Memórias de um Caracol-13

Fomos fazer uma trilha num monte muito parecido com o morro do Chapéu que tem lá no Paraná. Inclusive o morro chama Virsehatt, que é a junção da palavra Virse e chapéu.

A trilha era curta, um quilômetro, mas era bem ingrime. Por sorte havia uma caça ao tesouro digital pela trilha e a gente pode ouvir uma história do local (baseada em fatos reais) que ajudou a atiçar o espírito de aventura nos meninos. Praticamente no fim da trilha havia um Troll fingindo dormir entre as pedras. Foi a sensação.

Voltamos pra casa sem conseguir encontrar o tesouro. Não aquele que estava enterrado, ao menos…

Encontre o Troll

Memórias de um Caracol-13

O lago estava como um espelho hoje, apesar de soprar uma brisa. O dia estava mais ou menos quente e a gente sentou perto da água. Fizemos barquinhos de casca de árvore e deixamos o vento levar eles lentamente para o meio do lago até eles sumirem.

Eu me diverti mais que as crianças com isso.

Memórias de um Caracol-12

Estamos fugindo de Gotemburgo já que só quer chover. Levamos uma boa parte do dia empacotando e organizando o caracol. Parece que quando a gente dá um tempo disso perde a prática e tudo fica bem mais complicado.

Agora estamos no campo, não em um camping. Só curtindo passear mesmo, brincando de casinha e aproveitando que aqui o céu abriu e o sol deu as caras. Amanhã veremos se nos encaracolamos em algum cantinho ainda mais ensolarado.

Desejem-me sorte!

Memórias de um Caracol-10

Tomei banho de lago três vezes hoje. Não lembro de ter feito isso no verão de 2018. Mas aqui onde estamos tem um “trapiche” para o meio do lago o que facilita demais a vida: você vai até o fundo, pula, se refresca e sai da água. Porque a água continua fria então não dá pra ficar brincando…

É interessante também que os lagos suecos por aqui tenham cor de “coca-cola”: no raso dá pra ver o fundo, mas quanto mais fundo fica o lago mais escura parece a água por causa do tom caramelo. Dá um medinho de pular porque parece água à noite, escura e misteriosa, mesmo no meio do dia.

Só não pulei dos trampolins. Morro de medo de altura.

Memórias de um Caracol-9

Hoje viajamos 170 km para nos encaracolar. Para brasileiro isso é uma trivialidade, 170 km é logo ali. Para sueco (principalmente os do sul ou das grandes cidades), não é lá tão comum.

Uma boa road trip pede música e histórias (abençoado Spotify e seus podcasts). A gente mistura de tudo um pouco e rolam clássicos suecos. Como vamos de trailer sempre ouvimos a canção “Você deve ter um trailer” composta pelo grupo Galenskaparna. Essa não é uma banda musical e sim um programa de humor sueco que fez uma música em homenagem a essa particularidade que é viajar com um trailer. Vou deixar o link do vídeo do YouTube e compartilho a letra da música (traduzida pelo Tio Google – e ficou entendivel):

“Man ska ha husvagn” – Galenskaparna

Eu já tentei de quase tudo o que há para escolher
Jag har prövat nästan allt som finns att välja på/ Acampar, alugar barcos, canoagem, andar de bicicleta ou caminhar
Campa, hyra båtar, paddla, cykla eller gå/ Passei férias da maneira mais estranha
Jag har semestrat på dom allra konstigaste sätt/ E finalmente eu descobri como tirar férias
Och äntligen jag funnit hur man ska semestra rätt

Você deve ter uma caravana – o feriado já está feito
Man ska ha husvagn – så är semestern redan klar/ Você deveria ter uma caravana – eu vi que todo mundo tem
Man ska ha husvagn – det har jag sett att alla har/ Você deve ter uma caravana – e guardar a família
Man ska ha husvagn – och stuva in familjen i/ Você deveria ter uma caravana – porque então você estará livre
Man ska ha husvagn – för då blir man fri

Por muitos anos não fomos particularmente bem viajados
I många år så var vi inte särdeles beresta/ Estávamos em Askersund e uma vendinha em Gnesta
Vi hade vart i Askersund och pressbyrån i Gnesta/ Mas então um dia eu disse para a minha mulher, gentil mas firmemente
Men så en dag sa jag till frugan, vänligt men bestämt/ Temos uma casa que roda sobre rodas e, assim, sempre
Vi skaffar oss ett hus som går på hjul och därmed jämt

Você deve ter uma caravana – com geladeira, TV, chuveiro e fogão
Man ska ha husvagn – med kylskåp, TV, dusch och spis/ Você deve ter uma caravana – será como estar em casa de alguma maneira
Man ska ha husvagn – det blir som hemma på nåt vis/ Você deve ter uma caravana – e deve ser grande e larga.
Man ska ha husvagn – och den ska vara stor och bre’/ Você deveria ter uma caravana – pense no que pode conhecer
Man ska ha husvagn – tänk vad man får se

Cinco minutos Falsterbo e cinco minutos Koster
Fem minuter Falsterbo och fem minuter Koster/ Cinco minutos Flen e Hjo e cinco minutos Mosteiro
Fem minuter Flen och Hjo och fem minuter Kloster/ Cinco minutos Örebro e cinco minutos nas montanha
Fem minuter Örebro och fem minuter fjäll/ Cinco minutos de intervalo em um motel rodoviário europeu
Fem minuters rast på ett europavägsmotell

Você deve ter uma caravana – o feriado não será um fracasso
Man ska ha husvagn – så blir semestern ingen flopp/ Você deve ter uma caravana – e fazer muitas paradas
Man ska ha husvagn – och göra lagom många stopp/ Você deveria ter uma caravana – e dirigir e parar para tomar um chá ‘
Man ska ha husvagn – och köra runt och stanna te’/ Você deveria ter uma caravana – pense no que pode conhecer
Man ska ha husvagn – tänk vad man får se

Cinco minutos da cidade de Estocolmo e cinco minutos do arquipélago
Fem minuter Stockholm stad och fem minuter skärgård/ Cinco minutos de sol e banho e cinco minutos de mansão
Fem minuter sol och bad och fem minuter herrgård/ Cinco minutos Grums e Trosa, Tjörn e Härnsand
Fem minuter Grums och Trosa, Tjörn och Härnsand/ Mais cinco minutos você já viu em toda a Suécia
Fem minuter till så kan man hela Sveriges land

Você deve ter uma caravana – e levar tudo com você
Man ska ha husvagn – då har man med sig rubbet jämt/ Você deve ter uma caravana – então nada acontece indefinidamente
Man ska ha husvagn – då händer inget obestämt/ Você deve ter uma caravana – para saber como tudo será
Man ska ha husvagn – så att man vet hur allt ska bli/ Você deveria ter uma caravana – porque então você estará livre
Man ska ha husvagn – för då blir man fri/ Você deve ter uma caravana – onde quer que vá em sua viagem
Man ska ha husvagn – varthän man än sin resa ställt/ Você deve ter uma caravana – para não precisar viajar de barraca
Man ska ha husvagn – så slipper man att resa tält/ Você deve ter uma caravana – para saber como tudo será
Man ska ha husvagn – så att man vet hur allt ska bli/ Você deveria ter uma caravana – porque então você está seguro, trancado e livre
Man ska ha husvagn – för då är man trygg och låst och fri

Fonte: MusixmatchCompositores: Claes Eriksson

Memórias de um Caracol-8

Essa coisa de ter filhos e expectativas é algo bem difícil de conjugar. Tipo, você sai de férias a beira de um lago lindo e está super a fim de sair caminhar, molhar os pés na água e tals e as crianças querem… ficar dentro do trailer.

Nada contra, eu amo um sofá. Mas justo no camping, quando fazem 27°C e sol, quando você sabe que esse pode ser o único dia quente do verão todo… difícil. O mais engraçado é que quando você quer só sofá e preguiça aí, pode esquecer.

Por outro lado, eu adoro a curiosidade e espontaneidade das crianças. Ao lado delas tudo pode assumir proporções diferentes e uma simples pipa ou uma pá de areia bastam para que o dia esteja completo.

Encontre a pipa!

Eu aprendi com meu pequeno grande piá, em uma certa viagem da qual gostei muito, que o melhor da vida era aquilo que está a mão, no dia a dia. Porque quando eu perguntei “filho, o que é que você gostou mais dessa viagem?”, ele respondeu “o meu irmão e brincar de lego.”

Memórias de um Caracol-7

Caracol, doce caracol…

PS.: um desejo em prol de um mundo melhor pós corona: que sejam proibidas lâmpadas com sensores de movimento em banheiros e cozinhas. Não basta fazer as necessidades fisiológicas dando tchau, hoje tive que inclusive lavar louça dançando valsa.

Diário Caipira-63

Lar, doce lar…

Quem nunca acampou não sabe a felicidade que é chegar em casa. É certo que acampamento de verdade – com barraca – é mais hardcore do que essa coisa de sair de caracol. Caracóis tem cozinha, luz elétrica, banheiro, cama. Tudo mini. Mas tudo lá.

Já barraca… se estiver acampando em uma área de camping pode ser que haja banheiro, chuveiro e cozinha. Mas se não até isso é improvisado. Esse camping que visitamos tem umas instalações básicas. Não gostei dos chuveiros e reconheço de longe aquele tipo de piso que quando molhado seca apenas a base de secador de cabelo. Era o martírio dos tempos de inverno no Brasil, limpar a casa quando tinha esse tipo de piso: molhou ele fica molhado. Por horas.

O que me leva a indagar: qual a lógica? De ter esse tipo de piso. De comprar esse tipo de piso. De que sequer exista esse tipo de piso. Ainda mais num país como a Suécia, frio e úmido. Nos chuveiros de camping. Molhou de manhã e vai estar seco lá pelo meio da tarde, que é quando alguns vão tomar banho de novo e aí você entra tá aquela meleca molhada no chão… quase que uma “guegamoia”, como dizem os meninos. Em todo o caso, a aparência e sensação é de que está sujo o tempo todo.

Ah, lar doce lar. Doce cama, doce sofá, doce chuveiro… Doce piso que seca.

Memórias de um Caracol-6

Fomos passar frio na praia hoje de novo. A maré estava subindo e as ondas traziam águas vivas. Não sei se estavam morrendo ou morriam na praia, mas a orla estava cheia delas.

Eu, que não sou do mar, fico toda estressada. Eu, que ando pela praia tremendo debaixo dos meus casacos sem nem entender como é que as crianças estão brincando só de calção na beira d’água fico ali tentando convencer meus pequenos vikings a não mexer nas águas vivas mortas porquê vai quê? Né? Mesmo o marido dizendo que essas não queimam, eu fico naquela que “o prevenido morreu de velho”.

Aqui jaziam águas vivas que deixaram essa marca na areia ao morrer.

Eu tô feliz que vamos para casa. Os chuveiros aqui do camping tem a função frio, congelante ou ducha para arrancar a pele. Brasileira sem tomar banho perde a alegria de viver…

Memórias de um Caracol-3

Quando a gente sai encaracolar sempre faz bastante paradas. Só porque é legal fazer isso e pra transformar a viagem em si (que pode ser um tanto chata), em algo mais bacana. Além disso rola meio que um ritual e todo mundo de trailer ou de “motorhome” para bastante.

Nessas paredes sempre dá pra ver uns caracóis gigantes e cheios de paranauês. Normalmente tem a ver com tecnologia, conforto, mas depois de uma determinada faixa de preço é só… luxo mesmo. Nosso caracol funciona a gás e luz elétrica. Gás para cozinhar, mas também como fonte de energia para manter a geladeira funcionando quando não há possibilidade de ligar na luz e ligar o aquecedor. Pode crer que o aquecedor é necessário durante a noite.

A gente (marido) fez umas adaptações e temos um painel solar que carrega a bateria. A geladeira e o aquecedor precisam de muita energia e não funcionariam apenas a base da bateria mas assim temos lâmpadas e tomadas funcionando mesmo se não estivermos conectados a rede elétrica.

Geladeira pra guardar comida, fogão pra cozinhar e calor. Ah, isso e mais o banheiro e voilá, temos um fantástico caracol.