Ai, seu eu tivesse o gênio da lâmpada…

Voltei a procurar trabalho.

Já me frustrei, tendo trabalhado com isso apenas poucos dias, o suficiente para querer deixar de lado.

Há vagas. De certa forma, há muitas vagas: só na minha região, 55 vagas estão abertas segundo o A. Os critérios de admissão não são muito difíceis de se alcançar, ao menos, pelo que parece não deveriam ser. Como eu já comentei em outros carnavais, algumas vagas exigem formação em terapia familiar ou algum tipo de psicoterapia. Ok, eu tiro essas vagas de lado. Vagas que exigem dois anos ou mais de experiência também vão parar numa pasta chamada “não adianta bater nessa porta”. Conversando com alguns colegas de trabalho fui orientada a procurar emprego dentro da área de “ekonomiskt bistånd” (ajuda ecônimica, pra simplificar), que seria a área aonde mais ou menos todo mundo começa e que é mais fácil de entrar. Há nove vagas na minha região, sendo que cinco estão em Göteborg ou cidades próximas. Das vagas em aberto, cerca de 10% são aquelas em que eu posso aplicar…

Não tem como não me sentir pessimista. Eu já vi esse filme antes. Junto comigo devem ter pelo menos mais 80 assistentes sociais fresquinhas saídas da Universidade de Gotemburgo querendo estas cinco vagas. Qual será o currículo da estrangeira que será deixado de lado primeiro?

To tentando ligar para esse pessoal e ver se consigo pelo menos uma brecha para um estágio. Quem sabe assim, eu consigo entrar. Já falei com várias secretárias eletrônicas. Isso é desanimador…

No mais, fico aqui quebrando a cuca pra tentar escrever uma carta de apresentação que faça o pessoal se sentir interessado em mim. Eu já tentei várias versões: falar da minha experiência no Brasil, da minha experiência aqui, falar das duas coisas, só falar que eu sou supimpa; mas acho que não funcionou. Nem fui convocada para uma entrevista. Se eu tivesse um gênio da lâmpada perguntaria a ele o que o pessoal tá afim de ler numa dessas cartas de apresentação, porque eu tenho carisma e se fosse chamada para uma entrevista teria grandes chances.

Alguém aí do outro lado tem um gênio disponível? Prometo devolver em 24h.

Leia antes de perguntar #03

Pra tentar retomar a rotina, vou responder a pergunta da Paola a respeito do mercado de trabalho na Suécia (e outras coisiquinhas que vou responder no e-mail) porque assim como ela, outras pessoas me escrevem perguntando como é que anda o mercado de trabalho na Suécia em geral ou em específico (dentro de uma categoria profissional).

Há algum tempo atrás eu publiquei o post “eles sonhavam com um trabalho na Suécia…” e acredito que é importante que todo mundo que está de olho em um visto de trabalho na terra dos vikings leia o post e esteja ciente de que a coisa aqui não anda tão colorida. A crise européia continua e a movimentação de pessoas dentro das fronteiras do velho mundo também. Além disso, assim como muitos brasileiros, muitos europeus veem a Suécia e os outros países escandinavos como sociedades mais organizadas e iguais e querem mudar para cá ainda que o país deles não esteja em “crise”; e eles tem, como eu já repeti muitas vezes, algumas vantagens em relação ao pessoal que não tem cidadania européia.

Falando nisso, peço licença para abrir um parênteses: algumas pessoas escrevem perguntando se o fato de eles terem cidadania italiana, alemã ou qualquer outra cidadania européia ajuda na hora de conseguir um emprego. Sinceramente, eu não sei, e chuto que isso depende do que você está procurando e qual a visão do empregador/empresa a respeito disso. Talvez você tenha cidadania européia e esse seja o empurrãozinho que faltava para eles se decidirem por você ao invés de um nativo. Ou não. Talvez o fato de você ter cidadania européia não significa nada por que você não se encaixa no perfil que eles querem e pronto.

O Arbetsfömedllingen – sim, o famoso A, aquele com quem eu vivo me frustrando – tem uma ferramenta no site chamada yrkeskompassen (bússola profissional, numa tradução livre) pela qual você pode realizar uma pesquisa para descobrir o quanto é que a sua área está saturada ou não de profissionais, baseada num gráfico que mostra o quanto difícil é encontrar emprego dentro de uma determinada região. Bom, desde janeiro eu to procurando emprego como assistente social e nem fui convocada para uma entrevista. Contando que nos meses de junho e julho eu não procurei nenhuma vaga, digamos que após 4 meses de busca ativa de emprego eu só recebi nãos. Agora eu vou mostrar para vocês o que é que diz o yrkeskompassen a respeito da profissão assistente social:

No gráfico, as áreas mais claras representam a menor concorrência, e as áreas escuras, maior. Göteborg se localiza dentro da área laranja no segundo gráfico.

No gráfico, as áreas mais claras representam a menor concorrência, e as áreas escuras, maior. Göteborg se localiza dentro da área laranja no segundo gráfico.

Meu termo de pesquisa foi “socionom” (pessoa que tem graduação em Serviço Social na Suécia tem esse título) e eu escolhi a categoria socialsekreterare (assistente social) uma vez que a pesquisa também mostra resultados para o cargo de kurator (profissional do serviço social que trabalha nas escolas, hospitais e outras instituições).

Segundo a bússola do A, o nível de concorrência dentro da minha profissão na minha região é médio (e eu estou procurando trabalho há meses). Claro que essa não é uma ferramenta com 100% de garantia, mas serve para se ter uma ideia. Além disso, a ferramenta nos dá algumas informações complementares como: o número de assistentes sociais/curadoras desempregadas nas regiões de Västra Götaland (Göteborg) e Halland (Halmstad) é baixo; a concorrência dentro da profissão tem crescido; o número de vagas de trabalho em aberto não tem sofrido uma mudança significativa nos últimos anos.

Além disso, na mesma página da ferramenta de busca é possível dar uma espiada no yrkesprognos (prognose profissional) que serve para dar uma ideia de como o mercado pode estar daqui a um ano ou mais, segundo as expectativas atuais. Para o meu caso (assistente social) a coisa não muda muito, e eles explicam que o fato se dá devido à profissão estar intimamente ligada aos aparatos do Estado.

Infelizmente, o yrkeskompassen não mostra qual são os grupos onde o desemprego (segundo a profissão) é maior, mas o SCB sim. Segundo o SCB (statistiska centralbyrån), estrangeiros podem levar até 7 anos para conseguir um emprego dentro da área em que eles são formados/graduados. Há sempre exceções, como por exemplo, a Fernanda que mora em Helsinborg e que após 2 anos e tra-lá-lá na Suécia conseguiu um emprego dentro da área dela (leia mais aqui). Acho importante frisar também que eu moro na Suécia, tenho visto e falo (porcamente) a língua. Quem está de fora tem de providenciar o visto e aprender a língua, então eu repito: acho mais fácil tentar vagas dentro de empresas, onde você precisa inglês, como vagas de liderança/gerência ou, ainda, dentro das áreas de tecnologia e informação.

E o que tudo isso tem a ver com a pergunta da Paola? Ora bolas, eu não tenho todas as informações pertinentes a Suécia só porque moro aqui mas eu sei onde encontrar e estou contando para vocês. Obviamente, o site se apresenta todo em sueco mas, com a ajuda do Google translator dá para ter uma boa ideia daquilo que você quer.

Só vou dar um exemplo: joguei no GT a palavra enfermeira.

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Depois vou no yrkeskompassen (acessando o link que deixei acima ou a página do A – http://www.arbestsförmdlingen.se – no rodapé da página [bem abaixo] existe a opção arbetssökande e nessa lista você clica em Jobbet och framtiden) e digito a palavra que consegui.

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Ele me deu vários resultados, afinal, enfermeira podem ter diversas especializações. Nesse caso, é só procurar algo que tenha “grund” no meio, pois grund significa base ou indica o geral. E… voilá!

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Pronto. Clicando sobre o mapa ele mostra os resultados para cada região. Agora é só usar o GT de novo. O mercado de trabalho para enfermeiras na Suécia parece muito bom; mas eu sempre ouço elas reclamarem no rádio dos baixos salários e da falta de reconhecimento da profissão. O mundo não é perfeito.

Divirtam-se!