Salada de frutas #02

Dá impressão que o blog tá de férias né? Mas não está – e nem eu. É só que às vezes não dá mesmo tesão de escrever. Por exemplo: eu to em outra cidade (Halmstad) e podia contar a história do lugar e tals (que todo mundo encontra no Wikipédia), postar umas fotos – ou não (pois ainda não resolvi o problema com a máquina fotográfica)… mas só e simplesmente não rola.

Começou a chover. E eu sempre falo do tempo aqui no blog. Isso às vezes quase que me irrita! Parece conversa mole – do tipo será que chove? E o outro: pois é… parece né? Bom, aqui na Suécia a coisa rola assim: será que chove? E o outro: Mais cedo ou mais tarde… O que eu quero dizer com todo o bla bla bla é: leve sempre um casaco, não importa quantos 28 graus C estejam fazendo agora. Desconfie do céu totalmente azul e sem nuvens, isso significa apenas que  não chove no exato momento. Outra coisa importante: céu azul e sol não significa calor, mesmo no verão: tenha um termômetro em casa para saber a temperatura, consulte o app do seu smartphone ou ponha o pé fora de casa antes de sair de casa pelada. Não vá na onda das suecas porque elas usam shorts a partir dos 15 graus C – quando eu ainda estou com, no mínimo, jeans e uma boa blusa.

Falando em shorts preciso fazer um comentário maldoso (pena que minha máquina fotográfica…!): cheguei a conclusão de que os shorts suecos (ou da moda) são menores do que as calcinhas modelo sueco (ou europeu). A maioria das moças saem na rua mostrando a polpa da bunda – a cintura ainda é centro peito – mas o comprimento do short deixa qualquer funkeira parecendo uma “oma” (vó em alemão), ou melhor, uma “tant” (senhora, em sueco). A questão que não quer calar: com a calcinha do tamanho que é (de “senhora”), como é que não aparece? E precisa ouvir com que “horror” elas falam dos biquínis espanhóis e brasileiros: não pode ir na praia com um “mini” biquíni, mas passear no shoping com meia bunda a mostra, no problems! Vai entender!

Hummm eu sei que sou eu que estou soando como uma “tant” agora, mas eu não pude me conter!

Sinto que entrei numa fase em que estou afinando o meu sueco. Às vezes é difícil lembrar todas as regras que eu estudei, mas quando estou com as pessoas certas sou lapidada a todo o momento. Bom e mau. Às vezes descubro que coisas que repeti um milhão de vezes, repeti um milhão de vezes errado, criei como que um vício e preciso de força e concentração para quebrá-lo. Resultado: fico exausta! Parece que meu cérebro não tem um minuto de descanso e agora – na maioria das vezes que falo português – estou pensando/ traduzindo mentalmente para sueco… pá! Ninguém merece!

Esse é mais um dos motivos pelo qual o blog é importante para mim. Quando eu estive no Brasil em janeiro todo mundo (em especial a Ana) caiu na minha carne porque eu estava falando português errado. Fico pensando nisso quando eu converso com a Vânia (eu falo errado?)… praticar português é a saída!

Ou eu ando escrevendo errado sem pensar também?

 

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Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #17

Esses dias me peguei pensando que não tenho ideia se os “episódios” de “Pequenas grandes coisas da minha vida sueca” estão numerados corretamente… Ainda não conferi, e se de repente o próxima capítulo for o número 33 não se assustem!

Ainda com relação ao blog, gostaria de pedir de novo para os leitores deixarem um coments sobre o novo tema/aparência/layout. Nem percebeu que o tema mudou? Legal, isso significa que meus textos são tão fascinantes que nem deixam que o leitor percebam qual a moldura… hahahaha! Eu to insistindo nisso porque é muito difícil eu receber críticas negativas aqui no blog – é sempre: seu blog é muito engraçado, você escreve muito bem, que linda sua história, que linda você é… ahh! Eu sou super né? Não que eu deseje que apareça alguém para furar os meus olhos e esmagar a minha auto estima, é que também é muito legal quando alguém deixa feedbacks construtivos. Pode ser, por exemplo, assim: Oi, adoro o seu blog mas…

Estou com saudades pacas do Brasil. Não do Brasil-Brasil, mas parafraseando a Maíra Albuquerque (menina, adorei o que tu escreveu sobre isso no Facebook!) TO COM SAUDADE DO MEU BRASIL! Sim, leitores de Maripá-Paraná, morro de saudades dessa “vila”, do leitE quentE esquenta a gentE, churrasco e bla bla bla etc e tal. Já escrevi isso aqui tantas vezes que até parece ladainha de missa, mas acredito nunca ser demais repetir que, apesar de ser uma princesa morando em um reino, minha vida não tem nada de conto de fadas. Esses dias me bateu uma saudade enorme de salão de beleza!

Por exemplo, é uma questão de senso comum que todo mundo que muda para a Europa começa a viajar mais; e isso está certo. Faz parte do mesmo senso comum que o viajar mais está relacionado a ficou rico; e isso está errado. Não posso dizer que meu salário é igual ao que eu ganhava no Brasil, porque não é. É maior o salário e o custo de vida também: aluguel custa no mínimo o dobro (triplo ou quadruplo se calcular pelo tamanho do apê que você ta alugando), a gasolina a R$4 pilas o litro e fazer uma obturação no dentista sai por no mínimo R$250 (por cárie, não por dente). Uma das primeiras coisas que a gente nota por aqui é a enorme quantidade de gente com dentes amarelos e tortos: amarelos por conta do “snus” e tortos porque eles preferem viajar a ter um “sorriso colgate”. Não tenho cárie e meus dentes são perfeitos, já meu cabelo…

Já reclamei em alto e bom tom – inclusive dediquei um post inteiro a esse “problema cabeludo” –   que os produtos para cabelo aqui – além de caros – simplesmente não combinam com meu humor: eu compro, uso duas ou três vezes – e meu cabelo fica bonito, a partir da quarta vez volta a paiosidade de sempre… Minha longas madeixas estão tão secas que não posso usar meu cabelo solto! E qualquer hidratação que você escolha num salão meia boca aqui custa no mínimo 300 pilas (por causa do tamanho do meu cabelo). A equação aqui se torna a seguinte: gastar 300 pilas para arrumar o cabelo ou comprar uma viagem de 3 dias para a Espanha pelo mesmo valor?

Fomos convidados para dois casamentos – os dois em agosto – e desde abril to procurando algum vestido bonito para a ocasião. Difícil, porque a moda sueca não caiu no meu gosto principalmente devido a questão das cores serem muito pastel. Agora no verão as vitrines deram uma colorida legal num movimento que eu nomeei de “restart sueco”: azul royal, rosa choque, verde limão, amarelo e laranja de trabalhador de rodovia… mas tudo o que é formal e festa tem as cores de sempre. Suecos tem um medo danado de estampas também, então o que você mais vê por aqui é o xadrez e listrado, qualquer coisa fora disso é muito simples, tipo verão, ou muito louca, tipo uma coisa para usar numa balada ou o quê, quando sua intenção é aparecer.

O tamanho europeu também é cruel com meu corpito: o 34 fica bom no busto, o 36 no corpo e o 38 na bunda. Com o 34 o busto fica perfeito, a questão é apenas quanto tempo eu aguentaria sem respirar ou respirando moderadamente – sem contar que eu pareço ter uma bunda de tanajura… O 36 fica um pouquinho grande nos seios, mas acho que daria para disfarçar legal usando dois sutiãs; ok no corpo mas a bunda ainda fica marcada demais. Se eu comprar o 38 fica mais ou menos legal na cintura e não marca tanto a bunda, mas então tenho de comprar enchimento para os seios. A maioria dos vestidos que não acompanham o corpo são bem esvoaçantes e cheios de “rabos” (como diria a minha mãe): um lado é mais comprido, ou atrás é mais comprido que na frente, ou o modelo tem várias pontas… Que saudade dos meus vestidos sob medida, lindos e floridos feitos pela minha mãe!!!

A vida é dura não?

To cansada pacas, trabalhei todos os dias no mínimo 5 horas desde a terça feira passada, e hoje ainda tenho que ir para a escola porque vai rolar a apresentação do curso de sueco do próximo semestre. Sorte que é o último curso que eu tenho que frequentar, porque mudaram minha escola lá para o caixa prego – 30 minutos de trem – e não me deram chance de trocar para uma escola mais perto daqui – apesar de ligar direto para o Vuxutbildning e chorar as pitangas.

Ta rolando a Euro Copa e com isso matei minha vontade de assistir futebol. Sério, adorei perder 90 minutos olhando um monte de homens correndo atrás de uma bola. Assisti Portugal e Alemanha (0x1), Itália e Espanha (1×1) e Suécia e Ucrânia (1×2). A Suécia perdeu depois de uma virada espetacular da Ucrânia, e eu percebi que mesmo num país que não tem no futebol um time forte e nunca ganhou uma Copa do Mundo que o pessoal pára tudo para assistir, compra camiseta, vai para os bares, torce, vibra e fica triste porque o único cara bom de bola do país (Zlatan) não consegue levar o time nas costas afinal. Apesar disso tudo, ninguém fala de outra coisa e realmente acredita que o time furreba da Suécia pode bater a Inglaterra na próxima sexta.

O otimismo sueco é mesmo inacreditável…

Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #04

A Ana sempre me xingou que eu não dava bola para a moda e muitas vezes ela foi curta e grossa afirmando que eu me visto mal. Nunca dei bola. Mas às vezes o que sinto quando saio com o Joel como é que eu vesti alguma coisa errada, primeiro porque às vezes eu passo frio pacas e segundo porque eu sempre pareço o ET da festa.

A moda sueca é meio anos 60. Não, não estou me referindo ao estilo e sim a cor: parece que você tá vendo um filme em preto e branco. Tá bom, pode incluir marrom e todas as cores sóbrias, mas é fato de que ninguém sai muito colorido e que a predominância aqui é o preto. Esses dias eu estava ouvindo um programa chamado “Ring P1” (Ligue para P1) numa rádio popular que deixa um espaço aberto para que as pessoas comentem algo que acreditam ser importante e um cidadão de Stockholm ligou pedindo para que as pessoas parem de usar preto. “É tão formal, como se todos estivessem em um enterro. Podemos ter um inverno mais colorido”, ele falou (ou alguma coisa como isso – foi o que entendi). Blá blá blá, achei super interessante que não são apenas os imigrantes que pensam que é estranho ter um visual negro constantemente.

Enfim, não me animo muito a fazer compras devido a falta de variedade de cores “quentes” e porque eu ainda não aprendi, em 6 meses, a me vestir em “camadas”. Acho essa expressão muito legal e quem usou ela comigo a primeira vez foi a Helena. Eu não entendi o “vestir-se em camadas”, e acho que só vendo mesmo para ter uma ideia, mas o princípio é colocar um monte de roupas no corpo. Primeiro vai um top, daí uma camisetinha mais comprida, daí um casaco tipo mais largo e uma jaqueta ou outro casaco maior ainda. Parece ridícula a descrição não é? Na minha humilde opinião, o resultado é mesmo estranho: calça de moleton vai com jaqueta de couro e bota numa boa, mas usa um vestido colorido e todo mundo te olha como se…

Ainda assim algumas coisas eu não poderia deixar para trás, como o casaco de inverno (que eu ganhei da família do Joel – Tack Per, Florence och Fredy), botas de borracha e uma touca – porque perdi a minha no spårvagn; sorte que a cabeça… Ainda falta a bota  ou sapato de neve, mas como ainda não temos temperaturas negativas (fica nos 10 graus C a média) e neve, vai de boa com tênis mesmo. Comprei um super casaco na sexta, a prova de água, vento, tempestade de neve, incêndio, ataques terroristas, fenômenos sobrenaturais e extra terrestres – mesmo porque agora eu não vou mais parecer tão estranha… Ok, de fato o casaco é a prova d’água do tanto que eu posso rolar na neve e ainda ser feliz e quentinha.

Acho que essa é uma coisa para a qual eu nunca prestei atenção antes e é tão óbvia: manter-se seco é importante para manter-se quente. E chove pacas nessa Suécia de meu Deus, tanto que até com as botas de borracha acabei me molhando esses dias. Eu comprei botas azuis, mas aqui você encontra de todas as cores – e até de flores, aquelas botas de borracha mesmo, no estilo que o colono usa para trabalhar com porcos e galinhas e vacas… – e é caro, porque todo mundo precisa e quer e porque é moda. Sim, é moda ter botas coloridas. Alguém, enfim, ouviu o cara de Stockholm!

O problema maior de todos são as calcinhas suecas. Eu estou sobrevivendo com o que trouxe do Brasil (eu comprei um monte porque sabia que era estranho aqui), mas tem dias que eu fico decepcionada de não poder comprar essa coisinha tão imensamente necessária na vida de uma mulher. Calcinha bonita dá um gás novo na gente, é antidepressiva! Pelo menos para mim. A questão é que gosto de calcinhas confortáveis. E as lojas suecas oferecem duas opções: o modelo fio cheiroso ou a calçola da vovó. Não há – que eu tenha visto – um meio termo. Nem existe aquele fio dental com um pouco de pano, só aquele sem pano nenhum atrás! Certo, mas quem precisa de calcinhas quando tem um casaco grande, novo, vermelho e quente? Brincadeira, eu preciso!

Que venha a neve!!!