Inimigo público número 1

Dias desses a Jose (Enfim Suécia) me disse que agora que eu moro numa casa eu poderia fazer – ou tentar fazer – um comparativo entre morar em casa e/ou apartamento na Suécia. Achei a ideia muito bacana e vou trabalhar nisso mais adiante porque na verdade ainda é cedo para eu poder falar alguma coisa.

Mas aproveitando o gancho posso afirmar com certeza que – tanto para quem mora em apartamento como para quem mora em casa – o maior problema e dor de cabeça que pode acontecer é a descoberta de que você não é o único organismo vivo que habita a sua residência. Eles são pequenos, se reproduzem silenciosamente e na maioria das vezes, quando são descobertos já formam uma grande colônia. Não, a Suécia não tem baratas (há controvérsias) e as aranhas daqui são aquelas inofensivas, do corpo quase invisível e das pernas compriiiidas… os hóspedes indesejados a que me refiro são os fungos (mögel – möglet)!

Lidar com esses tipo de problema é uma merda, principalmente se você morar numa casa, simplesmente porque a casa é sua e os problemas que acontecem na casa são só seus. No caso do apartamento, mesmo que você seja o proprietário do apartamento vai dividir o problema com o proprietário do edifício, ainda mais se o problema de fungos não for apenas no seu apartamento.

Nunca morei em apartamento no Brasil e não sei quais as regras que rolam (quem paga o quê) quando há problemas no edifício e por isso para mim as regras do mercado imobiliário sueco são bem confusas; mas eu vou tentar explicar o que eu quero dizer com essa história de dividir o problema com o dono do edifício: se você compra um apartamento você compra na verdade o direito de morar naquele endereço e a possibilidade de mudar o que você quiser dentro daquelas quatro paredes. Da porta para fora (corredores, escadas, elevadores, hall, lavanderia) o dono é outro; ou seja, há alguém que é dono do prédio e é responsável pelos problemas que acometem o edifício como um todo (como eu falei não sei como a coisa funciona no Brasil… é assim também?). Se você aluga um apartamento a lógica é a mesma – com a exceção de que você não tem o direito de fazer reformas ao seu bel prazer; existe alguém que é o dono do seu apartamento e do restante do edifício para o qual você paga o aluguel e esse mesmo alguém é responsável por arrumar as coisas que estragam dentro do seu apartamento. Esse alguém pode ser uma pessoa privada ou uma empresa.

O caso é que nem sempre é possível ver os fungos de uma vez pois eles se proliferam como um câncer dentro da parede, na maioria dos casos quando é possível vê-los do lado de fora a vaca foi para o brejo há tempos. As paredes na Suécia são sempre grossas e recheadas de fibras que irão fazer o isolamento (principalmente as paredes que sustentam a casa/apartamento) e uma vez que as paredes ficam úmidas cria-se uma oportunidade perfeita para o aparecimento dos fungos.

Isolamento - ta vendo até os canos são isolados? Tudo para prevenir umidade... (fonte: google)

Isolamento – ta vendo até os canos são isolados? Tudo para prevenir umidade… (fonte: google)

A situação lá dentro estará assim antes de você enxergar assim...

A situação lá dentro estará assim antes de você enxergar assim… (Fonte: Google)

Portanto, quem mora em apartamento e descobre que tem hóspedes indesejados nas paredes tem problemas e com certeza vai sofrer um bocado com doenças respiratórias até que o dono do edifício seja convencido a investir uma bolada e acabar com o caso. Não raro o dono ou inquilino do apartamento também tem que desembolsar algum dinheiro nesse processo. Já se você mora numa casa…

Fungos causam doenças respiratórias e alergias e por isso tem que ser exterminados. Ter fungos nas paredes é praticamente ter um furo nos bolsos: tem que se contratar uma firma especializada que encontra o centro da colônia, abre as paredes e use uma espécie de dedetizante de fungos. Dependendo do grau de infestação você terá de trocar – além das fibras de isolamento da casa – paredes inteiras pois se o fungo já está intrincado na madeira você pode matá-lo mas a chance de re-infestação é muito grande – nesses casos a troca das tábuas ou placas infectadas é uma medida de prevenção. Essa brincadeira custa no mínimo 10 mil coroas (cerca de 3.500 paus) se você tem sorte de “detectar o tumor” no início e tem condições de resolver o problema sozinho. Em caso contrário, o céu é o limite pois você terá que pagar a firma de dedetização e a reforma da casa.

Para evitar esse tipo de transtorno há que se ficar alerta a toda e qualquer situação que deixe as paredes úmidas – com exceção do clima, já que não se pode fazer nada contra isso (o clima na Suécia já é um agente que contribui e muito para a proliferação de fungos porque chove muito, é sempre frio, e o que está molhado nunca seca), e tomar medidas preventivas como pintar a casa com tintas isolantes, ficar atento ao aparecimento de bolhas de ar que levantam das paredes ou da tinta, dar uma atenção especial ao porão da casa e nunca lavar paredes (de fora) com (muita) água (jamais usar água para a limpeza das paredes dentro de casa. No máximo um pano úmido é permitido – a não ser no banheiro, obviamente). E mesmo que não exista um porão na casa, se há um espaço entre o assoalho e o chão esse espaço também tem que ser controlado periodicamente com o uso de um aparelho que mede a umidade (fuktig) do ar dentro do espaço. Se a umidade do ar está alta então é utilizado um aparelho para secar o ar (avfuktigare).

Nessa dança toda até as calhas e o sistema de coleta da água da chuva é importante… mas essa história – que vai me render enormes buracos ao redor da casa – eu conto na semana que vem.

Vi ses!

Todo dia ela faz tudo sempre igual…

…me sacode as seis horas da manhã,
me sorri um sorriso sensual e me beija com boca de maçã!
 

Eu gostaria muito que essa fosse a melodia da minha vida, ao menos de segunda a sexta – com exceção da parte das seis horas da manhã porque, convenhamos: com frio e chuva tem coisa melhor do que ficar na cama e dormir até cansar de ficar deitado?

Entrei numa rotina meio louca (de novo) porque vamos viajar e três semanas de Brasil significam três semanas sem ganhar dinheiro. Não fiquei mais capitalista depois que mudei e nem to pensando apenas em grana, mas como eu trabalho por hora recebo as férias antecipadas (ou não, eu decidi guardá-las para quando eu quiser sacar a grana, ou seja, para pagar as despesas do casório). Trabalhar por hora significa uma maior flexibilidade – eu posso sair agora sem perder o trampo e sem maiores problemas do que organizar minha agenda de forma que as pessoas com quem eu trabalho não fiquem na mão enquanto eu saio… mas eu não tenho “férias pagas”, aquela coisa que me foi tão natural nos meus 5 anos de prefeitura.

Eu não tenho saudade do meu trabalho na prefeitura, fico feliz pelo tempo que passei lá e por tudo que aprendi, mas trabalhar no governo brasileiro exige um estômago de avestruz, daqueles que digerem qualquer coisa como pedra, sapos, lagartos e merdas metida goela abaixo. E me acreditem, há muito o que ser engolido quando se é assistente social em início de carreira (em qualquer profissão em início de carreira há, eu acredito, mas não posso afirmar com segurança a não ser com relação a minha própria experiência). Mas enfim, sinto falta da rotina: acordar as tals horas e sair para o trabalho, terminar as x horas e voltar para casa tendo o fim de semana livre, isso é definitivamente uma coisinha que me faz pensar…

Por exemplo, na quinta trabalhei 5 horas em um trampo e 4 horas no outro (com intervalo de 3 horas entre cada), trabalhei 8 horas na sexta (isso é bom) mas 10 horas no sábado (começando as sete da manhã, o que significou acordar as 5 porque horário de ônibus e trem no fim de semana é diferenciado), e mais 8 horas no domingo (de novo começando as sete…). Hoje trabalho 4 horas (entre 16 e 20h30), amanhã 9 horas, na quarta seis horas e quinta… aff, cansei de explicar.

Todo esse papo deve fazer (ao menos) com que algumas pessoas tenham dó de mim e pensem puxa que confusão! Tadinha dela não? O blog dela é tão legal e ela é tão esforçada… Outras vão pensar que aff, isso não é nada: eu morava em São Paulo e pegava 6 ônibus diferentes para chegar ao trabalho, trabalhava como um cão o dia todo e tinha que pegar os mesmos 6 ônibus para voltar para casa, ganhando uma ninharia por mês…

Não quero que ninguém tenha dó de mim. Só penso que seja importante (sempre quero frisar isso no blog) que morar fora do Brasil significa ralar também. Ganhamos um bom salário? Sim. O transporte funciona melhor e é mais limpo e tranquilo? Sim. Vivemos com mais segurança? Ao menos em Göteborg, sim. Não sou uma mártir, definitivamente, e quem escolheu trabalhar fui eu, quem me candidatou a esse tipo de trabalho fui eu e é isso que eu faço todos os dias (inclusive sábado e domingo) quando eu não estou na escola ou sorrindo lá de uma linda fotinha tirada de Algero… caracas, isso foi em julho!

Recebo e-mails de gente que me pergunta como conseguir um emprego/trabalho na Suécia e eu não sei o que dizer, mas ter inglês fluente (ao menos) é um bom ponto de partida (afinal…). Preparar um bom CV, assim como você faria no Brasil. O que você faria para ter um bom trabalho no Brasil? Estudaria? Acho natural que as pessoas tenham o sonho de conhecer o mundo, mudar para os países que a gente assiste nas reportagens de tv e que tem uma sociedade tão distinta e interessante. Ganhar mais dinheiro (não há nenhum problema com isso) e viajar mais… mas, pelo menos no Brasil em que eu cresci isso não é assim tão impossível, a questão é aplicar energia no que você quer. Não é impossível conquistar um bom emprego no Brasil e desfrutar do dindim. A principal diferença é que no Brasil aprendemos a emprestar dinheiro primeiro (para a casa, o carro ou uma viagem), trabalhar e pagar depois. Aqui o povo aprende a trabalhar e guardar dinheiro (para a casa, o carro ou a viagem) e aproveitar o bem escolhido depois.

Eu tive que entrar nessa bonitinha também. Eu quero ir para o Brasil, muito bem, então eu tenho que saber quanto custa a passagem e quanto custa morar lá durante o tempo em que ficarei. Tenho que trabalhar, guardar o dindim para passagem, para a estadia no Brasil (mesmo ficando na casa dos pais…) e para o período pós Brasil, quando eu não vou ganhar salário porque eu não trabalhei 3 semanas. Se o meu trabalho é meio louco com horários esquisitos, tenho duas opções: melhorar meu CV para conseguir coisa melhor ou melhorar meu CV para conseguir coisa melhor. Estudar (melhorar o inglês e o sueco), adquirir experiência e boas referências.

Se você que tá lendo o post quer trabalhar na Suécia, na Europa ou simplesmente fora do Brasil, comece fazendo com que seu CV seja atraente. Seja um expert naquilo que você faz… Papo de palestra motivacional? Talvez! Mas sendo ou não a realidade é que esse é o primeiro passo para conseguir um trabalho em qualquer lugar, dentro ou fora do Brasil. E tenha um pé de meia.

Afinal, trabalho aqui é trabalho assim como em qualquer lugar do mundo. E acabou o meu recreio…

Essa tal adaptação…

Esse fim de semana fiquei folgada em casa. Deixei um tempo para mim, resolvi me curtir acima de tudo. Eu li esse post aqui da Wilqui Dias e comecei a refletir um pouco sobre a minha própria situação… em resumo: será que eu vivo mais no virtual do que no real?

Fato é que é muito, mas muito mais legal ficar por aqui (blog, facebook, e-mail), falando com gente como a gente (estou sendo bem caipira agora, ok?) do que encarar algumas atividades do mundo real. Por exemplo: sexta a noite fomos dançar salsa com mais dois casais amigos e… eu me sinto um peixe fora d’água, eu sou a pessoa estranha do grupo. Não porque alguém me trate diretamente assim, mas porquê eu não to seguindo a conversa, porquê eu me sinto feia para caralho em roupas suecas (e quando uso roupas que trouxe do Brasil não ajuda muito também), porquê tá todo mundo falando de um assunto que eu não posso acompanhar (não tenho nada o que acrescentar) e porque de repente eu sinto que meu cérebro parou de trabalhar em sueco e volta para o português.

Eu não tenho o mesmo problema quando estou no meio de brazucas: não importa como estou vestida, não importa do que estamos falando (a Vânia bem sabe que o mais difícil então é me fazer ficar de boca fechada!), só e simplesmente não importa o exterior porque eu me sinto tranquila, bem, confortável – estou em casa, digamos assim. Sábado fui testar capoeira com um grupo de brazucas daqui e puxa, me senti tão bem, dei muita risada, fiquei feliz. A noite veio um povo (sueco) assistir filme em casa com a gente e eu… sei lá, parece que tenho que colocar o modo “lagom” em on e dai… lacou-se: não fale alto demais, não ria alto demais, não seja intrometida, não seja machista, não seja amante de carnes e açúcar, não goste de massa branca…

Tenho problemas com essa questão do politicamente correto sueco. Encontrei tanta feminista chata logo que mudei que cheguei a conclusão de que era machista. Sofri um monte porque me descobri uma mulher machista na Suécia e no fundo no fundo, também sou feminista; a diferença é que não sou chata nunca tive problemas com meu pai e não sou ativista. Sou a favor dos direitos das mulheres, da igualdade entre os gêneros, ao respeito ao corpo da mulher, do combate a violência contra a mulher mas não fico pregando isso e apontando o dedo na cara de outras pessoas e avaliando o quanto feministas elas são ou não devido ao tipo de sociedade em que foram criadas. Além dessa questão, não raro escuto piadinhas do tipo: a Maria é contra os vegetarianos porque ela adora carne. Sim, eu amo um bom pedaço de bife, mas não tenho nada contra vegetarianos e veganos, tanto que, se eu tivesse um pouco de disciplina entraria numa vibe dessas pelo menos por um ano só para reeducar minha alimentação. Convidei uma amiga vegano para um fika aqui em casa e fiz um bolo de chocolate sem leite e sem manteiga para a gente, e foi gostoso. Sem falar que os próprios vegetarianos/veganos nunca ficam me azucrinando por gostar de comer carne.

Ainda assim eu me sinto um elemento errado no meio de um cultura perfeita… Daí eu fico pensando no post da Wilqui, ainda, e me pergunto: será que se eu não tivesse tantos contatos brasileiros, o blog, um mundo virtual “mais interessante”, seria melhor? Seria mais fácil? É a questão da língua que me deixa a margem do grupo? Meu não ativismo social (pela paz do mundo, o direito das mulheres, a conservação do meio ambiente, o direito dos animais)? Minha falta de conhecimento sobre política sueca? É porque eu gosto de carne vermelha mais do que de peixe? É porque gosto de de gordura e de açúcar? E ainda por cima não pratico um exercício físico regularmente!

Afinal, eu tenho que deixar tudo isso para me adaptar? Eu tenho que “virar” politicamente correta para ser aceita por aqui? E/ou, até que ponto eu estou me excluindo porque gosto mais do meu outro mundo?

Isso tudo e eu nem estou com TPM.

Guest post: Estudar na Suécia

Guest Post  By Bianca Ayres

Dei uma olhada nos termos de busca que levam ao blog (um assunto sempre interessante) e percebi que tem muita gente que vem parar aqui procurando por informações sobre os tipos de visto para a Suécia. Como eu tô cansada de contar a minha história e já esgotei todos os detalhes dela, pedi para uma das leitoras do blog se ela gostaria de contar a sua experiência por meio de um guets post e ela topou!

Apresento a vocês Bianca, uma guria super inteligente (ela faz doutorado em química!) que está morando em Lund, no sul da Suécia. Porque e como ela veio parar aqui deixo vocês descobrirem por meio do texto dela:

Olha só a Bianca em frente a igreja característica de Lund!

Olá, eu sou Bianca, 27 anos e cheguei em Lund no início de setembro! Sou engenheira bioquímica, estou no terceiro ano de doutorado em Engenharia Química na UNICAMP e vim desenvolver uma parte do projeto (sanduíche) na Universidade de Lund, no Kemicentrum-LTH! Escolhi aqui porque é um centro de pesquisa especializado na mesma área de trabalho (biocatálise).

A partir dessa intersecção de interesses, minha professora e eu entramos em contato com o professor daqui para fazer uma parceria! Ele prontamente respondeu e solicitou um resumo do projeto. Ele aceitou e iniciamos o envio do projeto a agência de fomento. No meu caso, este estágio no exterior foi solicitado a FAPESP, mas o Brasil também tem o Ciência sem Fronteiras que está facilitando quem tem essa vontade. A Suécia também oferece bolsas a estrangeiros através do Study in Sweden (clique para acessar o link), mas eu perdi o prazo final de submissão pois guardei na memória que era março, e na verdade foi dia primeiro de março! Outra opção de bolsa também por meio do mesmo site sueco é o programa Erasmus Mundus, cujo prazo varia a cada ano, mas geralmente no segundo trimestre.
A FAPESP aceita a submissão em português, mas para facilitar o acompanhamento pelo professor sueco, tudo foi tramitado em inglês!
Há casos de trâmites de pós graduação sanduíche em que o professor demora um pouco para responder e aceitar, mas eu tive sorte do escolhido ser bastante prestativo e organizado! Ele precisou me enviar 3 diferentes “Invitation Letter” a cada momento que a FAPESP solicitou (submissão de projeto e aceite da concessão) e quando a Imigração solicitou. Além disso, uma das vias de duas mãos é que um estudante de Lund tem de ir para o Brasil para fazer um estágio por lá!
Com tudo aprovado, iniciei a solicitação do visto: a submissão pode ser online pelo website Migrationsverket e há opções para quem pretende trabalhar ou estudar, este último foi o meu caso.
Nesta inscrição fui questionada sobre o motivo de escolher a Suécia, qual a agência de fomento, qual a universidade pretendida e o orientador sueco responsável com o respectivo contato. Foram necessários os documentos que comprovem o prazo e o valor da bolsa proveniente da agência financiadora e também a carta de aceite do professor sueco (Invitation Letter) com o valor mensal requerido para se viver na cidade, o tempo previsto de permanência e a confirmação de que a bolsa aprovada será suficiente (mesmo que os números já indiquem isso, posteriormente me pediram para que esta carta fosse complementada).
Consta no site que é necessário ir a Embaixada sueca para coleta de impressão digital e obtenção do cartão de visto, porém no Brasil há exceção para quem mora longe da capital ou tem dificuldade de ir, pode optar pela retirada do “Residence permit to Sweden granted” no consulado mais perto após a aprovação do visto. A embaixada requer até 2 meses para informar a decisão, porém alguns casos podem ser resolvidos mais rápidos dependendo da transparência dos documentos fornecidos. Ao preencher a submissão é gerado um boleto com a taxa consular de 1000SEK (julho/2012) com um prazo de dois dias para ser pago, senão a submissão será descartada.
Após concluir a submissão e o pagamento, chegará em seu email a confirmação com um check number. Passaram alguns dias e eu queria acompanhar o andamento, pois pelo site existe essa opção, porém o check number recebido não servia para nada. Liguei ao consulado em SP, pois foi onde selecionei para ir buscar e a Mariana, que é muito atenciosa falou para eu ter paciência que chegaria outro email com o número do processo. Este nunca chegou!
Um mês depois da submissão, meu professor me avisou que haviam entrado em contato com ele para confirmar as informações e após mais uma semana a Imigração enviou-me um email solicitando uma carta mais detalhada proveniente do orientador constando quanto se precisar para viver em Lund e quanto a agência de fomento me pagaria (que citei acima). Após isso, mais 5 dias e um email informou que a decisão tinha saído e era para eu me informar com a unidade consular que eu havia escolhido.
Na hora liguei para a Mariana e ela me pediu para enviar um email com meus dados para ela verificar. Só faltavam 19 dias para eu viajar… e a tensão crescia.
Esperei uma semana pelo email dela e nada… então fui a SP levar minha mudança e aproveitei para ligar 12h para saber se eu poderia passar lá e ela disse que ainda não sabia. Só 12 dias para embarcar e não sabia? Eu sei que no mesmo dia, ela “recebeu a resposta” e me avisou por email… quando eu já tinha voltado para Campinas!
Mas tudo bem, minha vontade era tanta de ter certeza que não precisaria providenciar mais nada que fui buscar o documento no dia seguinte. Ah é bom lembrar que o horário de funcionamento do consulado é apenas das 9h as 13h em SP! E com este papel (Residence permit to Sweden granted) é possível chegar na Suécia sem problemas!
Para quem vai ficar 12 meses ou mais, não é necessário contratar seguro saúde de viagem, pois vc pode adquirir o registro sueco “Personnummer”, que além de conceder descontos para atendimento médico, também serve para abrir conta bancária. É só procurar a  Skatteverket da cidade sueca. Para casos como o meu, que não fui até Brasília, antes de solicitar o Personnummer eu precisei ir até a Migrationsverket para fazer o cartão de permissão de residência (UT card ou uppehållstillståndskort) com as impressões digitais e foto. De Lund, eu precisei ir para Malmö (em menos de 20 minutos para ser atendido, 5 min de atendimento e pronto). Em menos de uma semana, o cartão chegou em minha caixa de correio!
Com o UT card em mãos, voltei a Skatteverkert de Lund e solicitei o Personnummer, o qual está previsto de chegar dentro de 2 a 3 semanas. Esta quinta-feira (27/09) completará 2 semanas para eu saber os próximos passos para abrir a conta no banco!!
Minha primeira impressão é que a organização de tudo facilita demais a vida e é estimulante viver aqui! Ah, e no primeiro dia, meu professor já disse para não me preocupar em aprender sueco (ok, ele deve ter considerado o tanto que já vou fundir a cabeça no laboratório), pois todos falam inglês, com exceção de alguns idosos. E é verdade, que não tenho tido problema além dos produtos do mercado, a ainda até conversei em inglês com alguns senhores e senhoras atenciosos no mercado.
Boa sorte Bianca! Bem vinda a Suécia!

Era uma vez em São Paulo

Oilá! Não tenho certeza se já contei essa história por aqui, mas, sinceramente? Fiquei com preguiça de pesquisar se eu realmente tinha feito isso… então vamos lá – e se preparem que o trem é comprido!

Há dias da minha vida que parecem ser retirados de um livro e, como não podia deixar de ser, a minha visita a São Paulo quando eu precisei fazer a entrevista solicitando o visto foi uma verdadeira saga. Naquele tempo (ui! parece um século e não dois anos) o processo de solicitação de visto não era online mas mesmo assim o primeiro passo foi entrar na página da Embaixada da Suécia no Brasil e ler a sessão sobre vistos; ler e reler a relação de documentos necessários e em seguida, ligar para o consulado em Sampa para tirar as últimas dúvidas e marcar o dia da entrevista.

Ainda depois de acertar o dia da entrevista liguei e conversei com o pessoal de lá várias vezes por causa das dúvidas que vão surgindo quando a gente junta a documentação – por mais bobas que elas fossem – e sempre fui bem “respondida” (até por e-mails). Algumas pessoas que chegam ao blog me escrevem pedindo para elucidar dúvidas sobre o processo de solicitação de visto e em alguns casos eu posso ajudar, mas eu gosto de afirmar que se vocês quiserem encurtar o caminho liguem ou escrevam um e-mail para o consulado mais próximo ou a embaixada: além de ter a resposta certa, eles são bem rapidinhos em responder!

Eu iria para São Paulo pela primeira vez na vida e tava morrendo de preocupação afinal, a gente só vê problemas e problemas na televisão e notícias ruins sobre a cidade mas ao mesmo tempo fiquei de boa porque eu passaria só um dia na cidade, o que poderia sair errado? Cheguei as seis e meia na Estação Barra Funda e liguei para os meus pais dizendo que cheguei (a gente sempre fez isso, fosse para 10km longe, mandava um sms ou sinal de vida) e que a viagem de 15 horas nem tinha sido tão cansativa ao final – mentira. Não me pareceu muito medonho estar em um terminal rodoviário – tudo bem que eu nunca tinha visto tanta gente correndo em todas as direções na minha vida e que parecia que as pessoas simplesmente brotavam do chão, porque… Achei melhor entrar num banheiro e jogar uma água na cara pra acordar.

Eu tinha levado um kit de sobrevivência como se fosse passar a noite em um hotel – apesar que a ida e volta foram a noite no busão – pois o plano era ficar em Sampa apenas um dia mas vai saber né? Fora de casa é bom estar prevenido. Eu estava de frente para a pia do banheiro ao lado da faxineira que pegava água em um balde quando a torneira estourou e me deixou molhada desde o peito até as canelas. A faxineira entrou em pânico, me pedindo mil desculpas, que não era intenção, que ela não entendia o que tinha acontecido. E eu tinha virado pedra! Olhei para o chão cheio de água e dei graças a Deus que a água não tinha pego a minha mala com toda a documentação que eu tinha que entregar nas mãos do cônsul pela ocasião da entrevista… Respirei fundo e comecei a acalmar a mulher com aquele papo acidentes acontecem, não tem problema, eu tenho roupa extra, vai ver o encanamento é velho e tals.

Eu não tinha calças extras e o tempo estava nublado, meio chato. Não era frio, e depois de ter usado 900 papel toalha e duas toalhas de pano a minha calça estava vestível, grudando um pouco mas com sorte ia secar até as 14h, horário da entrevista. Eu ficava pensando: se o objetivo da entrevista é causar uma boa impressão to meio que lascada… chegar lá com cara de mal dormida e fedendo a cachorro molhado… vou dar uma caminhada, ver se me seco e me acalmo. Perdi a coragem assim que ia saindo do terminal: quase não tem calçada por ali e pra falar a verdade, não há nada próximo ao terminal para ver. Nem um cafézinho esperto ou o quê.

Voltei, sentei num banco perto de um botequinho de sucos dentro da estação e fiquei lendo um livro. Lá pelas nove da manhã eu pensei que seria bom me por em marcha se eu queria estar em tempo e encontrar com calma o prédio do consulado. Eu tinha impresso números e nomes de quais ônibus deveria pegar para chegar ao Consulado (com saída da Barra Funda, onde cheguei) e de trem (que depois mudava para ônibus e mais um trecho a pé) mas quando cheguei lá desisti: nunca tinha visto tanta gente se acotovelando por um espaço dentro de um transporte público; tanto que as portas quase não fechavam. Eu pensei: tá cedo, mais tarde melhora…

Comprei uma viagem de táxi as 10h e sai. O taxista era legal e não sei se ele ficou com dó de mim – pois imagina meu tipo depois de um banho involuntário – e deu uma de guia  turístico, desse lado de cá fica não sei o quê e do lado de lá as empresas tal… e a gente nunca chegava e ele admitiu que estava perdido (mesmo com GPS). Como eu tinha pago a viagem no terminal paguei uma tarifa padrão pelo destino, então fiquei relax. Ele se desculpando que o consulado dos EUA ele sabia de cor porque era tanta gente que ia para lá todo dia e blá blá blá… Por fim ele se achou e me deixou na porta do tal lugar, tipo 11h30.

Subi para o escritório do consulado e uma mocinha muito simpática veio conferir a documentação. Ela disse que eles iam fechar as 12h para almoço até as 13h mas que eu podia deixar os papéis com ela. Fiquei feliz… até ela me olhar e dizer: Cadê sua certidão de solteira? E eu… Ela falou: pode ser a certidão de nascimento original, você não trouxe? E eu não tinha levado! Fiquei meio baqueada, tentando me lembrar porque eu tinha deixado o RN de fora… Daí ela me orientou que perto do consulado havia um cartório e que eu poderia ir até lá e fazer uma certidão de solteira.

Eu poderia comparecer a entrevista mesmo que estivesse em falta com alguns documentos, o problema era que o os documentos seguiam para Brasília apenas uma vez por semana e seria na quarta (e só depois é que seguiam para a Suécia – oh, burocracia!). Eu tinha pressa e saí atrás do dito Cartório, mas tomei a direção errada sem saber e depois de caminhar 20 minutos e de ouvir todo mundo dizer “Não sei onde fica moça” desisti. Pensei que ela tinha dito perto, mas vai saber o que é perto para um paulista? Sentei num barzinho e comi alguma coisa. Estava muito cansada por causa da viagem, do stress do banho surpresa e com o taxista perdido, depois a história da certidão de nascimento… Aff, quem merece?

No caminho eu tinha visto uma praça e decidi voltar lá para tentar ler pois tinha cerca de uma hora ainda. E qual não foi minha surpresa quando vi a placa do tal cartório? Peguei uma senha e quase mato a atendente porque ela insistia que não existe declaração de solteirx. E eu pá e corda, o pessoal do consulado me orientou e tals… e ela negando. Insisti tanto que ela ligou para um tal lá em outra sala (com ar condicionado) que aceitou falar comigo.

O cara me explicou que para fazer a declaração eu precisava de duas testemunhas. Murchei. Tentei dar um jeitinho e ele falando que não, que isso e que aquilo, depois chegou mais um cara que acho que ficou com dó de mim e disse que ia me ajudar. Pediu meus documentos e R$250. oO! Eu… ainda perguntei se ele aceitava cartão (porque claro que eu não ia andar com 200 paus na carteira) enquanto abria a bolsa para pegar meu passaporte. Ele disse que não a mesma hora que me dei conta que não achava meu passaporte. Comecei a chorar lá no cartório e o cara ficou me olhando e pedindo se podia ajudar. E eu só pensando no passaporte, onde eu podia ter deixado? Se eu tinha deixado no consulado? Perdido na rua? Na lanchonete em que eu tinha comido? Falei que não tinha dinheiro e sai pedindo desculpas.

Liguei para o Joel. Chorei, reclamei do mundo, disse que odiava São Paulo e torneiras velhas. O Joel é pró na arte de consolar alguém e mesmo pelo telefone ele conseguiu me fazer respirar e entender que eu tinha que ficar tranquila ou tudo ficaria pior. Ainda fui até o consulado olhando pelo caminho para ver se eu tinha deixado o passaporte cair pela estrada, naquela inocente esperança de que ninguém pegaria.

Cheguei para a entrevista um caco e para minha sorte o cônsul foi super bacana comigo. Disse que orientou a estagiária a sempre solicitar o Registro de Nascimento com negativa de “nada consta” (no livro de registro de casamentos) como certidão de solteiro porque aquele outro documento é muito caro e desnecessário. Mas meu passaporte não estava na embaixada. Eu fui até a DP mais próxima lá do consulado (depois da entrevista) e fiz o BO no mesmo dia – orientada pelo cônsul. Paguei uma multa a Polícia Federal por ter perdido o passaporte e tive de solicitar de novo… mas isso é outra história.

No final das contas o mais importante daquele dia – que era a entrevista – foi super bem. Ele só me pediu para contar a minha história com o Joel, do tempo em que estivemos juntos e de planos para o futuro. O cônsul afirmou na época que a Imigração Sueca normalmente travava os pedidos por falta de documentação e que a maioria dos vistos negados acontecia quando o parceiro sueco não se mostrava mais interessado em que o solicitante residisse na Suécia (no caso de visto de residência por laço familiar); que quando os solicitantes já eram casados o processo tendia a ser mais rápido mas que não estar casado com o partner suecx não correspondia a negação do visto. Tanto que não sou casada e estou aqui…

No fim, nós vivemos felizes… para sempre!

Emagrecer é preciso #02

To super desanimada. Sim: isso significa que meu programa de exercícios já foi por água abaixo. Na verdade, o mundo não acabou, nada está perdido para sempre, mas desde a quarta-feira da semana passada não levantei mais nem um pesinho, não fui mais caminhar, não treinei mais flexões, nem os polichinelos!

Cheguei a conclusão de que estou com um sério problema de baixa estima. Nunca na minha vida me incomodei tanto com meu “excesso de peso”, e eu realmente entrei no pique e trabalhei firme e forte. Mas eu não consegui descobrir se é uma desculpa ou se é realmente um agravante a questão dos meus horários de trabalho. Com o Zé eu tenho uma agenda fixa, trabalho todo dia assim e dia assado toda a semana. Já com o Zezinho (o menino autista) eu sou substituta, aí acontece por exemplo coisas meio loucas como esse fim de semana (ou desde quinta-feira) quando uma moça adoeceu e eu cai dentro da agenda. Resultado: trabalhei quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, hoje e vou trabalhar todos os dias dessa semana até o domingo.

A verdade é que os patrões me ligam e perguntam se eu quero trabalhar e que eu tenho liberdade para dizer não – por ser apenas substituta – eu tenho outra coisa para fazer. O problema é que quando ninguém está doente eu trabalho só dois dias por semana… então é melhor dizer “sim, eu estou disponível!” do que esperar até que o próximo assistente fique doente! Daí eu estrago minha rotina…

Me sinto exausta porque se eu passo 8 horas no trabalho isso significam 10 horas fora de casa. Nessas dez horas eu posso estar em super atividade ou quase que dormindo. Explico: se eu tô com o Zé e ele tá na cidade podemos estar para lá e para cá olhando coisas em lojas; se eu to com o Zezinho e ele está disposto estou brincando o tempo inteiro. Mas às vezes o Zé quer só assistir um filme, e eu vou sentar ao lado dele (mesmo que eu tenha assistido ao mesmo filme 20 vezes), ou às vezes o Zezinho vai querer só que eu leia um livro (lembro de uma noite que passei uma hora e meia lendo para ele duas histórias diferentes e ao fim ele sempre pedia para que eu repetisse… só parei porque meu turno acabou!). Sem contar toda a questão do esforço físico: vestir, despir, corrigir a postura, mudar de posição uma pessoa adulta é pesado pacas… quero qualquer coisa que esteja incluída dentro da opção descansar quando meu turno acaba. E isso não incluem exercícios físicos.

Eu tenho tentado me alimentar melhor e por isso tenho sempre frutas na bolsa. Infelizmente eu não sei explicar mas tenho uma carência louca por coisas salgadas (alguém aí já viu fruta salgada? me conte o nome), e daí posso comer o que quiser doce que ainda chegarei em casa louca por um prato de macarrão com molho de tomate. Sorte que na minha lista de prioridades estão também um banho quente e a minha cama. Por preguiça não faço o tal macarrão, como qualquer coisa (salgada) e vou para internet/banho/cama.

E como mal. Pensando no tal prato de macarrão que eu teria de cozinhar em casa nesses dias eu sempre como porcaria. E por porcaria leia-se Mac Donalds. Obviamente esse foi um costume que adquiri aqui na Suécia pois na minha cidade no Brasil não tinha nenhum Mac Donalds. E mesmo que a gente comesse x salada ao menos uma vez por semana acho que não era tão gorduroso e tão junk como ir a esses restaurantes fast food. Mas depois de comer duas ou três variedades de frutas e ainda sentir o estômago vazio lá estou eu parada a espera do próximo trem que chega em 10 minutos pensando: quanto tempo demora para entrar na fila do Mac Donalds e pedir um Mac Feast? Voltei a tomar coca-cola… até quando compro um kebab peço uma coca-cola para acompanhar.

Alguém vai dizer que eu posso acordar mais cedo para me exercitar. Desculpe alguém, mas eu sou boa de cama e eu preciso desfrutar de ao menos 8 horas bem dormidas de sono. Ou isso ou sou uma lesada no dia seguinte – além de ficar de mau humor. Não é legal trabalhar com pessoas mal humorada.

Ainda bem que tenho aquelas semanas em que trabalho apenas dois dias. Então faço exercícios e cuido melhor de mim mesma. Pior que assim fica difícil ver algum resultado.

E eu definitivamente não to feliz com meu corpo.

A máquina devoradora de meias

Papel de parede. Fonte: Google.

Acabei de lavar roupas e após separar as meias descobri, de novo, que um par ficou solteiro. Não que isso aconteça a cada vez que eu lavo roupa, mas eu me lembro de apenas uma vez em que isso não tenha acontecido.

Daí rola um mistério: quando é que a meia perdeu o par? A caminho do cesto de roupa suja? A caminho da lavanderia? Ou dentro das máquinas devoradoras de meias?

Sim, meus caros leitores, isso é uma bar-ba-ri-da-de. Se tivesse um vídeo, eu pediria um close especial na meia que ficou sem par e que agora será marginalizada – a menos que seja preta e eu encontre em alguma gaveta uma outra preta “solteira” que vai ganhar um par um pouco mais curto ou um pouco mais velho apenas porque preto é preto, é básico e vai com tudo; e a meia do close diria com a voz trêmula e os olhos muito assustados que vive com medo por não saber quem será a próxima vítima.

Antes de mudar para a Suécia eu li um post engraçadíssimo de uma Paola (perdi o endereço do link há algum tempo) que relatava poucas e boas a respeito das lavanderias coletivas suecas. Pra quem caiu de paraquedas e não ta entendendo nada do que eu to falando vou deixar uma breve explicação: os apartamentos suecos são pequenos e, em sua maioria, não contam com uma lavanderia; ou seja, não tem tanque e nem máquinas de lavar individuais (alguns apartamentos contam com essa vantagem agora mas eu não sei se é realmente uma vantagem porque a lavanderia está dentro do banheiro… e ainda sem tanque) e  por causa disso cada conjunto de apartamentos tem uma lavanderia coletiva.

Para ter acesso a tvättstuga (como é chamada) o morador recebe uma chave especial semelhante a um cartão (cada lavanderia tem sua própria chave, mas a essência do sistema é o mesmo) e com ela tem acesso aos quadros de horários da lavanderia. Aqui onde eu moro a tvättstuga funciona 24 horas, assim há 8 passes diários para cada quarto, sendo que há 4 quartos com máquina de lavar e secadores. Eu vou lá, marco um passe (que sempre tem duração de três horas) e durante o período do passe apenas eu tenho acesso ao quarto que eu aluguei.

A questão é que ao final do prazo das três horas o seu cartão não vai mais abrir o quarto porque seu passe acabou e começou o passe de alguma outra pessoa (a menos que você tenha reservado dois passes consecutivos): as máquinas param de funcionar e qualquer ação em andamento é interrompida. De acordo com o texto da Paola os suecos ficavam furiosos quando alguém estava “a meio do caminho” no momento em que o passe deles iria começar… e eu estava preparada para enfrentar a cara feia dos possíveis suecos enfurecidos porque a estrangeira atrapalhada não se organizou para lavar as roupas durante o tempo especificado; para correr contra o tempo e lavar roupas em apenas três horas (achava isso pouco tempo) mas não estava preparada para perder pares e mais pares de meia.

Até algumas calcinhas sumiram (mas foram apenas duas) o que indica que o estômago dessas feras é pequeno. Parece bobo mas eu compro meias a cada mês – no mínimo cinco pares! – e hoje após a volta da stuga me dei conta que tenho só 6 pares sobrando… e lá vou eu de novo comprar mais meias que serão devoradas pelas máquinas de lavar.

Por que as meias nunca voltam aos pares de uma tvättstuga?

Faça você mesmo

Não tenho ideia se este é um costume europeu mas já repeti várias vezes aqui no blog que os suecos vão muito na onda do faça você mesmo, desde coisas simples – como o pacote das compras no supermercado – até coisas mais complexas – como pintar a casa e a decoração para o casamento.

Como assim, a decoração para o casamento? Isso mesmo.  Semana passada – no sábado – fomos aquele casamento tão comentado aqui nessas páginas e advinha quem estava ajudando o pessoal a fazer a decoração para a festa na sexta a feira a tarde? Eu Zinha da Silva.

Fonte: mittdrombrollop.blogg.se

E ficou simplesmente lindo. Mas, para variar, eu não tenho fotos porque nem pensei em tirar uma foto do negócio pronto… cabeça de vento. Ficou mais ou menos assim como a imagem ao lado (com exceção de que as velas estavam em castiçais altos, mas no mais tudo muito semelhante: o salão era branco; as toalhas, guardanapos e louça brancos; os arranjos com rosas brancas e detalhes em verde). Tudo simples, mas muito lindo e tudo – os arranjos, o buquê da noiva e o arranjo da lapela do noivo – confeccionado pela mãe da noiva.

O melhor de tudo é que cada revista de noiva sueca (e os melhores sites de noivas como o Bröllopstorget) dão dicas de como preparar o casamento praticamente sozinha: com a ajuda de algumas amigas e as irmãs (quem tem) e mãe (quem quer), a noiva faz os convites, o programa da igreja e da festa, os arranjos, a decoração e o buquê, às vezes até o bolo do casamento (quem fez o bolo eu não sei, mas no fim de semana a decoração do bolo de casamento ficou por conta das irmãs da noiva – com a supervisão da própria – e ficou um charme); detalhes esses que ajudam, e muito, a diminuir o rombo da carteira por conta do casório.

Eu definitivamente estou super dentro da onda “faça você mesma” no que se refere ao meu casamento. Infelizmente ainda não sou tão pró a ponto de entender sueco de cabo a rabo, mas já adquiri uma revista de noivas e já estou garimpando sites de casamento – em sueco – porque visitar as páginas brasileiras me dá um desespero: tudo é luxuoso demais, quase nada conta com “como fazer por si própria”, e tudo é cheio de muita propaganda – contrate o serviço da empresa tal, especializada em qual e que te cobra os rins.

Obviamente algumas coisas não há como fazer sozinha, como o buffet do dia do casamento e a fotografia, por exemplo; coisas que eu prefiro pagar a ter dor de cabeça depois. Apesar de ter gente que compartilha ótimas experiências de alguém da família ou amigo que preparou o jantar eu não arriscaria – penso que fazer comida para um pelotão de gente não é para qualquer um; e além disso, quem quer ter boas recordações de um dia especial como esse tem que contar com um fotógrafo experiente. Para tudo o mais, ainda tenho um ano pela frente (tempo de sobra até para confeccionar um convite de casamento por dia, se eu quisesse).

Me sinto mais avarenta, obviamente, mas também muito mais criativa. E já que to morando na Suécia…

Coisas de Caipira #02

To em casa… Putz que saudade que eu estava do meu canto! Tomei um banho super (tem gente que tem problemas para cagar quando está fora de casa, já eu tenho problemas para tomar um banho decente!), fiz uma comidinha da hora e gastei metade do português que acumulei enquanto estive fora (no trabalho é só sueco) com o Joel.

A vida é boa!

Quando eu trabalhava de faxineira nunca compreendia porque suecos – que tem fama e que realmente não tomam banho todos os dias em algumas épocas do ano – tem dois banheiros na casa, sendo um com uma ducha e um segundo com uma banheira; ou vice-e-versa. O que eu não vi nesse tempo é a sujeira em que o pessoal costuma deixar o banheiro… principalmente a ducha. Como a gente estava semanalmente visitando os clientes – ou no mínimo, quinzenalmente – sempre achei que o relaxo da coisa era por causa da dependência da Marinete aqui; tipo, não vou limpar, eu tenho empregada, ela vem em 3 dias e vai dar um jeito nessa bagunça.

O causo é que a família para que eu trabalho tirou férias mas os assistentes que querem vão junto (pessoas com deficiência tem direito à assistência pessoal mesmo quando viajam para fora da Suécia), e como eles vão passar um bom tempo na praia e também por sermos um grupo que trabalha com a mesma pessoa a empresa providenciou um apê para a gente morar – tipo, alguém foi para fora do país e alugou o apê com tudo dentro para a empresa. Cheguei lá e a ducha estava daquele jeito… Me dá um nojo tomar banho em banheiro sujo que vou te contar hein? E eu nem para ter levado meu havaianas junto. O problema é  que a “nhaca” não tá só no chão, no chão a gente dá uma lambuzada com o “mopp” mesmo, mas no resto… Moral da história: entro no banho com os olhos fechados e saio o mais rápido possível!

To tentando ler os blogs que eu gosto de “cabo a rabo”: já que tenho internet no celular eu posso rir sozinha enquanto to com a bunda no trem ou no ônibus. Hoje eu estava imersa  no “Boneca de Neve” – blog de uma portuguesa, moradora de Nyköping cujo nome é… Joana – rindo a beça por causa de duas coisas que ela contou: que quase morreu de susto quando uma senhora puxou conversa com ela  numa sauna, e que por ocasião de uma vacina chegou a conclusão de que os vikings não morreram.

Sábado passado eu estava no mercado comprando ingredientes para fazer um bobó de camarão e como eu resolvi fazer a coisa de última hora e não tinha mandioca ( mas ia fazer de qualquer jeito mesmo) seria com batatas. Aqui na Suécia as batatas que são mais moles depois de cozidas recebem o nome de “mjölig” (a tradução direta não faz sentido, então explicando: é um adjetivo para coisas que são fáceis de converter em farinha…); e estas são realmente melhores se a intenção é fazer um purê ou coisa do tipo. Mas eu não lembrava o nome, e lá estavam três variedades de batatas separadas e etiquetadas em seus saquinhos me esperando, enquanto eu tentava avaliar com une-dune-tê qual era a tal da batata macia (o Joel estava ocupado com um alce nesse momento, em outra história). Nisso aparece uma senhora com cara de mãe – ou cara de quem entende de comida – ou simplesmente com cara de sueca (ou seja, ela ia saber qual era a variedade da batata que eu queria) e eu viro para ela e…: Com licença, eu… Ela: Eu não sou funcionária do mercado. Eu: (Em pensamento: Jura? Achei que o pessoal do mercado tinha mudado o uniforme! Tá muito mais moderno!) Desculpe, mas talvez você pode me ajudar?! Eu quero fazer um purê de batatas, qual dessas variedades é a melhor? (com meu melhor sorriso). A mulher fricou me olhando uns segundos meio – sei lá – então monossilábica: Mjölig… Eu: Muito obrigada!

Lendo o relato da Joana hoje lembrei desse e outros eventos que já me ocorreram nesse ano e quase meio de Suécia. No Brasil eu nunca passei uma viagem de ônibus sem puxar conversa com alguém e eu sei lá se isso é coisa do interior ou o quê, mas quando não tinha ninguém para gastar o português simplesmente conversava com o cobrador do metropolitano. Aqui se você puxa conversa com alguém sem um “motivo” bem definido… passa como doido!

E a questão das enfermeiras “vikingianas”: a primeira vez que fiz um exame de sangue por estas terras a moçoila que fez a coleta foi tão jeitosa que eu nem senti a picada da agulha. A segunda vez eu fui toda confiante e voltei para casa com uma marca roxa ao redor da veia: não foi a mesma moça, e eu sei lá se essa guria que lançou a agulha no meu braço não estava praticando para os jogos olímpicos (lançamento de dardo), mas nunca senti tanta dor em uma coleta de sangue na minha vida!

Enfim, é maravilhoso ler as experiências do pessoal que esta aqui há mais ou menos tempo que eu e perceber que, apesar de emigrantes de tão diferentes partes do mundo temos em comum essa coisa do choque cultural mais ou menos brutal, sob diversas perspectivas.

O melhor de tudo é que sobrevivemos!!!

PS.: Para quem tem curiosidade de ler sobre a história de outros brasileiros espalhados na Suécia, os blogs que acompanho estão relacionados na coluna “Cumpadis e Cumadis”, ao lado direito do texto. Mais abaixo, na coluna “Coisas de Caipira” há alguns outros blogs de brasileiros espalhados pelo mundo (USA, Alemanha, Croácia, Noruega) de gente que acho que é engraçada e interessante de ler. Para quem quer mais, dá um clique na imagem “Mundo Pequeno”: lá você tem a lista dos blogues de brasileiros espalhados pelo mundo (curioso para saber como é a vida dos emigrantes brasileiros no Japão? Em algum lugar da África? Austrália? França? Tudo isso está lá!).

A Caipira e a Suécia

O primeiro e maior motivo que me levou a escrever o blog foi o que eu queria partilhar a minha experiência de/do mudar de país com outras pessoas, principalmente pessoas que tivessem o interesse de mudar para o mesmo país para o qual eu mudei. Depois eu percebi que escrever o blog era também uma forma de contar para todo mundo com quem eu tinha contato como é que vai a minha vida, o que deixa bem satisfeitas as fofoqueiras de plantão.

Fiquei bastante surpresa quando descobri que meu público não é somente formado pelo pessoal do Paraná e tampouco só de gente que quer mudar para a Suécia: tem gente que lê o blog porque acha engraçado, tem quem leia porque gosta de torcer pelo povo que mora fora do Brasil e tem que leia para descobrir como se “fisga” um sueco.

Como tenho recebido alguns e-mails decidi comentar três coisas que sempre aparecem no contexto/texto da mensagem. A primeira delas é como você foi parar na Suécia?

Eu me pergunto a mesma coisa. Sério: há três anos atrás eu estava preocupadíssima em comprar uma bota de cowgirl para mim – tava mais ou menos na moda, mas aconteceu mais porque eu tinha assumido meu lado sertanejo (tudo culpa de João Carreiro e Capataz). Se me perguntassem alguma coisa sobre a Suécia eu diria: fica na Europa e é a terra dos vikings –  provavelmente eu achava que aqui se falava alemão… Quando conheci o Joel não tinha nenhum plano mirabolante de mudar para a Europa, tanto que o pessoal tirava uma da minha cara (to sabendo que você vai mudar para a Suécia) e eu saía fora (somos só amigos).

Quando tudo mudou de figura – depois que decidimos namorar e com isso eu mudaria para a Suécia – não estava pensando uau! vou morar na Europa! Eu nunca tive um sonho de morar na Europa, sair do Brasil e experimentar a vida lá (aqui) fora. Eu queria viajar, ir para a Itália (ainda quero… uma vila com vinhedos, cidade bem pequena… pegar um carro e sair num passeio no campo para admirar parreirais e  parreirais de uva, quem sabe parar para um prova de vinhos e comprar um vinho bem gostoso. Me empaturrar de pasta em um restaurante onde todo mundo grita… ai ai) e visitar uma amiga em Portugal.

De repente eu estava de partida, mas meu objetivo com a mudança foi começar uma vida a dois, e dentro dessa perspectiva não há diferença com um casal de namorados de qualquer lugar do mundo. Muitas vezes quem me manda um e-mail diz: meu sonho é morar na Europa, como é a vida ai? Não sei se o povo não fica meio frustrado com a minha resposta, porque para mim a vida aqui não é diferente da vida que eu tinha no Brasil.

Vou explicar melhor: minha vida no Brasil era muito boa, e minha vida aqui é muito boa. Eu tinha família por perto, bons amigos, um bom emprego; não tinha stress com trânsito/transporte coletivo ou com segurança, e quando não tinha nada o que fazer pipoca e tererê resolviam todos os meus problemas. Aqui eu tenho a família por perto (do Joel que é minha também), alguns amigos e um bom emprego; tive que aprender a me virar com o trânsito e a tomar transporte público todo dia, não há grandes grilos com segurança. Comecei coisas novas – to estudando, falo sueco.

Existem diferenças gritantes: se eu morasse em uma cidade com 500 mil habitantes no Brasil não poderia viver sossegada como vivo aqui, e se eu trabalhasse menos de 40 horas por semana no Brasil também  não poderia pagar todas as contas. Mas isso é meio que óbvio, esperado; seu eu comparar o Brasil com a Suécia ele vai ganhar em uns pontos e perder em outros. O que eu quero deixar bem claro é que meu foco não é esse: eu não mudei para a Suécia porque minha vida no Brasil era ruim, não mudei para a Suécia porque eu queria ganhar dinheiro (se esse fosse o caso, eu diria que viver na Suécia é muito melhor do que viver no Brasil), não mudei porque eu quisesse experimentar o primeiro mundo, porque eu tivesse um sonho com expectativas de uma vida melhor… Eu tenho um sonho, mas é o de construir uma vida com uma pessoa especial – e isso vai bem, vamos casar, tô feliz; então morar na Suécia é bom.

Já escrevi isso em outros posts, mas não acho demais repetir: a vida é feita de coisas boas e ruins, alguns momentos difíceis e outros maravilhosos, e do meu ponto de vista isso não depende muito do endereço, depende da cabeça de cada um. Se eu quiser posso desfiar um rosário de dificuldades que eu passo por aqui – coisas que nunca nem imaginei na minha vida, e choramingar que tudo é tão difícil que não sei porque mudei… tô longe de casa e muitas vezes nem tenho colo para chorar… tadinha d’eu né? Ridículo gente. Da mesma forma acho que não preciso ficar dizendo que aqui é um mar de rosas, que tudo é lindo, que acordo pensando uau! que feliz! eu moro na Europa!

Não quero dizer com isso que to respondendo antecipadamente todo mundo que me faz, de uma forma ou outra, as mesmas perguntas. Até mesmo porque tem muita gente que comenta: fiquei muito tempo pensando em escrever, se você iria responder, blá blá blá… Nem sempre consigo escrever tudo o que quero no blog, e às vezes o que eu quero e penso que é importante não é exatamente aquilo que o fulano ou ciclano queriam saber. Então primeiro que deixei meu contato para que quem tem vontade escreva mesmo, e segundo, eu não sou nenhuma estrela, vou responder – às vezes com uma semana de atraso porque eu sou desleixada… mas eu vou responder!

Da mesma forma quem quer deixar coments deve deixar, sem se stressar muito. Conheci muita gente legal por meio do blog: gente que mandou e-mails e gente que deixou o contato em um coments. Isso foi muito interessante e me sinto animada quando posso ajudar alguém que estava com dúvidas – afinal eu tive muitas dúvidas e muitas pessoas me ouviram quando eu estava no status “mudando”. Agora é minha vez – uma coisa meio que corrente do bem, que dá realmente certo.

Enfim… é legal morar em Göteborg, é legal experimentar uma coisa inesperada, é muito interessante perceber que aterrissei em outro universo ainda que no mesmo planeta… por isso escrevo, deixo aqui minha impressões, mas não sou ou estou para exaltar o modo de vida européia.

Talvez eu devesse… mas ainda acho que meu vizinho parece bem humano, uma pessoa normal. Já o cachorro dele…

Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #17

Esses dias me peguei pensando que não tenho ideia se os “episódios” de “Pequenas grandes coisas da minha vida sueca” estão numerados corretamente… Ainda não conferi, e se de repente o próxima capítulo for o número 33 não se assustem!

Ainda com relação ao blog, gostaria de pedir de novo para os leitores deixarem um coments sobre o novo tema/aparência/layout. Nem percebeu que o tema mudou? Legal, isso significa que meus textos são tão fascinantes que nem deixam que o leitor percebam qual a moldura… hahahaha! Eu to insistindo nisso porque é muito difícil eu receber críticas negativas aqui no blog – é sempre: seu blog é muito engraçado, você escreve muito bem, que linda sua história, que linda você é… ahh! Eu sou super né? Não que eu deseje que apareça alguém para furar os meus olhos e esmagar a minha auto estima, é que também é muito legal quando alguém deixa feedbacks construtivos. Pode ser, por exemplo, assim: Oi, adoro o seu blog mas…

Estou com saudades pacas do Brasil. Não do Brasil-Brasil, mas parafraseando a Maíra Albuquerque (menina, adorei o que tu escreveu sobre isso no Facebook!) TO COM SAUDADE DO MEU BRASIL! Sim, leitores de Maripá-Paraná, morro de saudades dessa “vila”, do leitE quentE esquenta a gentE, churrasco e bla bla bla etc e tal. Já escrevi isso aqui tantas vezes que até parece ladainha de missa, mas acredito nunca ser demais repetir que, apesar de ser uma princesa morando em um reino, minha vida não tem nada de conto de fadas. Esses dias me bateu uma saudade enorme de salão de beleza!

Por exemplo, é uma questão de senso comum que todo mundo que muda para a Europa começa a viajar mais; e isso está certo. Faz parte do mesmo senso comum que o viajar mais está relacionado a ficou rico; e isso está errado. Não posso dizer que meu salário é igual ao que eu ganhava no Brasil, porque não é. É maior o salário e o custo de vida também: aluguel custa no mínimo o dobro (triplo ou quadruplo se calcular pelo tamanho do apê que você ta alugando), a gasolina a R$4 pilas o litro e fazer uma obturação no dentista sai por no mínimo R$250 (por cárie, não por dente). Uma das primeiras coisas que a gente nota por aqui é a enorme quantidade de gente com dentes amarelos e tortos: amarelos por conta do “snus” e tortos porque eles preferem viajar a ter um “sorriso colgate”. Não tenho cárie e meus dentes são perfeitos, já meu cabelo…

Já reclamei em alto e bom tom – inclusive dediquei um post inteiro a esse “problema cabeludo” –   que os produtos para cabelo aqui – além de caros – simplesmente não combinam com meu humor: eu compro, uso duas ou três vezes – e meu cabelo fica bonito, a partir da quarta vez volta a paiosidade de sempre… Minha longas madeixas estão tão secas que não posso usar meu cabelo solto! E qualquer hidratação que você escolha num salão meia boca aqui custa no mínimo 300 pilas (por causa do tamanho do meu cabelo). A equação aqui se torna a seguinte: gastar 300 pilas para arrumar o cabelo ou comprar uma viagem de 3 dias para a Espanha pelo mesmo valor?

Fomos convidados para dois casamentos – os dois em agosto – e desde abril to procurando algum vestido bonito para a ocasião. Difícil, porque a moda sueca não caiu no meu gosto principalmente devido a questão das cores serem muito pastel. Agora no verão as vitrines deram uma colorida legal num movimento que eu nomeei de “restart sueco”: azul royal, rosa choque, verde limão, amarelo e laranja de trabalhador de rodovia… mas tudo o que é formal e festa tem as cores de sempre. Suecos tem um medo danado de estampas também, então o que você mais vê por aqui é o xadrez e listrado, qualquer coisa fora disso é muito simples, tipo verão, ou muito louca, tipo uma coisa para usar numa balada ou o quê, quando sua intenção é aparecer.

O tamanho europeu também é cruel com meu corpito: o 34 fica bom no busto, o 36 no corpo e o 38 na bunda. Com o 34 o busto fica perfeito, a questão é apenas quanto tempo eu aguentaria sem respirar ou respirando moderadamente – sem contar que eu pareço ter uma bunda de tanajura… O 36 fica um pouquinho grande nos seios, mas acho que daria para disfarçar legal usando dois sutiãs; ok no corpo mas a bunda ainda fica marcada demais. Se eu comprar o 38 fica mais ou menos legal na cintura e não marca tanto a bunda, mas então tenho de comprar enchimento para os seios. A maioria dos vestidos que não acompanham o corpo são bem esvoaçantes e cheios de “rabos” (como diria a minha mãe): um lado é mais comprido, ou atrás é mais comprido que na frente, ou o modelo tem várias pontas… Que saudade dos meus vestidos sob medida, lindos e floridos feitos pela minha mãe!!!

A vida é dura não?

To cansada pacas, trabalhei todos os dias no mínimo 5 horas desde a terça feira passada, e hoje ainda tenho que ir para a escola porque vai rolar a apresentação do curso de sueco do próximo semestre. Sorte que é o último curso que eu tenho que frequentar, porque mudaram minha escola lá para o caixa prego – 30 minutos de trem – e não me deram chance de trocar para uma escola mais perto daqui – apesar de ligar direto para o Vuxutbildning e chorar as pitangas.

Ta rolando a Euro Copa e com isso matei minha vontade de assistir futebol. Sério, adorei perder 90 minutos olhando um monte de homens correndo atrás de uma bola. Assisti Portugal e Alemanha (0x1), Itália e Espanha (1×1) e Suécia e Ucrânia (1×2). A Suécia perdeu depois de uma virada espetacular da Ucrânia, e eu percebi que mesmo num país que não tem no futebol um time forte e nunca ganhou uma Copa do Mundo que o pessoal pára tudo para assistir, compra camiseta, vai para os bares, torce, vibra e fica triste porque o único cara bom de bola do país (Zlatan) não consegue levar o time nas costas afinal. Apesar disso tudo, ninguém fala de outra coisa e realmente acredita que o time furreba da Suécia pode bater a Inglaterra na próxima sexta.

O otimismo sueco é mesmo inacreditável…

Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #16

Tava na dúvida se escrevia ou não um post hoje porque não ia dar tempo de escrever sobre o que eu queria, mas no fim das contas to aqui sentada no sofá ouvindo Simon&Garfunkel pra contar um pouco sobre as velhas novas de sempre.

Pra variar, lavei a roupa e ela está no sacola de lavar roupas (dobrada) em frente ao guarda roupa. Eu não tenho preguiça de lavar roupa, acho super legal – vou até a lavanderia coloco tudo para dentro da máquina que lava e depois tudo dentro da máquina que seca e por fim trago a roupa de volta – mas morro de preguiça de guardar as roupas. Eu fico na duvida se abro ou não as portas do guarda roupa só para tirar a prova se realmente a roupa não pula lá para dentro bonitinha. Até abri as portas antes, mas desisti, uma vez que meu guarda roupa tá tão desorganizado seria uma besteira esperar que as roupas se guardem sozinhas…

Cozinhei feijão. Eu tinha que contar isso porque cozinhar feijão é algo que tem me feito muito feliz. Verdade que o clima colaborou essa última semana: todos os dias foram ensolarados, todos os dias com temperaturas mais ou menos nos 20, 20  e poucos graus Celsius, mas isso tem aumentado minha saudade do Brasil. Parece bobo, e é, mas para mim a Suécia é um país de inverno constante e chuva, daí esse clima agora  lembra primavera… primavera em Maripá-Paraná-Brasil: tantas flores para todos os lados, os dias quentes, as noites frescas, aquele cheiro de grama recém cortada no ar, cheiro de churrasco (não é churrasco churrasco, mas o cheiro de uma carne “grillando” é o mesmo do churrasco de domingo) todo mundo animado porque o frio foi embora; parece que logo vão desabrochar as orquídeas nas árvores, e vai chegar aquela penca de feriados que é tão típico de setembro, outubro e novembro… eu até pude usar vestido, gente!

E o feijão… temperei com bacon, alho e cebola. Claro que já enchi o pandu de feijão preto, arroz e uma saladinha. Amanhã vou levar junto na minha marmitinha do trabalho. Dia desses eu cozinhei feijão preto e fiz tipo uma sopa com legumes e tals que levei para o trampo e aí uma guria veio me perguntar o que eu tava comendo! Achei a maior graça, ela ficou me olhando desconfiada (achou que eu tava comendo um tipo de “peixe” – não tenho nem ideia que tipo de peixe possa ser tão preto…) e eu explicando que era feijão. Depois um guri também veio me perguntar: o que é isso? E eu: feijão preto. E ele: mmmm, feijão preto? E eu: é, feijão preto, você cozinha… E ele impaciente: mas tem esse nome mesmo? É tipo feijão preto, como… black beans? Dai eu (rindo): Isso mesmo, black beans. Achei muito engraçado porque eu tenho dificuldade de pronunciar o “ö” sueco, e para falar feijão preto (svarta bönor) você usa o danado; ou seja, como a gente tava falando sueco eu devo ter dito quase “feijão preto” e ele ficou na dúvida se era mesmo isso que eu queria dizer.

Eu e Zemta, cachorra da família – numa dos inúmeros trapixos do lago Mjörn.

Fim de semana a gente foi para Sjövik, e eu adoro: por causa do lago perto, por causa de ter um dia em família, porque é tudo tão tranquilo e calmo. Pena que passei mal, e to desconfiada do meu anticoncepcional. Depois que fui aquela consulta com a dermatologista não consigo mais pensar na danada da pílula como algo benéfico. Li a bula da coisa e os efeitos colaterais são tudo que ando sentindo ultimamente. Essa semana vou visitar o vårdcentralen (posto de saúde) para fazer acompanhamento (de seis em seis meses visitamos uma enfermeira especializada no atendimento a mulher que faz orientação anticoncepcional e dos exames de rotina – tipo papanicolau e do câncer de mama) e vou conversar com ela sobre isso.

Ganhei uma magrela e agora que o tempo está bonito to seca para fazer a estréia. Hoje ia comprar os pneus novos para ela – porque a bike é usada e velha mas tá com tudo em cima com exceção dos pneus – mas desisti porque percebi que eu não poderia arrumar a bici sozinha. Ou seja, vai sobrar para o Joel.

E a roupa… ainda tá na sacola. Acho que tenho de fazer algo a respeito. Tchau!