alguma torre tivesse “pego” um raio. Como eu moro na Suécia e ouço trovejar duas vezes ao ano tenho que confessar com um pouco de medo e até fui rezar com a minha mãe.

Ademais, comi muita carne – churrasco, carne de panela e etc – e to tomando muito suco! Ai que delicia fazer suco com fruta fresca, uma folhinha de hortelã e um tiquinho de gengibre. E esquecer o açucar e todo mundo dizer: faltou açucar. Sério gente! Acho que não ouvia isso a décadas e me sinto quase estranha pois na Suécia estou acostumada a gente que me diga o “eu não acredito que você toma café com açucar!” e ” suco com açúcar? Que estranho…” ou “açucar engorda e faz mal a saúde!”. Agora tive que ouvir todo mundo reclamar que “a Maria fez suco de novo e esqueceu o açúcar!”. Hahaha… É a vida…

Fui a dermatologista que me repetiu todas as coisas que a dermatologista sueca havia me dito, com exceção de: a) há uma forma de clarear os melasmas, mas nenhum clareador vai funcionar a não ser que eu use protetor solar no mínimo 3 vezes ao dia mesmo quando eu não vá sair de casa (a Juliana comentou mesmo – neste post aqui – que a luz fluorescente ajuda a aumentar manchas de pele e ontem a dermato confirmou); e b) que eu preciso usar um filtro solar dermatológico porque comprar qualquer filtro mesmo que fator 50 não vai limpar a minha barra (e muito menos ajudar a clarear as manchas na minha cara – rimou). Saí satisfeita, com receita médica para compra do clareador e do protetor solar e… estranhei a rotina. Acordar e passar protetor para mim era coisa de praia (ou vamos para a piscina!!!) e agora vai virar padrão na minha vida. O bom é que o clareador que ela me receitou também existe na Europa – segundo a médica – assim eu posso pedir a receita lá na Suécia e continuar o tratamento.

To meio gripada (não há coisa pior do que gripe no meio do verão!), meio rouca e pisando torto depois que pisei em uma abelha. Não sou alérgica mas meu pé inchou e a picadura provocou uma lesão meio roxa, coisa que não é muito estranha na roça porque as abelhas daqui ficam contaminadas com agrotóxico que o pessoal espalha na lavoura. Apesar dos mortos e feridos (a abelha morreu) todos ficarão bem.

E agora chega de computador porque eu to de férias!