Diário Caipira – 13

Eu sou fácil de deixar na pilha… sempre que alguma coisa for um pouquinho importante que seja lá vou eu sofrer e me preocupar.

Segunda a gente plantou flores e eu fiquei muito chateada quando, do nada, começou a nevar. É claro que havia até previsão de neve, mas eu só fui pensar no causo depois… e agora estou aqui ouvindo a ventania e pensando: será que minhas pobres florzinhas sobreviverão?

Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #26

To começando a me sentir “em casa” na casa, o fim de semana foi lindo, com sol e temperaturas mais agradáveis (tão rápido o sol se esconde a gente precisa se esconder também – a sombra ainda é gelada!) e eu aproveitei para fazer algumas coisas do lado de fora.

Não gosto de mexer com o jardim ou, ao menos, acho que não gosto e tenho certeza de que não gosto de podar cercas vivas mas eu ganhei uma caixinha de amor-perfeitos e bom… tinha que replantar as “frozinhas”… aproveitei o sábado de sol e distribui as danadinhas em vários vasinhos. Fiquei tão feliz e satisfeita com o trabalho que acho que vou gostar (ou aprender a gostar) de mexer com o jardim ou, ao menos, de plantar flores. Já penso em plantar girassóis no quintal.

Meus amor-perfeitos! Ou a gente escreve amores-perfeitos? E roupa no varal...

Meus amor-perfeitos! Ou a gente escreve amores-perfeitos? E roupa no varal…

E como sábado sempre foi dia do faxinão lá em casa, eu apenas continuei a arrumação por aqui, lavei as janelas (que em sueco a gente diz att putsa) e decidi que ia instalar a máquina de lavar roupa e lavar roupas. O problema é que compramos a máquina numa promoção online e quando eles vieram entregar não tiramos do pacote no mesmo instante; um dia depois descobrimos que a máquina veio quebrada. Aí o Joel liga para o pessoal da loja, reclama, e nós vamos receber uma nova – que será entregue algum dia depois da 4a feira desta semana. O pessoal do atendimento ao consumidor disse que podíamos instalar e usar a bichinha – porque afinal, é a tampa de cima da máquina que está quebrada – e usar, se o dano aparentemente não prejudica o funcionamento do produto. Instalei e coloquei somente algumas peças para “assistir” o processo. Foi tudo bem durante a lavagem mas na hora da centrifugação o trem degringolou e a máquina começou a dançar feito louca na lavanderia, batendo violentamente contra a parede. Tentei desligar sem sucesso e aí só tirei o contato da tomada mesmo. Já mexi e remexi com os pézinhos da danada, e sei lá se foi o “Samba de uma nota só” que eu estava ouvindo no Spotify que fez a máquina querer sambar, ou se o piso tem caimento (nesses horas eu queria muito o meu pai), ou se foi a pancada que quebrou a tampa do produto que tirou o cesto do centro; só sei que a máquina dança e pula mais do que dançarina de frevo. Resultado: lavei o lençol que aparece aí ao fundo das minhas flores e algumas outras peças; o resto continua no cesto (que está transbordando).

Replantar as flores, pendurar roupa no varal (apesar dos pesares) e comprar uma vassoura de pêlo foram algumas das coisas que fizeram com que eu me sentisse super “dona-de-casa” esse fim de semana, e feliz. Acho que eu sempre quis uma vassoura desde que mudei para a Suécia e nunca tinha visto quando… tcharãmmm: na sexta feira encontrei uma bela vassoura de pêlo na Class Olsson. Falando nisso, eu gosto bastante dessa loja, tem um monte de coisas que as demais normalmente não oferecem (até panela de pressão!) e outras coisas que normalmente não estão na moda, como essa vassoura aí. Eu sei que a maioria do pessoal usa aspirador de pó e eu concordo que é uma mão na roda mas eu odeio aquele barulho contínuo que vem acompanhado com a “modernidade”. Experimente passar o aspirador e ouvir música ao mesmo tempo! Em 5 minutos o seu cérebro está latejando. Assim eu passo a vassoura feliz, ouvindo qualquer melodia e ainda canto junto. Deixo o aspirador para o dia do faxinão quando eu tiver de limpar o tapete da sala de jantar.

Aí que o papel de parede do lavabo está(va) caindo e esse fim de semana uma visita fez um comentário do tipo: “nossa, que banheiro mais anos 70! Imagino que o papel de parede original deva ser alguma coisa com flores (e dando uma espiadinha por baixo do papel decadente) e é! Nossa, ainda por cima verde, como eu havia imaginado…”. Aí eu tive um insight! Se o papel de parede de baixo não estiver tão feio quanto o de cima, vale a pena arrancar de uma vez esse papel descolante e ficar com o verde! Fiz um teste e voilá! Ainda não tirei tudo mas o papel marrom não dá muito trabalho para descolar não – sai bem facinho com um pouco de água, e o mais antigo está sim melhor do que o atual. Ainda vamos trocar a cor da parede porque esse verde florido faz a gente sentir que foi cagar atrás de uma moita. Ao menos eu. Talvez eu acostume, mas precisamos trocar.

Meu banheiro anos 70! E a diferença entre o papel de parede atual e antigo...

Meu banheiro anos 70! E a diferença entre o papel de parede atual e antigo…

No mais tudo vai caminhando devagar. Logo, logo eu vou fazer aquele churrasco que a Joana e a Karine exigiram, ou melhor, assim que eu e o Joel tivermos um fim de semana de folga…

Mas eu aviso com antecedência!

As flores de plástico não morrem…

Se tem uma coisa que marca muito a primavera/verão sueco são as flores. Tudo fica verde e a primeira coisa que explode para todos os lados são dentes de leão – que eu sei que em muitos lugares são vistos apenas como pragas, mas aqui na Suécia dão um toque todo especial para a paisagem. Depois vem os rododendros – tipo azaleias gigantes! – e por fim, as rosas em julho! Ano passado tirei um monte de fotos nas ruas para postar aqui no blog, coisa que nunca fiz…

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Então, quando mudei para o apê recebi a visita da sogra e claro, ganhei flores. Um tipo bem típico de flor de Natal (era dezembro) e uma orquídea. A flor de Natal logo morreu – e isso era esperado. Mas a orquídea também foi – em pouco tempo – e isso definitivamente não era esperado. Orquídeas funcionam muito bem em todos os lares suecos: basta regar com 3 colheres de água uma vez na semana – foi isso que me disseram – e deixar a planta próxima a janela e ela sempre estará bonita. Até conversei com ela, o que não definitivamente não impediu que ela “partisse”.

Depois disso sempre comprei buquês de flores – acho legal ter na casa, ou botões de rosa… até que na semana passada vi umas rosinhas (pés de rosa, não buquês) no ICA. Apaixonei. Comprei um dos vasinhos com maior número de botões, li as informações do frasco e estava muito feliz da vida esperando os botões abrirem. Até mostrei para minha mãe pela web cam, afinal eu tava para lá de entusiasmada com minhas recém adquiridas rosas amarelas.

Hoje elas estão murchas. Reguei e fiz tudo o que o rótulo dizia, mas acho que falta sol. Chove em Gotemburgo.

Lembram daquele filme “28 dias” com Sandra Bullock? Se você tem uma planta e deixa ela morrer não está pronto para ter um relacionamento sério com alguém. Espero que isso realmente não tenha nada a ver, senão lasquei-me. Nunca consegui cuidar de uma flor – nem aqui, nem no Brasil – e não to com vontade de começar terapia…

Comprar flores de plástico está absolutamente fora de cogitação. Acho que não há nada mais deprimente do que flores falsas que ficam empoeiradas e de cor esmaecida com o tempo.

Realmente não gostaria que minha rosa morresse. Alguma dica?