Diário Caipira – 10

Na Suécia esconder os doces de Páscoa é uma brincadeira muito séria. Não sei se é a tradição de todas as famílias mas, das vezes que passamos com amigos as crianças saem pra uma caminhada sabendo que os adultos esconderão os “ovos”.

Guardei algumas casquinhas de ovos que pintei e decorei com os meninos. Depois enchemos de guloseimas. Ambos estavam ansiosos para comer os doces mas também para procura-los. Assim que quando a largada foi dada foi uma correria e uma bagunça daquelas bem gostosas.

Foi um dia tranquilo e gostoso. Espero que o seu também tenha sido assim.

Feliz Páscoa!

Páscoa na Suécia e eu… trabalhei!

Ultimamente eu vivo um dia após o outro e nem me dou conta da diferença. Ou na verdade, sim: meus dias são separados entre as semanas em que tenho o fim de semana livre e a semana em que tenho que trabalhar todo o fim de semana. Isso é mal, é muito mal. Não porque eu trabalhe demais – eu costumo trabalhar apenas algumas horas por dia durante a semana (em média 3 horas por dia) e cerca de oito horas no fim de semana – mas porque eu trabalho ao contrário: noites e fins de semana.

Eu tenho sábado e domingo apenas de 14 em 14 dias e infelizmente esse fim de semana foi ainda mais excêntrico porque trabalhei extra na sexta… Sexta feira santa sempre foi dia de silêncio e meditação na casa dos meus pais – e por trabalhar em prefeitura mesmo quando morei sozinha gastei a Páscoa em família. Daí sexta era dia de ir à igreja participar da adoração e da missa da paixão às três horas da tarde. Nem se varria a casa no dia da paixão, nem se ouvia música ou assistia TV. E agora eu trabalhei (nos últimos dois anos) na sexta feira santa.

O problema nem é que tenho medo de ir para o inferno por causa disso, o problema é eu perceber o quanto me cobro por coisas assim, tradições que estão morrendo – e eu nem sei se o fato de elas estarem morreno é bom ou ruim. Me senti super mal por trabalhar na sexta feira santa, como se senti mal por trabalhar no Natal. É como se houvesse alguém no meu ombro dizendo que isso não vale a pena e é errado – e pode ser tanto o ego como  qualquer outra figura representativa do consciente/inconsciente pessoal ou coletivo.

Se eu estivesse com o tempo livre provavelmente não iria para a adoração na igreja, não sei se participaria de uma missa da paixão – nem sei qual o costume que os luteranos suecos tem ao celebrar a Páscoa (e olha que vou me tornar luterana sueca, de certa forma); não sei se guardaria silêncio e meditaria sobre o calvário de Cristo e sua ressurreição… Apenas tenho certeza de que me sentiria mais feliz em não trabalhar em “dias santos”.

Essa escolha não está ao meu alcance agora e por isso tudo fica meio assim: eu sabia que não passaria a Páscoa em casa, eu sabia que trabalharia com horários meio estranhos, eu não gosto de conciliar longas horas de trabalho com outras atividades no mesmo dia e por isso mesmo eu sabia que não faria outra coisa durante a Páscoa que não fosse trabalhar. Então, não decorei a casa com penas e galhos secos (tipo, a cultura sueca é diferente. Quer saber como  funciona a Páscoa sueca: leia aqui), não comprei chocolate (ganhei quilos no meu aniversário), não fui a missa, não participei de nenhuma adoração e nem vi o dito cujo do feriado.

Conclusão: eu preciso de outro emprego.

Ontem o horário de verão começou e somado à estranheza do fato de que passei a Páscoa trabalhando veio aquela coisa de se estranhar com o relógio. Estava na hora porque tínhamos sol brilhando as 5 da matina, agora temos luz até as oito da noite – já. Nem vou reclamar porque Gotemburgo bateu em março o recorde de dias ensolarados para o mês, foi lindo e espero que continue assim! Daqui uns dias o sol vai estar de novo brilhando as 5 da matina mas eu prefiro assim, que venham muitos dias ensolarados!

E agora que já chorei as pitangas e falei do tempo: Feliz Páscoa!