No meio da madrugada…

Vamos mudar o mundo?

Não dou as caras no blog por dias e começo o post dessa forma esquisita. Aposto que tem gente que veio parar aqui pensando em mudar de país e não o mundo; e lá vem a caipira fazendo uma pergunta dessas… é que resolvi blogar no meio da madrugada.

E claro que pode dar bosta porque blogar no meio da madrugada é esquisito, ainda mais entre 3h e 5h da matina. Dizem que esse período é conhecido como “a hora do lobo” e não se recomenda nem que se dirija durante essa hora da madruga porque o cérebro não funciona muito bem. Nem deve se ficar doente nessa hora – ou ter um ataque cardíaco – porque é dentro desse período que se dão os maiores números de erros médicos. Portanto, não deve ser uma boa ideia blogar mas to vendo que vou ter que aderir ao esquema se quiser continuar atualizando esse espaço com alguma frequência.

Essa semana até pensei seriamente em fechar as portas do blog. To muito enrolada e não tenho tempo para escrever. E preguiça… pá, anda me batendo uma preguiça fenomenal de internet. Ainda entro no facebook e acho que é isso que me faz ficar ainda mais irritada. Facebook é uma merda e tem dias que eu realmente não sei porquê eu ainda uso o serviço. Serviço aliás que ajuda o governo dos EUA a saber de um tudo sobre todos – fofocas a parte. Eu ainda não tenho certeza que a informação é verdadeira mas essa semana me disseram que o governo dos EUA tem acesso irrestrito a todos os dados disponíveis no facebook. Não seria estranho afinal, eu não sei quem eu ouvi falando que o facebook é o sonho de consumo de qualquer agência de espionagem – sejam elas reais ou não – pois o indivíduo atualiza sozinho uma série de informações pertinentes ao seu respeito. É um banco de dados mundial.

(Obs. Por favor não copie e cole isso no facebook criando uma daquelas correntes idiotas do tipo “tá confirmado: fulana disse que o facebook isso isso aquilo aquilo etc e tal; copie e cole no seu mural se quiser impedir o fim do mundo”. Eu agradeço.)

E depois é tanta gente compartilhando merda no facebook. No twitter. Ou em alguns blogs por aí. Cara, eu sinto falta do tempo em que as maiores besteiras que a gente via na internet eram as declarações de fãs alucinadas do Fiuk ou do Justin Bieber que afirmavam que todo mundo que não amava os tais ídolos estavam com inveja. Ou que todo mundo que não amava a saga Crepúsculo não sabia o que era bom na vida. Eu não sei o que é bom na vida e morro de inveja do Justin Bieber. Bom, agora não tanto depois que ele parou de usar a franja. Ah, aquele cabelo! Eu queria que meu cabelo balançasse com aquela leveza…

Internet me dá nojo quando eu vejo tanta gente falando mal do Bolsa Família (sem conhecimento de causa – apenas reproduzindo) ou do Brasil e usando a rede para disseminar ódio. Ódio ao nordeste. Ódio aos pobres. Às mulheres. Aos negros. Aos estrangeiros. Tem tanta gente sem noção que me manda comentário no blog dizendo que a Europa era linda antes dos estrangeiros chegarem aqui e destruírem tudo… hallllååååå! Eu sou estrangeira! E to na Europa! Ah mas você sabe, eu to falando dos muçulmanos e todo aquele povo que vem da África e do mundo Árabe e não quer saber de nada com nada… como se todo mundo que vem de lá estivesse aqui por livre e espontânea vontade!

Mas é claro que a gente tem que continuar falando mal dos estrangeiros aqui na Europa, e dos pobres que votam no PT no Brasil. É claro que a culpa é do povo “ingnorante”. Entrei numa discussão (eu sou muito besta) no face e a pessoa teve a incoerência de me retrucar que a gente não pode esperar que uma pessoa que more no sertão do nordeste tenha a mesma “clareza” que um gerente de uma grande empresa na hora de votar. Na hora morri de raiva mas me acalmei e tive que concordar, né?(Só para avisar, desse ponto em diante serei irônica) Porque o cara pobre vai trocar o voto por uma cabra, um saco de farinha ou uma cesta básica (ou talvez um calça jeans de R$300 para a filha), mas o gerente da empresa vai votar para quem tiver as melhores propostas para a indústria. E as melhores propostas para a indústria podem incluir a perda dos direitos trabalhistas, mas não faz mal, ao fim, que o gerente da empresa que vota com clareza esteja votando em algo que vai beneficiar somente o rabo dele. Afinal, se um gerente de uma grande empresa está fazendo lobby para conseguir o que é bom para ele isso não é vender o voto, isso é diferente. Mas o coitado que troca o voto por uma cesta básica não tá fazendo a mesma coisa porque ele é um ignorante. Esses coitados deveriam estudar, pra se tornarem gerentes de uma grande empresa e daí trocarem o voto por algo maior. Tipo, um contrato para construir uma hidrelétrica na Amazônia.

E isso dá mesmo raiva não dá? Pense aonde é que o Brasil poderia chegar se só os entendidos votassem. Tudo ficaria perfeito para a classe rica. Eles ficariam ainda mais ricos, e os pobres iriam perdendo direito atrás de direito, sem poder reclamar. (Tipo, se alguém classe média alta fosse na TV reclamar que a coisa tá tão feia que não pode comprar uma calça jeans de R$ 300 para a filha seria normal. Aceitável. “Terrível”, alguns diriam, ou “que pena dela”. Agora um pobre – e beneficiário do Bolsa Família ainda! – reclamar que não tem R$300 para comprar a calça para a filha vira uma discussão enorme na rede. Aonde já se viu? Pobre querendo direitos! E de comprar coisas! E de reclamar!). Afinal, só existem pessoas muito ricas num mundo em que outras pessoas estão muito pobres. Esperto é aquele que faz o possível para que o número de pessoas bem ricas diminua bastante, assim os bem ricos vão ser muito ricos. E os pobres serão muitos, e muito pobres. A Europa invadiu toda a América Latina e a África e destruiu os povos que moravam lá, fez todo mundo pobre. Agora esses mesmos pobres invadem a Europa e coitados dos Europeus, que recebem os estrangeiros aqui de braços abertos e se dão mal.

Eu to tão cansada da internet por causa de toda essa merda que eu vejo, e de povo que dá like para postagens de ódio. Mas eu ainda quero muito escrever o que eu penso (sei que muito poucos irão se importar, mas é assim com qualquer discussão mais ou menos importante) e o que eu tenho certeza é que não importa aonde no mundo, o que está fazendo tudo ruir é o problema da integração. A Europa não está integrando os estrangeiros (se estivesse mesmo, porque eu não tenho emprego, apesar de ter meu diploma reconhecido e sueco suficiente?); os brasileiros não estão integrados, os chineses não estão integrados, os africanos não estão integrados. Brasileiro fica reclamando de pobre ainda quando é pobre. E isso eu não to citando para falar mal do Brasil não, eu to querendo sublinhar porque é um dos Xs da questão: se todo pobre se envolvesse em torno da luta contra a pobreza, se toda mulher/homossexual/negro/pessoa com deficiência se unisse pela luta pelo direito das mulheres/homossexuais/negros/pessoas com deficiência – e nem precisa ter um comitê separado não, poderia ser um grupo só em favor dos direitos das minorias – se a população se unisse para acabar com a corrupção; os africanos se unissem apesar das diferentes tribos, as religiões se unissem apesar de diferentes deuses… tanto faz aonde fosse no mundo; teríamos um resultado surpreendente.

E no meio da madrugada eu entro na internet e fico lendo notícias sobre a mortalidade materna e infantil em Serra Leoa, sobre a discrepância do Estatuto do Nascituro, sobre grandes empresas que pagam nada pela hora de trabalho na China e fico questionando porque as minorias (no poder) não viram o jogo? Nós somos a maioria. O mundo tem mais pobres do que ricos e mais mulheres do que homens e mais chineses do que… ok, os chineses já estão dominando o mundo. Mas eu me pego pensando o que seria necessário para dar início a um revolução (to soando marxista agora) das “minorias maiores” contra as “maiorias menores”…

Ideias?

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Mudei!

Deixei meu bairro de estrangeiros barulhentos e coloridos para cair em uma vila bem sueca. É sinistro. E tipo, uma vila mesmo, tenho quatro vizinhos e  ouço o sino das seis horas tocar. Mas curti muito isso!

No sábado juntamos uma galera que ajudou a carregar nossos móveis – que pareciam quase nada, afinal, quando se mora em 40m quadrados a coisa deveria ser simples, certo? Errado! Precisamos de três viagens até o trem ser completo… Adivinhem só quem é que estava no meio dessa galera? A Vânia do “Diário de uma Teimosa” e o maridão dela! Um muito obrigado super especial para vocês dois!

Depois de todo o carregamento e descarregamento olhei para todas aquelas caixas e a bagunça e tudo parecia tão surreal. Todos os meus móveis em uma casa. E tipo, eu tenho quintal agora.  E muitas caixas para organizar! Nem sei onde estão todas as minhas roupas e minha sorte é que não trabalho até quarta feira. Enfim, parece incrível, decidimos meio de supetão e agora é real: temos uma casa.

Temos e temos pois não compramos. A história  é longa e os detalhes desnecessários e para simplificar a coisa toda mudamos porque “alugamos” a casa por um ano. Alugar não seria bem o termo, mas tudo é meio enrolado. Certinho, ao modo sueco, mas enrolado. Na verdade, temos um acordo com o dono e dentro dos termos do nosso contrato podemos mexer na casa durante esse período, trocar papel de parede, pintar, fazer pequenos e grandes reparos e um monte de outros etc. E queremos, o Joel parece criança em dia de Natal e até eu estou doida para começar. Na verdade, já comecei: estou faxinando a casa todinha!

Fazia parte do acordo pegar a casa do jeito que estava, ou seja, com tudo dentro. Aquilo que o dono queria ele levou embora e agora é com a gente fazer o faxinão. Quando entramos na casa no sábado estava uma bagunça, com as nossas coisas misturadas as coisas que o antigo dono havia deixado, um caos! A Vânia me deu uma ajuda de fada na cozinha – obrigada de novo mulher! – e depois disso ficamos eu e Joel organizando quarto por quarto.

Dica de limpeza: para tirar o ferrugem de talheres use coca cola.

E tiramos muita coisa daqui que não vamos usar. Separamos o que é possível ser aproveitado para o second hand e o restante vai (e já foi) para o lixo. E não é bem assim, pegar tudo e colocar num saco e deixar num depósito não: cada coisa tem que ser separadinha dentro de categorias (vidro, metal, papelão, plástico duro, coisas que não há como reaproveitar e serão queimadas, porcelana/vasos, eletrodomésticos, madeira, químicos); sendo que os remédios (mesmo os vencidos) devem ser devolvidos nas farmácias. Falando nisso, a Priscila do “Mineira abaixo de Zero” acabou mesmo de escrever um post contando como é que funciona essa coisa de separar o lixo por aqui. Curioso? Clique aqui.

Como não achei a máquina fotográfica ainda, deixo aqui uma ideia de como a casa parece. Mas não, a gente não mora num prado…

casa

Mudanças

Tudo muda todo o tempo.

Sei lá quem foi que me disse isso, se foi a Angela – provável, ela é uma das pessoas mais sensatas que já encontrei nessa vida e muito da minha paciência foi por meio da amizade dela que conquistei… falando nisso, eu sei que você me lê, e eu tenho saudades! – em todo o caso, tudo muda todo o tempo. Mas a gente esquece disso. Ou melhor, eu esqueço.

Essa semana fiquei pensando no quanto já me acostumei com essa vida. Fazem apenas dois anos que eu moro na Suécia mas a cada vez que eu desço as escadas rolantes em direção a plataforma de embarque dos spårvagn eu sinto como se eu jamais houvesse feito diferente na minha vida. Não, eu não esqueci que a minha vida não foi assim, é que a gente se acostuma.

Eu acostumei a ir para o mercado e usar o auto scanner para fazer as compras. Acostumei a usar transporte público, e agora a maioria das vezes eu tenho um livro na bolsa para ler enquanto eu viajo no trem ou ônibus. Falando nisso, “antigamente” eu não podia ler no ônibus porque ficava enjoada de uma vez só; agora ler eu posso, mas é só sentir o cheiro de café que meu estômago quer parar na garganta. Tudo muda, meu estômago também… acho até mesmo que estou com intolerância a lactose porque leite me dá uma dor de estômago… ou é a idade, afinal, tenho uns cabelos brancos brincando de luzes na minha franja. E agora eu entendo sueco! Cara, dá para imaginar isso? Eu tenho uma família sueca e um trabalho sueco. Eu falo sueco na rua e quando chego em casa quase deixo o Joel surdo de tanto gastar meu português… é, nem tudo muda, mas o que não muda a gente se acostuma. Eu me acostumei com minha vida sueca.

E não é que eu encare isso de forma negativa. É terrível o período de adaptação, é uma merda quando a gente não se sente parte do meio. O que não quer dizer que eu já me sinta sueca (nunca vou me sentir sueca), eu não me sinto uma pedacinho da sociedade, eu não tô 100% integrada. Mas já passou aquela fase pesada em que tudo era difícil. Como eu falei, tudo muda, e a gente acostuma.

Há dois anos atrás eu estava contando os dias para mudar, super empolgada com a perspectiva de mudança porque eu estava cansada da minha rotina. Atualmente eu tenho tudo por aqui, menos uma rotina, e tudo o que eu quero é um emprego em tempo normal para poder estabelecer uma rotina. Tudo muda, todo o tempo…

Apesar de quase pirar de vez em quando – quando me estresso com alguma coisa, me estresso com vontade – sinto que a mudança me fez bem. E nesse ponto eu me refiro a mudança de país: apesar da enorme saudades de amigos e família essa mudança está me mudando, acredito, para melhor. Ainda assim mudança me dá angústia e só de pensar que tudo muda o tempo tudo me dá um nó no estômago… de novo o estômago.

Tô com aquela sensação de que a vida é tão efêmera que eu deveria beijar e abraçar todo mundo com quem me importo. Me importo com uma porrada de pessoas e não sei se eu teria coragem de abraçar todo mundo. E depois tem aquele preconceito de que suecos não gostam de proximidade… tudo muda, todo tempo; mas algumas coisas ainda não mudaram – e me refiro tanto ao meu preconceito quanto ao fato de que a maioria dos suecos não gostam mesmo de muita intimidade.

Mas vai mudar. Tudo muda.

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Há dois anos atrás eu não imaginava que meu blog se tornaria alguma coisa importante. E é. Tem sido, e tem ficado ainda mais importante depois que conheci outras pessoas por trás de outros blogs. Blogueiras queridas, vocês estão no meu coração. Quem quiser conferir um pouco da bagunça pode dar uma olhada nesse link aqui, do blog da Joana – a “Boneca de Neve” – e nesse outro aqui, da Priscila – uma “Mineira abaixo de zero” há pouco mais de um mês.

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Eu vou mudar de endereço. Hahaha! Tudo muda…