Diário Caipira-139

Ontem escrevi no post que a Finlândia estava fechando as fronteiras com a Suécia e emendei um “onda, onda, olha a onda!”. Não estou dizendo que a Finlândia está tirando onda com a Suécia ou vice-versa; estou simplesmente vendo a segunda onda de Covid chegando por aqui, como já aconteceu na Itália e Espanha.

A OMS já apontou essa semana que tem visto um crescimento significativo do número de casos em toda a Europa mas emendou que isso era esperado já que os paises dispõem de um maior numero de testes agora (em comparação a fev-março). Já na coletiva de imprensa na terça feira a Folkhälsomyndigheten apontou que o número de casos confirmados crescia. Dá pra perceber pelos gráficos. Desde julho, apesar do número de testes terem aumentado e de que a possibilidade de teste tenha sido estendida a toda a população, o número de casos não havia crescido tanto como nas duas últimas semanas.

O inverno está na esquina, aguardando pra cair no abraço… e a Suécia não vai mudar a estratégia, pelo simples fato de que no inverno todo mundo se isola mesmo…

A cidade de Gotemburgo lançou um desafio aos seus funcionários: vai dar um casaco amarelo fluorescente e pneus com garras de neve pra quem prometer andar de bicicleta durante o inverno. Não parece ótimo? Você se protege do corona e de quebra tem direito a um traumatismo craniano.

Onda, onda, olha a onda!

Diário Caipira-137

Hoje eu tinha curso outra vez e, como era no turno da tarde, resolvi ir para casa e participar da formação online. Já bastou ficar sentada quase que de conchinha com outros funcionários da cidade de Gotemburgo na segunda.

Chequei os emails, veriifiquei o horário do curso, avisei os colegas do plano e parti. Quando chego na metade do caminho… “Västtrafik informa: devido a um problema técnico algum linhas tiveram horários cancelados.” E a minha linha de busão era uma delas.

Entro no teams pelo smartphone pra me conectar com a sala do curso mas cadê o bendito do link. Faltavam 20 minutos para o curso começar, eu estava a 20 minutos de casa e o ônibus só viria em 10 minutos. Eu estava muito atrasada.

Mando um e-mail para a palestrante perguntando aonde está o link do curso. Ela não responde. Eu chego em casa suada, morta por correr morro acima e jogo as coisas em cima da mesa pra acessar e-mail e o teams do notebook. Nada. Não tem link.

As 15.00 recebo uma resposta: infelizmente esse curso era apenas presencial.

O curso: como usar One Note para facilitar o trabalho durante a pandemia.

Diário Caipira-136

Temos uma rotina estruturada pra colocar as crianças na cama. Assim que quando chega a hora de dormir eles sempre estão tranquilos, a gente lê uma história e dá a eles um beijinho de boa noite. Apaga a luz e antes que saia do quarto já ouve o som da respiração cadenciada de anjinhos adormecidos.

Mas esse história aconteceu com a prima de segundo grau do namorado da neta de uma pessoa que eu conheço:

“As crianças estavam fazendo a maior bagunça na hora de dormir. Falando sem parar, um tentando contar uma história e o outro também. De repente um começa a cantar Macarena:

– Baila que baila alegria Macarena, êêê Macarena! Ai!

E o Benji outro menino já entra no coro. A mãe já não sabe o que inventar e antes de pensar diz:

– vaca amarela cagou na panela e quem falar primeiro vai comer a bosta dela!

Silêncio. Três segundos. Risinhos abafados. E então…

– ÊÊÊ Macarena! Ai!”

Não sei como é que a mãe, ao fim, acalmou as crias porque é claro que a algazarra continuou alguns bons minutos noite adentro.

Sorte minha que os meus não fazem dessas…

Diário Caipira-135

Tinha curso outra vez. Outra vez era gente demais numa salinha. E, pra piorar, eu fico “resfriada” instantaneamente só por andar de ônibus. Aí a palestrante pede que a gente se apresente dizendo nome e aonda trabalhamos e a minha voz sai rouca como eu estivesse de cama.

Os olhares que recebo são de puro carinho e compreensão. Só que não.

Diário Caipira-134

Numa conversa com amigos ficamos em dúvida: Quem testa positivo pra Covid deve ficar em casa por quanto tempo? Uns achavam que eram 14 dias (eu entre eles) outros que eram apenas sete. Fomos conferir na página da Folkhälsomyndigheten: são 7.

Om du har tagit ett test som visar att du har covid-19 ska du vara hemma i minst sju dygn räknat från den dag du fick symtom. Om du av någon anledning blivit provtagen trots att du inte har symtom räknas sju dygn från den dag du tog ditt test. Du behöver dessutom ha varit feberfri och mått bra i minst två dygn. Om du har kvarvarande lindriga symtom som torrhosta, lätt snuva eller lukt-och smakbortfall men i övrigt känner dig helt frisk, kan du återgå till arbete, skola, förskola och annan aktivitet om det gått minst 7 dygn sedan insjuknandet. (fonte: Folkhälsomyndigheten, skydda dou vou andra).

Trocando em miúdos, se você testou positivo deve contar sete dias a partir do dia que ficou doente antes de sair de casa SE depois desses setes dias os sintomas houverem desaparecido. No caso de você ter feito o teste sem apresentar sintomas, deve ficar em casa por sete dias a partir da data que fez o teste. Em caso de dúvidas deve-se entrar em contato com o 1177. (Exceto os casos que precisaram de cuidados intensivos).

Det är viktigt att känna till att covid-19 är en allmänfarlig och samhällsfarlig sjukdom enligt smittskyddslagen och att man därför är skyldig att följa förhållningsregler för att förhindra smittspridning. Du får information om förhållningsregler enligt regionalasmittspårningsrutiner. (Fonte: Folkhälsomyndigheten, Skydda dig och andra).

O último parágrafo frisa que é importanre lembrar que o corona é uma doença perigosa para a sociedade e todas as pessoas. Aí fiquei me perguntando: mas há algum tipo de multa ou sanção para quem ignora as recomendações da Folkhälsomyndigheten?

Não que eu saiba… e o Google não pode me ajudar.

Diário Caipira-132

Hoje estava conversando com uma amiga querida na hora do almoço sobre como a nossa sociedade é, ao mesmo tempo, fascinante e escrota.

Já imaginou daqui a três mil anos, nossos descendentes (ou mais provavelmente, a forma de vida superior que existirá na Terra) desenterrando resquícios da nossa civilização e analisando: “os povos desse período chamavam-se a si mesmos de Homo Sapiens Sapiens e imaginavam estar vivendo tempo modernos. Mas sua inteligência era limitada e eles destruíram tudo ao seu redor e não fica muito bem claro porquê”.

“Os humanos desse período acreditavam que havia espécimes mais ou menos superiores. Essa classificação se dava por meio de conceitos primitivos como cor, sexo biológico ou orientação sexual. Normalmente o homem hetero cis branco estava no topo da pirâmide.”

Não parece que descrevemos uma sociedade parcamente desenvolvida?

Diário Caipira-131

Eis que a minha bolsa vai tomando forma. Agora só me faltam dois quadrinhos e posso colocar as alças.

Estou tão dentro dessa onda de crochê que convenci meus colegas de trabalho a entrar num projeto de crochê coletivo.

Como diria uma amiga querida, estou virada em uma “Testemunha do Crochê”. Daqui a pouco vou sair batendo de porta e porta nos domingos de manhã perguntando as pessoas se elas sabem crochetar um “granny square”, se já tentaram, se tem noções da maravilha que se pode alcançar por meio de crochetar quadrinhos. Às pessoas me olharão boquiabertas e tentarão gentilmente me mandar embora e eu vou insistir com frases tipo: ninguém jamais de ensinou a segurar a agulha corretamente…

E aí, já fez crochê hoje?

Diário Caipira-130

Tivemos curso na segunda feira, no trabalho. Sempre que temos essas capacitações “perdemos” algum tempo falando das metas traçadas pelo município de Gotemburgo. Digo perder porque essas metas são bem difusas.

Um exemplo: umas das metas é que a cidade de Gotemburgo será um empregador que trata bem seus funcionários e que tem uma política de RH que faz com a possibilidade de trabalhar para a cidade seja muito atraente. É, mas não é: nossa capacitação foi num local micro e dava a impressão que sentamos no colo uns dos outros. Eu imagino porque a gente vai para o outro lado da cidade sentar numa mini sala quando todo mundo deveria estar tendo capacitação online.

E não é que eu goste de encontros online. Prefiro ter uma capacitação presencial. Mas nas condições atuais, e considerando que a cidade de Gotemburgo trata bem seus empregados… 8h numa mini sala menor do que aquelas que temos disponíveis onde trabalho…

Às vezes não dá pra entender.

Diário Caipira-126

Uma das coisas mais suecas que eu conheço e que já ando ficando enjoada é Bamse. Ele foi o primeiro gibi que os meninos tiveram contato e é simplesmente sucesso. Ao menos uma vez por dia tem que rolar um Bamse, e se a gente sai de carro para longas viagens escuta os episódios disponíveis no Spotify.

Bamse foi criado no fim da década de 60 por Rune Andreasson, sendo lancado primeiro como filme em preto e branco assim como série dentro de outro gibi. A história gira em torno de um urso marrom que fica super forte sempre que come o mel especial preparado pela sua avó. Todas as aventuras do urso trazem alguma mensagem educativa. Eu particularmente gosto muito da edição “O livro do amigo” do Bamse onde os personagens falam sobre bullying e sobre como ser um bom amigo.

Bamse tem como melhores amigos um coelho branco – Lille Skutt – que vive assustado e uma tartaruga – Skalman – que é inventor e sempre dorme nos momentos mais improváveis. Apesar de ser o Bamse quem tem força nem sempre é ele quem resolve os problemas. O urso, por ser o mais forte de todos, não bate em ninguém e sempre tenta ficar amigo com os antagonistas. O personagem Vargen – que como o próprio nome já diz é um lobo preto – se torna amigo do Bamse e deixa a vida de crimes (roubar doces) para trás.

O Bamse tem uma família de quatro crianças, sendo a menor delas uma ursa com deficiência. Não fica claro qual o tipo de deficiência dela, às vezes o desenho dela sugere que ela possa ser uma ursinha com síndrome de Down, outras vezes parece que ela pode ser uma ursa dentro do espectro autista. É Skalman quem percebe que Brumma é diferente e que ela precisa de outro tipo de apoio do que as outras crianças que aparecem na história.

Bamse faz parte da vida dos suecos há tanto tempo que meu sogro lia Bamse quando criança, depois meu marido e agora meus filhos também. Há quem critique a história e diga que ela é propaganda comunista (porque sempre se repete que todo mundo é igual, tem os mesmo direitos e o Bamse não se aproveita de ninguém apesar de ser mais forte…); mas eu não entendo muito bem porquê.

Do mesmo jeito que não entendo como é que os pequenos não podem passar um dia sem!

Diário Caipira-124

Autoflagelação do século XXI:

“Use a ponta macio do palito de teste e introduza na garganta, tão fundo que o seu reflexo de vômito dispare. Esfregue o palito de teste nessa região da garganta por pelo menos cinco segundos. Em seguida, introduza o palito no nariz (com cuidado para não empurrar muito fundo) o suficiente para disparar seu reflexo de espirro. Esfregue o palito da parte interna do nariz por no mínimo 10 e no máximo 20 segundos. Cuspa saliva no tubo, mergulhe o palito de teste na saliva e feche o tubo, tendo o cuidado de mante-lo em pé.”

Parece um capítulo de um livro de terror né? É a orientação de como fazer o PCR em casa.

Diário Caipira-123

Se eu leio as notícias a respeito do corona no Brasil fico pensando o que será que pensam as pessoas que estão cumprindo isolamento há seis meses…?Eu vejo no meu feed das redes sociais todo mundo pedindo e insistindo para que todos aqueles que podem fiquem em casa… mas pelas notícias vejo vídeos e fotos onde parece que a pandemia acabou. Ao mesmo tempo, outras notícias dizem exatamente o contrário. Parece extremamente contraditório.

Enquanto isso, na Suécia, chegamos ao total de quase 85mil casos confirmados e também quase 5900 mortes. A faixa etária mais atingida (segundo a testagem) é de pessoas entre 50-59 anos. Homens morrem mais do que mulheres e quase que a totalidade daqueles que vieram a óbito por causa do Covid tinham mais de 70 anos (5.194 das 5.835 mortes). Desde o dia 18 de agosto as mortes provocadas por corona tem ficado abaixo de 5 por dia.

Apesar disso, a recomendação é manter distância, evitar aglomerações e ficar em casa caso haja qualquer suspeita de doença. Sabemos que temos o inverno pela frente e que Espanha e Itália já vem sentindo uma segunda onda e estão aplicando novas medidas de contenção. A gente também sabe que há bastante gente que já esqueceu a pandemia e que não segue as recomendações. Os cinemas reabriram a semana passada (ou retrasada?). A vida segue certa normalidade (o que é normal?) mas tudo está diferente.

Parece que vivemos em dimensões diferentes do mesmo mundo simultaneamente.

*Fonte das estatísticas: Folkhälsomyndigheten

Diário Caipira-122

Já que todo mundo está meio pestiado, passamos o dia em casa fazendo nada. Ou melhor, muita coisa. Entre elas, tive que disputar com a gata as peças do meu quebra cabeça.

Ela apenas se deita no meio. Daquilo que eu estiver montando… não importa qual parte do desenho seja, ela vai para o ponto exato que eu decidir montar. Eu tirei ela de cima do que já havia montado, bagunçando tudo. Tive que montar novamente. Coloquei um tampo em cima, ela achou graça e passou a “desenterrar” as peças e morder. Por fim, tive que esconder o quebra cabeça.

Ao menos agora as crianças passaram a achar o quebra cabeça interessante. Por causa da gata.