Tchau SFI… Oi SAS!

Terminei o SFI. E… bom, nada que quem já mora aqui não saiba: SFI é uma introdução, eu posso me virar sozinha o suficiente para não ter de levar o Joel para todos os cantos; mas o dicionário… agora é que eu comecei mesmo a usar, porque posso entender quase toda uma frase menos algumas palavras, e não o contrário como é o comum do início – daí todo mundo sabe que dicionário serve para nada, porque procurar 20 palavras diferentes até conseguir pescar o significado do texto, ninguém merece!

Mas a independência ainda é  capítulo que vai ficar muito mais a frente nessa aventura. Agora é ler mais para expandir o vocabulário – eu acho esse o caminho mais curto – e começar o SAS. Esse é o curso que vai me dar mesmo o ó do borogodó no sueco – ou eu espero né…

Eu vou pedir o bônus do SFI, e a coisa é mais simples do que eu pensava. Eu fui ao VUF – eu não lembro o significado da sigla mas é uma coisa com educação de adultos e tem em todas as cidades – e lá eles entregaram um formulário que pede as mesmas informações que eles solicitam em todo o lugar (personnumner, nome, endereço, telefone) mais o número da conta bancária. Ademais, precisa anexar a cópia da permissão de residência e um personbevis (número 120) que você consegue na Skatteverket. O resultado da prova a escola envia direto para o VUF, então você não precisa mostrar nenhum papel que diga que você foi aprovado na prova nacional do SFI – ao menos não em Göteborg.

Eu fiquei stressada quando fui buscar o bônus porque na página do SFI na internet diz que você tem direito ao bônus assim que termina o módulo B, C ou D do curso, podendo receber 6 mil, 8 mil ou 12 mil coroas, respectivamente. Eu terminei o C em setembro, mas eles me disseram que eu não tinha direito até terminar o D. Pode ser que cada município tenha o direito de administrar o bônus como bem quiser, e que as regras sejam diferentes em Göteborg. Mas enfim, eu já tinha me decepcionado grandão com o Arbestförmdlingen mais ou menos na mesma semana, então deixei pra lá, também porque eu sabia que eu iria fazer a prova do D em novembro. Mas ainda desconfio que eles agiram de má fé comigo.

Fiz a prova e fui aprovada então agora não tem choro nem vela. Se Deus quiser…

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SFI – Capítulo III

Eu falei um pouquinho sobre a minha volta às aulas em um dos posts passados sobre verbos. Mas, só para atualizar, a volta às aulas foi dia 10 de agosto e não foi um dia de aula e sim mais um dia do que eles chamam dia de informação e que eu considero dia de enrolação: apareceu o Sr. Professor que falou praticamente apenas em inglês e nos deu os horários.

Então eu comecei mesmo no dia 15 de agosto. E foi muito legal com uma turma nova de alunos de diversas turmas. Alguns caras da minha velha turma também estavam lá. E o professor – graças a Deus – não era o mesmo cara do dia de informação. O nome dele é Pontus e ele é super dinâmico, explicando tudo o que era possível de cada palavra que alguém dizia não entender. Foi tudo o que eu gostaria que fosse o curso de SFI: a gente recebeu um texto que foi lido, interpretado e discutido; e depois, falamos um bocadinho sobre gramática. Nada de novo, mas foi a primeira vez que o professor usou a frase: agora vamos estudar a gramática do sueco… e ainda nos deu um pequeno resumo com as principais classes gramaticais da língua.

Como eu trabalho pedi para mudar meu curso para a noite, que aqui eles chamam de kväll (entre 17h e 22h). Eu não esperava conseguir uma vaga rápido e para minha surpresa a coisa aconteceu num raio pois, quando cheguei em casa na segunda feira depois da aula, o Joel já tinha recebido um telefonema me avisando que a minha primeira aula a noite seria na terça feira 17h30 numa escola nova – a Odinskolan – no centro da cidade.

Legal, fui para lá na terça e tive um repeteco do dia de informação, com a pequena diferença de ter que fazer uma provinha. Foi bem legal porque reecontrei a primeira professora, aquela Maria que ia para África mas agora vai para a Austrália. Dizem que a primeira professora a gente nunca esquece e bem, essa Maria foi realmente especial, ela foi ótima conosco. Depois da provinha a gente até bateu um papinho – uma coisa bem leve porque meu sueco não é aquele nível.

Em todo caso mudei para nova turma – de novo – num nível intermediário D (um tipo do nível D para quem tem algum ponto forte e outros fracos) com aulas na quartas feiras 17h30min. Esse é o meu horário oficial a partir de agora. Eu tenho que confessar que fiquei um pouco triste com essa de mudar de turma logo quando eu tinha encontrado um professor tão bacana… até conhecer a professora nova.

Ela chama Birgitta – nome típico da Suécia – e tem 60 e alguns anos. E é uma mulher vibrante que nos deu uma aula completa: explicou gramática com história e geografia e cultura e blá blá blá apenas falando da kräftfest. Eu sou a pessoa que fala menos sueco na turma, porque todos os outros alunos estão na Suécia há pelo menos um ano. Muitas das coisas que eles falaram eu boiei. E daí? Adorei. É ótimo estar numa turma onde o pessoal é mais do que você, ao menos a mim me impulsiona a correr atrás.

Fizemos prova de novo e a professora me elogiou dizendo que logo posso fazer a prova nacional de conclusão do SFI. Já? Eu pensei. Pode  parecer falsa modéstia, mas o caso é que apesar de essa não ser a primeira vez que elogiam o meu sueco, eu não penso mesmo que seja bom. Não consigo acompanhar uma conversa sem ficar bastante perdida e usar de adivinhação para ir empurrando com a barriga. Se a pessoa não fala claro e devagar eu não consigo acompanhar, e quando tem um monte de gente falando… eu faço cara de paisagem e fico só escutando, sem tentar entender.

É claro que fiquei feliz, afinal passei três meses lendo sueco. Mas também fiquei um pouco triste porque percebi que SFI é só isso mesmo: um curso para apresentar a língua aos estrangeiros e para prepará-los para dizer e entender só o básico, aquelas coisinhas que todo mundo precisa saber para se virar no dia à dia.

Enfim, eu deixo um recado para quem está vindo ou começando: tente falar. Procure fazer amigos suecos e tente conversar. Converse com seu partner em sueco, ele é a melhor pessoa para ajudar, acreditem ou não. Não fique stressado quando alguém te corrige a pronúncia ou a formação da frase, agradeça. Tem gente que não fala nada e tira sarro da sua cara assim que você virar as costas. Paciência é bom, também, principalmente quando tudo que você quiser for falar outra coisa que não sueco… respire fundo e continue…

Afinal, depois do SFI você pode fazer SAS. Ou universidade…

Todo mundo odeia estar perdido

Hammarkullen, 2011

Pensando naqueles episódios de “Everybody hates Chris” eu estou criando uma lista de coisas para tentar entender porque parece que em alguns dias todo mundo odeia a gente. Alguns dias as coisas simplesmente não funcionam. E você ali, todo otimista, levando uma atrás da outra.

Nesta semana completo um mês de Suécia. E se eu for fazer uma avaliação séria, nada funcionou. Eu tinha uma boa perspectiva com relação a ter um emprego logo aqui. Veio a burocracia, eu tive que esperar. Eu iria começar o curso de sueco para estrangeiros – SFI. Mais burocracia e eu continuo esperando.

Hoje eu liguei para um cidadão atrás de trabalho. Eu falando em inglês e tals ele disparou algo em sueco e desligou. Vai a Maria pedir pinico para o Joel, para descobrir que ele achou que eu falava sueco e se eu ao menos entendesse, eu teria um emprego para começar amanhã.

A coisa é que se eu não precisasse esperar 4 meses até começar o sueco, eu estaria entendendo mais. O sueco é difícil para caralho, e eu pesquisando, e procurando, e me esforçando… mas sozinha. Parece que o governo odeia os estrangeiros, e se for olhar bem, todo mundo odeia os estrangeiros, até eu, porque muitos deles estão cagando no pinico o tempo inteiro e a merda respinga em todos os estrangeiros. Como eu.

Eu preciso explicar que “todo mundo” nesse texto é uma hipérbole?

Existe uma espécie de Bolsa Família na Suécia para os estrangeiros (sobretudo refugiados) que é exatamente como no Brasil: ninguém sabe ao certo como funciona, apenas que é um tanto fácil burlar algumas regras e receber um bom dinheiro mensal para coçar o saco. Se existe 1%, 5% ou 10% dos estrangeiros que fazem isso, eu não tenho a mínima idéia. Só sei que isto deixa o povo sueco bem irritado – o suficiente para que você tenha que provar que quer mais do que viver as custas dos impostos que eles pagam.

Isto posto, recomendo você aceitar que vai ser mais difícil do que imaginava, porque às vezes, focinho de porco é tomada e ponto. Mas (agora vem a parte Pollyana do texto)… Graças a Deus, basta que você faça amigos! Mostre à que veio…

Meus amigos suecos são incríveis. Eles me ouvem, tem paciência, abriram as portas para mim, me ajudam com o sueco! A Carolina, por exemplo, tira um tempo no café da manhã para tentar me ensinar um pouco. E agora a tia do Joel se dispôs a me dar uma lição – talvez – semanal de sueco. Enfim, nada do que eu imaginei que seria é, mas de certo modo é bem melhor.

Até, desculpe, mas eu preciso dedicar um espaço ao Joel. Eu odeio estar perdida – e isso acontece com frequência agora porque eu não estou entendendo muitas frases (mas ainda peço para que todos falem sueco!) ou porque por causa da minha caipirice eu não sei como me virar na “cidade grande”. Ele é atencioso, paciente, carinhoso, pró. Eu não estaria aqui se não fosse para ficar perto dele, mas ele faz valer esse esforço (EU AMO VOCÊ!).

A vida é uma gangorra com seus altos e baixos, clichês, bla bla bla. Não tenho tudo que quero, mas amo tudo que tenho, e vou esperar a gangorra subir para curtir melhor a paisagem…